Cliente no centro da estratégia

Cliente no centro da estratégia

Marcia Agosti, da General Eletric, Paulo Roberto Zetola, da Renault, e Rodrigo Camargo, da ACP (Asso-Comercial do Paraná), coordenados pelo diretor de Mercado e Comunicação da Unimed Paraná, Alexandre Bley, foram responsáveis pela última mesa-re-donda do evento, no sábado à tarde, dia 15, “O Cliente no Centro da Estratégia”.
Ao apresentar os debatedores, Bley destacou que não adianta se discutir dentro das empresas soluções, se não ouvir o cliente. Por isso, a importância de uma mesa-redonda como essa. “Em vez de uma palestra magna, trouxemos três convidados para falar de suas experiências, como clientes, e saber de que forma, nós podemos entregar a melhor assistência, o melhor cuidado e a melhor saúde”.
Bley destacou que a concorrência mudou. Hoje, não existem apenas empresas de saúde, mas outras organizações com investimentos na área. “Temos diferenciais por sermos cooperativas e está no nosso DNA a excelência, a ética e o comprometimento como valores importantes na busca de soluções em saúde. Porém, os desafios não são poucos. Isso faz com que seja ainda mais importante ouvir nossos clientes”, destacou o diretor.
Camargo, foi o primeiro a falar, ele é médico e, atualmente, sócio e diretor da Previneo health tech dedicada à redução da mortalidade e custo do câncer no Brasil, atendendo mais de 70 mil vidas desde 2016. Ele faz parte do Conselho de Saúde da ACP, na Gestão Glaucio Geara. A Associação Comercial do Paraná tem 125 anos, 14 mil empresas associadas 15% do PIB do Paraná. Segundo ele, o ponto que precisamos discutir é se vai ser sustentável ou não a maneira como atendemos nossos funcionários, nossos clientes, nossa estrutura. O que para ele não tem outra saída, senão o cooperativismo. 

“Menos de ¼ da população tem plano de saúde e 17 milhões de pessoas estão em cooperativas. É muita gente. Há muito o que ser feito. Nós não podemos lutar contra o impacto da tecnologia na medicina, mas é nosso dever antecipar o diagnóstico, para que a sinistralidade não aconteça. Hoje se vende acesso, mas se entrega a restrição da rede. Eu proponho que haja um direcionamento para a rede, como a Unimed Curitiba fez com a APS, a cogestão entre a empresa, o paciente e a rede”, defende.
Para Camargo, é fundamental a gestão compartilhada. “Enquanto nós não mudarmos a visão do que o cliente tem direito e souber da responsabilidade da manutenção desses direitos, não há o que ser feito”, alerta. De acordo com ele, o que dificulta é a falta de orientação básica. Se temos o protocolo 1, 2, 3 e 4, por que pular direto para o 4? O cenário exige cobertura satisfatória com custo previsível, capilaridade e eficiência, gestão compartilhada, integração ocupacional e assistencial. Além disso, as operadoras, usualmente, não se comunicam adequadamente com o cliente. “É importante saber se o valor está correto, e a partir disso negociar e prevenir. Pagar no escuro é o que traz troca de planos, perdendo pacientes, médicos e as empresas”, avalia.
Os problemas são vários, entre eles: falta de orientação básica para consumo do produto de forma equilibrada, a visão do tipo, “eu tenho o produto vou usar”, o modelo de remuneração não “ajuda” aculturar o consumo e o próprio perfil da população brasileira. Para ele, as soluções incluem ferramentas de Gestão, modelos como APS que vêm para dar novos rumos à assistência médica em saúde suplementar, o apoio digital entre outros, como o próprio comportamento do médico.
Marcia de Lima Moreira Agosti, médica sanitarista pela UFRJ, é gerente de Programas de Saúde para América Latina na General Electric com responsabilidade pelos programas de saúde ocupacional, assistencial e de promoção do Bem-estar. Ela lembrou estar re-presentando um grupo de 68 em-presas, com cerca de 3,5 milhões de vidas. “Precisamos olhar para a capacitação dos colegas, olhar para a capacitação dos líderes das em-presas para andarmos juntos nesse processo”, frisou.
A médica lembrou do enorme desafio que é garantir acesso a um serviço de qualidade com custos acessíveis. “Antes, ninguém dava ouvidos ao gestor de saúde, aos gestores médicos. Organizamo-nos para poder ajudar a compreender o cenário complexo que envolve o modelo de saúde. Como podemos contribuir para que juntos possamos trabalhar de maneira mais efetiva? 

