As tecnologias digitais podem impactar a Atenção Primária?

As tecnologias digitais podem impactar a Atenção Primária?

*THE MEDICAL FUTURIST – 22/03/2018 – TRADUZIDO POR EVELYN DE ALMEIDA

O médico da família é o primeiro ponto de contato de pacientes e a base da assistência de saúde. Qual é o posicionamento deles na questão das tecnologias digitais? The Medical Futurist Institute realizou uma pesquisa extensiva do tipo survey sobre a predisposição dos médicos da família em utilizar inovações mais recentes em sua atividade e a sua atitude perante o futuro. Vejamos como as tecnologias digitais podem impactar na atenção primária.

A REVIRAVOLTA NA ASSISTÊNCIA MÉDICA

A assistência médica está prestes a mudar o paradigma por causa das tecnologias digitais, conforme mostra o nosso Digital Health Manifesto. As tendências e a pesquisa sugerem que nos próximos anos a medicina passará de reativa para uma orientação proativa. Além disso, dizem que se transformará nos p’s: personalizada, preventiva e participativa. Com o auxílio das tecnologias digitais, tais como diagnósticos point-of-care, tecnologias de uso pessoal, sensores, o paciente no centro do atendimento em vez de hospitais, laboratórios clínicos e centros médicos. Inteligência artificial, nanotecnologia, várias terapias dirigidas e medicina de precisão também posicionam o indivíduo no centro da assistência, em vez da grande massa. Ao contrário de soluções que atendem a um típico paciente, o objetivo da medicina de precisão e tratamentos dirigidos será persona-lizar soluções para o indivíduo.
Ferramentas inovadoras, acesso a mais informações on -line, comunidades de mesmos interesses em mídias sociais e dados permitirão ao paciente cuidar deles mesmos em casa constantemente, assumindo uma abordagem mais preventiva em se tratando de saúde. Além disso, todos esses recursos resultam em perda do status do médico de fonte exclusiva de conhecimento médico. Olhando um passo à frente, as tecnologias digitais e o empoderamento dos pacientes transformarão a interação médico-paciente em uma parceria mais igualitária em vez de ser um relaciona-mento profundamente assimétrico e paternalista. Isso também significa que médicos terão que se envolver na tomada de decisão dos pacientes sobre sua saúde e seu corpo, resultando em uma medicina mais participativa.
Existem imensas mudanças e as primeiras pessoas as sentirem são pacientes e médicos, especialmente os médicos da atenção primária.

MÉDICOS DA FAMÍLIA NA LINHA DE FRENTE

Médicos da atenção primária são o primeiro ponto de contato para a maioria das pessoas quando pensam em assistência em saúde. Médicos da família sempre representaram a ligação entre “os intocáveis” da medicina e a sociedade. Eles são aqueles que encontram a maioria dos pacientes, estão nos serviços emergenciais e “trabalham na linha de frente”. São também aqueles que não têm tempo e recursos para experimentar as tecnologias mais recentes. Entretanto, deveriam.
Ficamos preocupados com as estatísticas sobre a carência de médicos globais e a tecnologia poderia aliviar a pressão sobre médicos da atenção primária. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que há uma carência no mundo de aproximadamente 4,3 milhões de médicos, enfermeiros e profissionais da saúde. Ao mesmo tempo, a necessidade por serviços de saúde está aumentado. A transmissão de doenças está cada vez mais fácil e doenças da sociedade moderna como diabete e obesidade são mais incidentes enquanto a sociedade envelhecida requer cada vez mais cuidados.

A tecnologia poderia ser tornar uma excelente ferramenta para médicos da família. Por exemplo, pacientes poderiam tornar-se futuramente assistentes em saúde digital e chatbots médicos diante de questões mais simples sobre a sua saúde, remédios específicos ou gerenciamento de questões administrativas. Sensores de uso pessoal e dispositivos poderiam transmitir dados para os smartphones dos médicos, notificando-os a qualquer momento se sinais vitais apresentarem problemas e fornecendo todos os da-dos necessários a eles para que realizem os cuidados. Isso permitirá, consequentemente, que médicos tratem apenas aqueles que realmente precisam de atendimento profissional ao tornar possível recomendações de tratamentos simples de forma remota. Em troca, médicos da família terão mais tempo para gerenciar e fazer recomendações a cada paciente, construindo uma relação de confiança e assegurando que pacientes façam as recomendações médicas. Além disso, algoritmos de inteligência artificial darão aos médicos de família a possibilidade de administrar recomendações de especialistas sobre doenças raras e servirem de “guardião” de outras especialidades.


