A arte da medicina

A arte da medicina

“Prometo que, ao exercer a arte de curar, mostrar-me-ei sempre fiel aos preceitos da honestidade, da caridade e da ciência”, Hipócrates, pai da medicina

A medicina é considerada, pela maioria das pessoas, uma das mais belas profissões. Costuma ser orgulho de pais e mães verem seus filhos ingressarem em uma faculdade de medicina. E apesar das críticas que se possa fazer aos sistemas de saúde ou mesmo a alguns profissionais da área, dificilmente alguém consegue negar o valor ímpar de médicos e profissionais de saúde em qualquer que seja a comunidade. Sem desmerecimento a qualquer outra profissão, o fazer médico carrega a aura e o peso da responsabilidade que implica cuidar, curar, salvar vidas.
O que move alguém a ser médico? O que move pessoas a se engajarem em transformar a vida de outras pessoas? Em ajudar? Em curar? A psicóloga Sônia Lunardon Vaz, analista junguiana e psicoterapeuta corporal GDS, lembra que para o médico Carl Gustav Jung, associado, depois discidente de Freud, todas as profissões seguem um modelo arquetípico. O conceito de arquétipos, tal como conhecido hoje, foi cunhado pelo próprio Jung e significa um conjunto de “imagens primordiais”, experimentadas, vivenciadas, em várias gerações e armazenadas no inconsciente coletivo.
“Em um estudo sobre relatos de antigas curas que eram praticadas nos templos de Esculápio, tido como o médico ferido, o paciente ia em busca do médico divino e não do médico humano, porque o homem da era clássica entendia a doença como resultado de uma ação divina e que, portanto, só poderia ser curada por outra ação divina”, explica Sônia. Por isso, o primeiro grande arquétipo da medicina é Esculápio, o médico ferido que, justamente por estar ferido, compreende a dor e a doença do outro.
A psicóloga nos lembra que, na lenda de Epidauro, Esculápio é filho do deus Apolo e de Coronis que abandona o filho no Monte Pelion, local repleto de plantas e de virtudes medicinais. As cabras amamentam Esculápio e um cão o protege. Quando o pastor das cabras o encontra, uma voz proclama que Esculápio crescerá para encontrar a cura de todas as doenças e ressuscitará os mortos. Logo em seguida, o imortal Chíron, o centauro, que possui uma ferida incurável produzida por uma flecha envenenada, passa a educar Esculápio por ser, ele mesmo, versado na arte de curar.
Foi assim no Monte Pelion, local da morada de Chíron que Esculápio se alinha com a arte da cura e também com as serpentes, pois Chíron morava em uma caverna e as serpentes estavam sempre por perto. Dessa maneira, a serpente passou a ser associada a Esculápio, com seus poderes curadores, devido, principalmente, ao seu olhar penetrante e à sua capacidade de rejuvenescer a si própria.
“Tudo em Chíron, o médico divino e ferido o faz parecer a mais contraditória figura de toda a mitologia grega. Apesar de ser um deus grego, sofre de uma ferida incurável. Além disso, a sua figura combina o aspecto animal com o apolíneo, pois apesar do seu corpo de cavalo – configuração pela qual são conhecidos os centauros, criaturas da natureza, fecundos e destrutivos – é ele quem instrui os heróis nas artes da medicina e da música”, destaca Sônia, usando a explicação que o mitólogo Karoly Kerényl faz, em um de seus estudos.
As características que se encontram na composição da figura de Esculápio são as do seu pai Apolo – o lado racional e iluminado da medicina posto que Apolo seja o deus Sol, e as de seu mestre e pai adotivo Chíron- o lado escuro e irracional que acessa o intinto e a sensibilidade. “De maneira que o arquétipo que compõe a medicina une em si mesmo os instintos, responsável pela sensibilidade, e a razão, responsável pelo conhecimento e consciência. O que resulta na razão sensibilizada pelos afetos e, portanto, no melhor médico do mundo!”
Comemoramos o Dia do Médico em outubro, mas concordamos que nossa gratidão deve ocorrer todos os dias. Segue nessas páginas nossa homenagem aos nossos médicos, por meio do depoimento de alguns de seus filhos que resolveram seguir o mesmo caminho. Parabéns a todos os médicos que ajudam no cuidado com nós mesmos e com aqueles a quem amamos!

 

DEPOIMENTOS: O que eles esperam? A Ampla foi ouvir filhos de médicos- cooperados que escolheram a mesma profissão dos pais

Gustavo Bueno Rosetti Bernabe
Filho do cooperado Oscar Rosetti Bernabe, da Unimed Oeste do Paraná

A expectativa de Gustavo quanto ao futuro da medicina e da oncologia é que os diagnósticos possam ser feitos cada vez mais precoces. “Aumentando, assim, as chances de cura e do controle de lesões cancerígenas. Associado a isso, o aumento das opções terapêuticas como a videolaparoscopia, cada vez mais frequentes, inclusive no SUS”, relata. Segundo ele, vem ganhando cada vez mais espaço a imunoterapia e cirurgia robótica, um pouco distante ainda dos pequenos centros e da realidade brasileira devido ao alto custo, mas com futuro promissor nos próximos anos. O seu sonho foi sendo conquistado passo a passo, com muito estudo e dedicação, desde o vestibular em Curitiba, com residência médica em São Paulo e de cirurgia oncológica em Londrina no momento. “A realização completa ainda está por vir, ampliando conhecimentos e buscando o melhor tratamento e acolhimento do paciente com câncer no oeste do Paraná”, conta. Entre os desafios que enfrentará em sua carreira está a consolidação, em Medianeira e região, do serviço de Oncologia, área ainda carente de tratamento oncológico adequado, segundo ele.

Giulianna de Gouvea Ribas Simonetti
Filha da cooperada Kathia Gouvea Ribas, da Unimed Curitiba

Giulianna conta que sempre admirou ter uma mãe e um avô muito felizes e realizados com a profissão de ser médico. “Acompanhava o dia a dia deles e sempre pensava:”é isso que quero para mim”. Na hora de escolher o curso, ao prestar vestibular, não tinha dúvidas de que ser médica era meu sonho”, lembra. Ela tem muitas expectativas quanto ao futuro da profissão, mas a principal, desde o começo da faculdade, gira em torno de ajudar de alguma maneira as pessoas. “Nem sempre será possível curar a doença ou tirar todo o sofrimento ou dor, mas sempre existe um jeito de dar assistência ao outro”, relata. Um sonho que deseja realizar com a profissão é estudar a mente humana e desenvolver meios/medicamentos para tratar as doenças psiquiátricas. “Ao mesmo tempo desmarginalizar esse grupo de pacientes que sofrem tanto com preconceito”, completa. Segundo ela, entre os desafios que enfrentará está o de não ficar insensível ao dia a dia pesado da medicina e tentar manter a empatia”, finaliza.

Lucas Henrique Rinaldi Faidiga
Filho do cooperado Alcione Brusiguello Faidiga,
presidente da Unimed de Cianorte

Lucas escolheu medicina, além de se espelhar em seu pai, pela forma de atuar perante a sociedade e devido à busca pelo conhecimento necessário antes, durante e após a academia. Sua expectativa para o futuro é poder retribuir para a sociedade e sua família tudo que lhe proporcionaram nessa jornada. “Sonho poder atuar ajudando a sociedade e sempre ampliando a busca pelo conhecimento. O desafio de realizar esse sonho são as exigências espiritual, física e mental na formação de um médico”, relata.

Felipe Fressato
Especialista em clínica médica, filho do cooperado Edson Fressato, presidente da Unimed Pato Branco

Formado há 4 anos pela Universidade de Marília, no estado de São Paulo, onde também exerce a profissão atualmente, Felipe conta ter escolhido a carreira pelo contato com o pai. Para ele, ser médico é um trabalho árduo em prol da população. “É uma profissão em que trabalhamos muito e muitas vezes encontramos dificuldades, principalmente, em relação à estrutura. O Sistema Único de Saúde – SUS é complicado para se trabalhar, mas apesar das adversidades, é muito satisfatório ajudar as pessoas e ver elas se sentirem bem com o nosso atendimento, é o que dá motivação, é o que realmente importa e o que me faz gostar da profissão”, disse. Na avaliação de Felipe, a profissão de médico tem sua valorização, mas nem sempre recebe o apoio que merece, principalmente, por parte do governo. “Nós queremos que a população tenha direito à saúde, com um atendimento de qualidade, com mais dignidade, mas nem sempre é o que a população recebe. Aqui em São Paulo, onde eu atuo, não é assim. Muitas vezes, vemos as pessoas morrendo na emergência por falta de estrutura, sem poder mandar para a UTI, porque não tem leito, isso torna a atuação do médico difícil, mas quando você consegue fazer algo e ajudar as pessoas que estão ali, motiva a continuar”, relata. Sua expectativa é sempre procurar fazer o melhor para os pacientes e atuar em conjunto com os colegas de trabalho e equipe da saúde, enfermeiros, nutricionistas, fisioterapeutas e técnicos de enfermagem. Ser médico é um sonho que sempre quis e realizou: “graças a meu pai, doutor Edson Fressato, à minha família e à minha noiva Carolina Abreu, que também é médica intensivista”.

