Agora e daqui a 40 anos

Agora e daqui a 40 anos

FORMADO EM MEDICINA PELA UEL (Universidade Estadual de Londrina), Paulo Roberto Fernandes Faria fez residência em Ortopedia e Traumatologia, no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo. Participou da Fundação e foi diretor financeiro e diretor-presidente da antiga Unimed Umuarama (atualmente, Unimed Noroeste do Paraná). Nesta entrevista, Faria, atualmente, presidente da Unimed Paraná, fala sobre o futuro do trabalho médico e o ideal Unimed.

Em 2059, como o senhor vê o papel do médico e o cenário da saúde?
Com certeza, a tecnologia vai substituir muito o que o médico faz hoje. Acredito que daqui a 40 anos, o o médico vai poder se dedicar muito mais às relações humanas, a realmente acolher o paciente. E deixar outras questões para a tecnologia. Muito do que os médicos têm de estudar hoje, a máquina vai fornecer de maneira muito mais assertiva. Isso porque
o conhecimento vem evoluindo numa velocidade tão absurda, que acompanhar e se manter atualizado em tudo vai ser cada vez mais difícil. Sendo assim, em situações em que tenhamos dificuldade pela grande quantidade de informações e atualizações, como as interações medicamentosas, por exemplo, a má-quina poderá fazer. Caberá ao médico a análise e a decisão de encaminhar determinada situação, dando toda orientação, apoio e acolhimento ao paciente. A própria assertividade do diagnóstico pode-rá ser da Inteligência Artificial que hoje já contribui bastante. O que, com certeza, jamais será possível substituir é a relação médico-paciente – uma relação que implica acolhimento, confiança, empatia, enfim, relações humanas.
Dentro desse contexto, a saúde que eu imagino vai ser muito tecnológica. Muitas situações de baixa e média complexidade, o próprio paciente vai conse-guir resolver, como já acontece com a Ping An Good Doctor, uma plataforma completa de ecossistema de saúde, que começa a ser implantada em cidades chinesas, uma minúscula clínica sem pessoal que emprega inteligência artificial. No entanto, a parte humanizada da profissão é fundamental e temos que lutar por sua preservação. E nisso, o papel do médico e de sua equipe é preponderante, coordenando a as-sistência ao indivíduo e ajudando-o a decidir opções em relação à sua saúde.
E o papel da Unimed, em meio a essas mudanças?A Unimed é uma segurança enorme para o mé-dico, é uma entidade médica voltada para a relação do trabalho assistencial no mercado. É o braço eco-nômico e um baluarte da profissão médica. Ela será sempre uma balizadora de mercado. Eu vejo que a Unimed, cada vez mais, vai estar junto às entidades médicas, colaborando para o provimento do trabalho qualificado, que beneficia os médicos, mas também seus pacientes, ao lutar para manter a dignidade pro-fissional, a qualidade da assistência e a preservação da relação médico-paciente. Qual o seu sentimento sobre a Unimed?
A Unimed faz parte da minha vida há 30 anos! Nesse período tive três focos: minha família, minha profissão médica e a Unimed. A profissão médica é muito bonita. Quando você pode melhorar o sofri-mento das pessoas, isso por si só traz uma satisfação muito grande. A parte financeira é importante? Óbvio que é importante, ninguém sobrevive sem dinheiro, mas você ter condições de ajudar as pessoas é muito gratificante.
Já a Unimed, o fato de poder trabalhar na gestão de um Sistema que presta papel de enorme impor-tância para a população é desafiante e muito compensador. Óbvio que nosso foco são os nossos médicos e clientes, mas o fato de sermos cooperativa, aproxima-nos e nos coloca nas questões do dia a dia de nossa comunidade, fazendo com que a preocupação com o entorno seja também um ponto importante.
Não foi fácil, quando em 2006, tive que largar minha vida como médico para me dedicar à gestão. As duas coisas estão associadas, já que foi a profissão médica que me trouxe à Unimed, mas não foi uma escolha fácil. O desafio, no entanto, de poder trabalhar mais pela minha própria classe e pela saúde, continua sendo motivador e muito satisfatório.
Qual mensagem quer deixar para quem está no Sistema hoje e para quem entrará?
Para aqueles que estão no Sistema, peço que realmente procurem conhecê-lo, entender sua filoso-fia, o trabalho desenvolvido, os valores, os princípios que o norteiam. Quem conhece o Sistema Unimed, de fato, se apaixona e percebe que não é só mera-mente uma entidade que presta serviços e tem remuneração financeira, é algo muito maior. Aquilo pelo qual lutamos, não digo que não tenhamos percalços, erros e atropelos, faz brilhar os olhos de qualquer um que tenha como foco a saúde. Que lide com o cuidado do outro. A Unimed precisa de pessoas que possam contribuir, promover melhorias, buscar a excelência, uma meta que deve ser diária. Para os que ainda vão chegar, meu desejo é que busquem preservar e elevar as conquistas, os valores, o propósito e o conceito de nossa empresa cooperativa. Foquem no aprimoramento contínuo. Os objetivos devem ser sempre elevados, porque o Sistema Unimed é maior. Não é só uma questão de negócio. Lógico que, para sobreviver, uma cooperativa, apesar de suas peculiaridades, como qualquer empresa, precisa obedecer a ditames do mercado, mas seu propósito, também inclui, a construção de uma sociedade melhor. O nosso objetivo é proporcionar aos clientes uma assistência de qualidade e aos médicos um trabalho sempre digno.

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