SAÚDE DIGITAL NA ATENÇÃO PRIMÁRIA


Por todas essas razões, The Medical Futurist Institute decidiu realizar uma pesquisa extensiva do tipo survey para compreender o conhecimento e atitude dos médicos de família diante da tecnologia. O estudo piloto transversal foi realizado de setembro de 2017 a dezembro do mesmo ano, por meio de um levantamento on-line. Os 43 itens no questionário foram publicados em mídia social, em outros canais on-line do The Medical Futurist, bem como no canal do Eu-ropean General Practice Research Network (EGPRN).
Para nós, é mais do que animador ver os resultados do estudo. Veja o infográfico que resume os principais destaques. 

 

A ADOÇÃO DA SAÚDE DIGITAL  DEVERIA SER FACILITADA


Nosso estudo possui várias limitações, uma delas e mais importante é que representa mundialmente uma subpopulação de médicos da família, receptivos às tecnologias. Como nosso levantamento estava disponível apenas on-line, os respondentes tinham certa receptividade com a tecnologia e foram capazes de, pelo menos, acessar o questionário. O que impressiona ainda mais é que mesmo esse grupo utiliza apenas uma parte do amplo espectro da saúde digital.
Atualmente, mídias sociais e aplicativos de smartphones são os mais populares entre os respondentes – o que não é novidade, considerando a ampla penetração de mídias sociais e o crescente número em vendas de smartphones. Entretanto, os médicos da família expressaram o seu desejo de utilizar no futuro (próximo) dispositivos portáteis de diagnóstico, sensores em saúde e telemedicina. Notamos que as tecnologias sci-fi, tais como inteligência artificial, realidade virtual ou realidade aumentada, ainda não convenceram os médicos da atenção primária. Eles parecem estar mais distantes e cautelosos em seu desejo de utilizar essas inovações, mesmo que no futuro.
Quando questionados sobre o futuro, 70% dos respondentes disseram que a utilização das tecnologias digitais em saúde é inevitável. Entretanto, foi interessante ver que eles não associaram claramente a transformação do relaciona-mento médico-paciente com as tecnologias digitais. Apenas 41% dos médicos acreditam que a ligação paternal e hierárquica entre pacientes e médicos se transformará em algo mais igualitário como resultado das tecnologias digitais.
Em relação aos benefícios da saúde digital, os médicos da família parecem concordar que as inovações revolucionárias podem aumentar o comprometimento do paciente e tornar os tratamentos mais rápidos. Foi interessante verificar que eles não consideram a questão financeira uma pressão para adotar as tecnologias digitais em saúde.
As principais razões pelas quais os médicos não utilizam a tecnologia são a inacessibilidade, falta de casos reais e diretrizes úteis, bem como preocupação com a segurança de dados. Todas são preocupações válidas e nós, da equipe The Medical Futurist, acreditamos que os centros médicos, agências reguladoras da assistência médica ou responsáveis pela definição de políticas deveriam contribuir mais para facilitar a aceitação. Isso é possível ao transformar tecnologias amplamente mais acessíveis, por meio do estabelecimento de organizações dedicadas a criação de diretrizes em grupos de discussão sobre a utilização da saúde digital e elaboração de mais garantias relacionadas à segurança de dados. Porém, há “milhões” de outros caminhos também.
É possível encontrar grandes ideias no relatório Digital Health Best Practices for Policy Makers [As Melhores Práticas de Saúde Digital para Responsáveis pela Definição de Políticas].

*Fonte: https://medicalfuturist.com/digital-technology-make-an-impact-on-primary-care

RESULTADOS DA PESQUISA DO PRIMEIRO ESTUDO THE MEDICAL FUTURIST INSTITUTE

OS RESPONDENTES 

• 183 questionários em 37 países
• 70% trabalham em cidades com menos
de um milhão de habitantes
• Volume médio de atendimento
aproximadamente 2 mil pacientes
• 42,6% dos respondentes do sexo feminino
Idade varia de 24-77 anos, sendo a média de idade 47,5 ATITUDES DIANTE DA SAÚDE DIGITAL
• 75,4% utilizam as tecnologias digitais
em saúde com entusiasmo

20,8% ainda não utilizaram

O QUE DESEJAM UTILIZAR NO FUTURO (PRÓXIMO)?

• Mídia social (10,53%)
• Telemedicina (13,12%)
• Aplicativos de smartphone (15,07%)
• Sensores em saúde (16,38%)
• Diagnósticos point-of-care (16,88%)
• Realidade Aumentada (RA) e Realidade Virtual (RV) (8,44%)
• Impressão 3D (9,08%)

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