Fernanda Martins Gerhardt Pereira
Filha da cooperada Simone Martins Gerhardt Pereira, vice-presidente da Unimed Paranaguá

Fernanda conta ter escolhido a profissão porque sempre esteve em contato com a medicina. “A vontade da minha mãe em ajudar o outro sempre me inspirou”, relata. Suas expectativas quanto ao futuro da profissão são positivas. “Com a regulamentação dos cursos existentes e fiscalização da abertura de novas turmas de medicina, o futuro é promissor por garantir que os recém-formados tenham a capacidade necessária para atender e ajudar pacientes da melhor maneira. Além disso, esse é um campo que dificilmente ficará saturado, levando em conta a alta demanda da população”, disse. Um sonho que realizará com essa escolha é ajudar pessoas e atendê-las com dignidade, tanto numa clínica particular como no SUS. “Sonho em dedicar a mesma atenção a todos, sem distinção”. Quanto aos desafios ela destaca o aparecimento de muitas faculdades ofertando o curso. Vemos o reflexo disso na concorrência para entrar numa residência. Além disso, um desafio mais para frente será conciliar a vida profissional e a pessoal.

Haris Di Mario Ekermann
Filha do cooperado Marcelo Ekermann, da Unimed Ponta Grossa

Atualmente cursando a Universidade Médica Estatal de Kursk (Kursk State Medical University), na Rússia, Haris diz que a medicina a escolheu. Por mais que seja filha de médico, seu pai sempre lhe deu uma ampla abertura para que escolhesse o que quisesse na sua vida “Porém, algo dentro de mim foi muito mais forte! Não consigo lembrar em que parte da minha vida, não me veria como uma acadêmica de medicina. Sempre tive uma pessoa ao meu lado, meu pai! Ele sim é a pessoa que sempre me inspirou a seguir esse sonho! E claro, espero ser uma excelente profissional como ele e poder dar o melhor de mim como futura médica!”, relata. Na análise dela, a medicina tem a característica de ser dinâmica, com coisas novas todos os dias, tecnologias, avanços e acima de tudo progresso. “Isso jamais vai acabar, mas a maior expectativa será sempre em estar em contato com o paciente, ouvir, tocar, entender, perceber e poder curar o corpo e a alma, saber que posso ajudar. Um dos meus maiores sonhos já estou realizando, cursar medicina! Enfrentar a mudança de país, cultura, vale e valerá sempre a pena para realizar este sonho. Ao futuro cabe a expectativa e os desafios da profissão, serei no futuro o que estou me preparando agora, uma médica”, conta. O primeiro desafio enfrentado com a escolha foi deixar o Brasil. “Estou há 12 mil km de casa e da minha família, em um país totalmente diferente do nosso culturalmente, idioma e principalmente o clima. Não está sendo fácil, mas isso tudo é superado pelo amor a Medicina e pela qualidade do curso aqui na Rússia. Ninguém disse que seria fácil, por isso é um desafio de vida”, relata.

Maria Aline Terra Alves Mortati
Filha do cooperado Nicola Mortati Neto, da Unimed Londrina

Maria Aline escolheu a medicina por ser uma profissão pela qual tem grande admiração e que possibilita, principalmente, a arte de cuidar de pessoas. Segundo ela, a melhor frase que define sua expectativa quanto à profissão é “curar quando possível; aliviar quando necessário; consolar sempre”, de Hipócrates. Seu desejo é que possa fazer a diferença na vida dos meus pacientes e seus familiares como profissional. O olhar e o sorriso de gratidão do paciente após uma consulta é um sonho que realizará com a escolha por essa profissão. Por outro lado, um desafio que enfrentará com essa escolha segundo ela, será aprender a lidar com a comunicação de más notícias.

Victor Chueiri Genovezzi
Filho da cooperada Stella Meneguel Chueiri Genovezzi,
da Unimed Ponta Grossa

Victor disse ter escolhido a medicina por ainda ser uma profissão respeitada e ter uma remuneração aceitável, além da beleza da profissão. “O sentimento de ajudar uma pessoa em sofrimento é muito bom”, disse. Suas expectativas em relação ao futuro não são muito animadoras devido ao cenário político que, segundo ele, denegriu imensamente a imagem do médico e também devido à grande quantidade de cursos de medicina sem qualidade na formação. Apesar disso, seu grande sonho é trabalhar com algo que o recompense pessoalmente e financeiramente. Estar sempre atualizado para poder fornecer o melhor para seus pacientes será, de acordo com Victor, um dos grandes desafios que enfrentará com a escolha da profissão.

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