Como fazer para comprometer as pessoas com a questão da sustentabilidade? Enfrentamos, na verdade, uma assistência médica de alto cus-to sem conseguir desenvolver uma gestão efetiva. A GE também vem tomando consciência deste novo momento, buscando um ecossistema cheio de oportunidades para que a gente posa contribuir para que os funcionários possam manter a sua capacidade laborativa”.
Os programas de saúde, segundo Márcia, têm esse propósito: alcançar os melhores resultados possíveis no domínio da saúde e produtividade da força de trabalho (saúde e produtividade). Uma pesquisa da Mackenzi perguntou aos usuários onde eles encontram mais barreiras para assumir um estilo de vida mais saudável. Mais de 60% disseram que gostariam de engajar-se em uma atividade física, mas o alto estresse os impede. Para Márcia, é preciso conhecer os riscos psicos-sociais para que possamos ser mais efetivos. “Se não conseguirmos iniciar uma atividade colaborativa, será difícil atingir-se a sustentabilidade”.
Márcia levantou várias reflexões. Entre elas, o fato de que quando se estuda o gerenciamento de doenças é porque já se parou de falar em bem-estar. Outro ponto importante: não adianta buscar ser melhor que nossos concorrentes, é preciso buscar saber o que podemos fazer de maneira diferente.
Zétola reforçou as indagações de Márcia. Médico do Trabalho e do Esporte, é gerente corporativo da América Latina de Saúde e Segurança do Trabalho da Renault do Brasil, além de diretor Executivo da PrevLine Assessoria e Consultoria em Gestão de Saúde. Ele iniciou sua apresentação destacando que os custos de saúde só aumentam. “Nós não temos controle, nem mesmo sabemos se estamos no caminho certo. Será que estamos tratando adequadamente nossos pacientes”?
O médico lembrou o quanto nós, brasileiros, somos privilegiados por termos planos de saúde pagos pelas empresas. “A prática de as empresas oferecerem planos de saúde aos trabalhadores e a seus familiares é maravilhoso, temos de lutar para que isso continue. Lá fora, em outros países, não acontece”. Entretanto, temos que buscar a sustentabilidade. Essa palavrinha mágica, tão comum nos dias atuais e tão difícil de ser alcançada na área de saúde.
Zétola acredita que estamos negligenciando a prevenção em detrimento do tratamento de doenças. As reclamações são muitas, segundo dados da ABPRH Setembro 2018, distanciamento das operadoras e corretoras frente ao emprega-dor; falta de transparência dos indicadores de utilização; ineficiência de gestão das operadoras; ausência ou ineficiência dos programas de gestão de saúde; programas de saúde comuns, dentro do mesmo padrão, sem direcionamento para os desvios da carteira e perfil epidemiológico; ausência de indicadores de resultados dos programas das operadoras; ineficiência de rede de prestadores de consultas eletivas; e ausência de uma linha de cuidado integral.
Zétola também falou de fraudes e desperdícios e da Política Nacional de Segurança e Saúde do Trabalhador (PNSST e apresentou o case da Renault. Seu programa internacional tem aconselhamento de médico especializado, Orientação Médica Geral, orientação nutricional, orientação pediátrica, orientação esportiva, teste de hábitos saudá-veis, indicações de profissionais na Rede Credenciada e esclarecimentos de dúvidas de saúde a qualquer momento. Há, ainda, o programa médico gestor de sua saúde, clube de saúde e programa bem-estar no trabalho, contribuindo para redução em custos, em virtude da prevenção.  

PANORAMA GERAL DE SAÚDE NO BRASIL

• O aumento do custo em saúde
não tem gerado mais saúde
• O aumento do custo em saúde no Brasil é de 17%; valor maior que o da América Latina, que é de 11,5%; e da América do Norte, que é de 8,6%
• Doenças crônicas não transmissíveis causam 16 milhões de mortes prematuras todos os anos
• De 2011 a 2025, as perdas econômicas acumuladas em um cenário comum nos países de baixa e média renda estão estimadas em 7 trilhões de dólares

INSATISFAÇÃO DA CADEIA DE SAÚDE

• Os médicos das operadoras pelos baixos honorários
• Os convênios com a sinistralidade elevada
• O empregador com os valores elevados e reajustes
• O hospital pelas tabelas baixas das operadoras
• Os beneficiários com a baixa qualidade do atendimento

Fonte: custos-da-saude—fatos-e-interpretacoes-interfarma1.pdf

DESAFIOS

• Despesa Acidental do Idoso
500% maior do que a do jovem.
• 70% da população brasileira idosa tem pelo menos uma doença crônica
• Nos últimos 18 meses, 1,9milhão
de beneficiários saiu dos
planos médico-hospitalares
• Consultas médicas em pronto- socorro ficam, em geral, 30% mais cara do que os agendamentos eletivos
• Atualmente, são mais de 400 mil ações nos tribunais envolvendo saúde pública e privada
• Despesas com saúde de idosos
2014 (30%) / 2030 (48%)
• Nos últimos 10 anos, o número
de beneficiários com mais de 60 anos aumentou 55% mais que
o dobro da faixa de zero a 19
• Prótese de joelho paga pela Operadora Custo inicial ($) Custo final (9$ x mais)
• Despesas de faixa etária de 80 anos ou mais 2014 (10,6%) / 2030 (16,6%)
• Variação do preço Stent
metálico coronário – 1.000%
de acordo com a região

Os palestrantes Zétola e Marcia Agosti e o coordenador da mesa Alexandre Bley

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