DRG – Melhoria de toda a cadeia da saúde

DRG - Melhoria de toda a cadeia da saúde

A metodologia Diagnosis Related Groups colabora para a qualidade assistencial-hospitalar

 

Um modelo de governança chamado Diagnosis Related Groups (DRG) está revolucionando a administração de operadoras e prestadores de serviços de saúde no Brasil. A metodologia de trabalho permite incrementar mais segurança para o paciente, melhoria das práticas de gestão e redução de desperdícios do sistema de saúde o que beneficiará a todos os envolvidos: ao paciente, ao prestador, à operadora de Saúde e ao médico. No caso do médico, colabora para prontuários com informações mais qualificadas, que poderão contribuir em trabalhos científicos e em sua defesa profissional. Para o hospital, identifica possibilidades de melhorias. Para o paciente, todos os registros avaliados e qualificados. A ferramenta é amplamente utilizada em países da América do Norte, Europa Ocidental, África do Sul, Ásia e Oceania, e agora ganha espaço por aqui.
O DRG é um método que mede e categoriza a complexidade e criticidade assistencial de cada paciente internado em um hospital por meio da combinação de idade, diagnósticos, principal e secundários, e procedimentos realizados para o seu tratamento. A metodologia busca a categorização dos pacientes em grupos homogêneos, sendo possível, assim, traçar o perfil de atendimento, comparar o tipo de assistência e o consumo de recursos.

PARANÁ 

Seguindo a tendência mundial, a Unimed Paraná vem estudando a implantação do DRG desde 2016. O diretor de Saúde e Intercâmbio da cooperativa, Faustino Garcia Alferez, conta que o Hospital da Unimed Ponta Grossa e a Unimed Costa Oeste foram pioneiros na implantação da metodologia e em 2017 foi dado início à estruturação do projeto estadual. Nesse período, a Unimed também se dedicou a conhecer o cenário nacional, bem como a seleção dos principais fornecedores de tecnologia e metodologia de aplicação.
Em 2018, foi firmado um acordo entre o Sistema Unimed Paranaense, a Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa) e a Federação dos Hospitais e Estabelecimentos de Serviços de Saúde no Estado do Paraná (Fehospar) com objetivo de conhecer o perfil nosológico das instituições hospitalares do estado; obter parâmetros adequados de avaliação da qualidade assistencial; identificar as oportunidades de melhoria e a priorização de esforços e recursos; além de subsidiar a busca por um novo modelo de remuneração adequado e ajustado entre as partes. Definidos os critérios de mensuração, neste ano de 2019, iniciou-se o projeto-piloto.

“A partir do acordo de intercooperação foi criado um grupo de trabalho. Isso foi positivo para o projeto, pois possibilitou a aproximação entre as entidades e a definição de diretrizes para sua implantação no Paraná. Já foram realiza-das também a capacitação de 17 codificadores e o início da codificação nos hospitais do projeto-piloto”, explica Alferez.

FUNCIONAMENTO

Por meio de relatórios e indicadores disponibilizados pelo software utilizado no DRG, é possível estabelecer em qual categoria o paciente se encaixa melhor. Um profissional capacitado na interpretação do sistema de codificação é responsável pela leitura do prontuário médico, do qual coleta os dados, e faz a codificação das informações.
Com base em um banco de dados qualificado de cada paciente, os gestores da unidade de saúde conseguem cruzar informações sobre o tratamento previsto inicialmente e aquele que foi de fato aplicado, o que resulta na melhoria dos processos assistenciais.
Alferez ressalta que o projeto também reunirá informações para os programas de atenção à saúde da operadora e de qualidade e segurança assistencial, o que permitirá o alinhamento do relacionamento entre médicos, demais pro-fissionais da saúde, hospitais e operadoras na melhoria da entrega assistencial para os pacientes/beneficiários.
O projeto-piloto foi estruturado em três fases. Na primeira delas, haverá a construção de uma base de dados sólida que contribuirá para a melhoria do registro de dados clínicos. Na segunda fase, esses dados serão usados para a melhoria da assistência prestada. E, na última etapa, ocorrerá a discussão sobre o modelo de remuneração mais adequado e ajustado entre as partes.
“Acreditamos que, com essa base, teremos parâmetros adequados de avaliação da qualidade assistencial, e conseguiremos identificar as oportunidades de melhoria, o que ajudará a priorização de esforços e recursos. Futuramente, também poderá subsidiar a busca por um novo modelo de remuneração adequado e ajustado entre as partes. Outra mudança, já identificada, foi o aprimoramento da qualidade de registro de informações”, comenta.

RESULTADOS 

No Paraná, o projeto-piloto conta com a participação de seis Singulares e 11 hospitais. Acompanham e participam do projeto os diretores, gestores e analistas responsáveis pela codificação. Em quatro meses de coleta, já foi possível codificar 10.929 altas. Atualmente, o projeto está buscando integrar os dados administrativos e clínicos para otimizar o processo de codificação, além de identificar o aprimoramento dos registros de saúde, com o objetivo de definir uma codificação de qualidade com uma base sólida.
Segundo o diretor de Saúde e Intercâmbio, o projeto ainda está em sua fase inicial, porém já é possível começar a visualizar o perfil de cada instituição participante do piloto. Para ele, esse estreitamento de relacionamento com os prestadores, pautado sempre pela transparência e compartilhamento de informações, ajudará a desmistificar alguns aspectos da relação Operadora x Prestador e mostrar que, se ambas as partes centralizarem o atendimento ao cliente, haverá ganhos para todos. Inclusive para o médico e o paciente.

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