Saúde e tecnologia

Saúde e tecnologia: velocidade e transformação constante

Inteligência artificial, aplicativos e novos modelos de gestão estão entre as ferramentas que vêm mudando o setor e que foram discutidos no e-saúde, evento promovido pela Unimed Paraná

Até pouco tempo atrás, falar sobre inteligência artificial poderia parecer algo apenas dos filmes de ficção. Hoje, a inteligência artificial e tantas outras ferramentas tecnológicas fazem parte do dia a dia de pacientes, profissionais, prestadores de serviço, gestores e outros integrantes da enorme cadeia da saúde. Muitas vezes, elas podem passar despercebidas, mas fazem uma enorme diferença na qualidade e na efetividade dos processos.
“Inteligência artificial existe desde a década de 1950. Mas por que isso não chegava antes para a gente? Porque a tecnologia não permitia. Quando a tecnologia cresce, melhora, fica acessível e mais barata, não fazer coisas melhores é perder oportunidades”. A frase é do arquiteto de sistemas Jacson Fressato, criador do robô Laura e fundador do Instituto Laura Fressato.
Ele participou da programação do 5º Encontro de Tecnologia Aplicada à Gestão da Saúde, o e-saúde, realizado no mês de setembro pela Unimed Paraná, com o objetivo de incentivar uma troca qualificada de informações sobre tecnologia aplicada à gestão entre médicos, acadêmicos e profissionais das mais variadas áreas ligadas à saúde.
O evento, que reuniu cerca de 400 participantes, debateu não apenas a revolução da inteligência artificial na saúde, mas também as tecnologias emergentes nesse segmento, as estratégias de relacionamento com startups, registro eletrônico em saúde e modelo baseado em valor, entre outros. O e-saúde foi promovido em parceria com a Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa), Academia Médica, Sociedade Brasileira de Informática em Saúde (SBIS) e Distrito Spark Curitiba. A transformação digital está em pleno vapor e isto impacta diretamente o segmento da saúde, que passa por um momento de “mudança de era”, de acordo com Cézar Taurion, Head of Digital Transformation da Kick Corporate Ventures e presidente do i2a2 (Instituto de Inteligência Artificial Aplicada). Ele foi convidado para participar do e-saúde e proferiu a palestra “A Revolução da Inteligência Artificial na Saúde”.
Taurion afirmou que a inteligência artificial é tão impactante quanto foi a eletricidade na história da humanidade. “A inteligência artificial está no início ainda, mas já existem coisas interessantes. Os algoritmos estão no dia a dia e isso impacta de uma forma geral, pois todas as profissões serão transformadas”, afirmou.
Ele citou como exemplo a atividade de um advogado e a avaliação de contratos. “Em testes realizados para avaliar o desempenho, um advogado obteve 85% de acerto; o algoritmo, 95%. O advogado leva uma hora e meia para realizar a análise de um contrato, enquanto o algoritmo leva 25 segundos. Nessa realidade, o escritório não precisa de estagiários para fazer essa análise. Assim, para onde vão os estagiários e como formar um advogado experiente para essa função?”, questiona.
No entanto, Taurion ponderou dizendo que a tecnologia não vai eliminar os profissionais, mas torná-los eficientes. E enfatizou que o segmento da saúde não pode perder o“timing” das mudanças, mesmo elas sendo bastante profundas, como é o caso do impacto da tecnologia e sua velocidade.
O especialista lembrou que empresas que possuíam grande valor de mercado em seus segmentos, como o caso da Blackberry e da Blockbuster, não “surfaram na onda” da inovação e não perceberam esse movimento chegando. Quando se deram conta, já era tarde demais e não conseguiram acompanhar as demais corporações.
No entanto, é preciso lembrar dos profissionais que estarão “por trás” da tecnologia e que vão gerar informação de qualidade. O médico Gerson Zafalon Martins, que participou do painel Tecnologias Emergentes na Saúde, fez esta ressalva frente à transformação digital.
Para ele, os avanços surgiram a partir das necessidades. Mas os profissionais da saúde deverão interpretar os algoritmos e levar a informação que o paciente entende. Martins citou uma frase de Luiz Carlos Lobo, autor do livro “Inteligência Artificial e Medicina” para exemplificar o assunto. “Mas se o computador fornece o know-what, caberá ao médico discutir o problema de saúde e suas possíveis soluções com o paciente, indicando o know-why do seu caso”. 

Um dos principais temas debatidos foi o desafio que as novas tecnologias implicam
Além de profissionais de vários setores da saúde, o evento foi marcado pela presença de estudantes de graduação e pós-graduação, especialmente nas áreas de tecnologia em saúde

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *