A governança como caminho para a sustentabilidade do Sistema

Plenária trouxe presidentes das Casas Nacionais ao debate

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(Foto: Unimed Paraná)

Em meio a crescentes desafios, como manter a sustentabilidade do Sistema? Os presidentes das casas nacionais comunicaram suas visões em plenária mediada por Paulo Faria, presidente da Federação, no primeiro dia do evento.

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Para Omar Abujamra Junior, presidente da Unimed do Brasil, são chave: o fortalecimento da governança sistêmica; o protagonismo no debate sobre saúde e cooperativismo; o posicionamento como referência em inovação; o fortalecimento da relação com o médico-cooperado e seu engajamento na busca por eficiência; e o reforço das diretrizes de qualidade, com foco na experiência do cliente.

Luiz Otávio Fernandes de Andrade, presidente da Unimed CNU, apontou que “a principal governança é a transparência para o cooperado sobre a gestão da cooperativa”. Apurar os resultados mês a mês e levar explicações constantes aos sócios, em sua visão, tem caráter prioritário.

Eduardo Ernesto Chinaglia, presidente da Unimed Participações, destacou a intercooperação e a dedicação a soluções para todas as cooperativas: “Estamos de portas abertas a todo o Sistema, buscando um processo de comunicação maior para que todos possam participar.”

Para Helton Freitas, presidente da Seguros Unimed, o desafio é manter a capilaridade enquanto se reduz a ineficiência: “Precisamos trabalhar com mais eficiência e entrega de valor de saúde — o que é fácil de falar, difícil de fazer e mais difícil ainda de demonstrar, mas temos de ter isso como bandeira.”

São ações que, para Faria, devem constituir pilares do Sistema: “Governança e gestão andam de mãos dadas. Sem uma governança adequada, a gestão não ocorrerá. E junto disso, vem a inovação, formando um grande pilar interno.”

Sobre o cenário externo, Faria destaca o protagonismo político da Unimed: “Uma operadora com 10% da população brasileira tem condição de discutir as políticas públicas. Mas nada disso acontecerá sem um processo adequado de governança, que é o que ocorrerá em 45 dias, com a deliberação da nova constituição”, conclui.

Saúde Baseada em Valor precisa de estratégia para funcionar

Plenária debateu formas de ultrapassar barreiras para melhorar a aplicabilidade do VBHC

Tendência global quando o assunto é remuneração médica, a transição para a Saúde Baseada em Valor (VBHC) possui diferentes aplicações – indo além do pagamento por valor – e deve ser pensado de maneira estratégica, envolvendo todos os setores da organização. Na plenária “Entregas de Valor em Saúde”, sob moderação do diretor de Saúde da Unimed Paraná, Faustino Garcia Alfrez, o fundador do IBRAVS – Instituto Brasileiro de Valor em Saúde, César Luiz Abicalaffe, lembrou que os projetos devem ser práticos e aplicáveis à realidade da saúde suplementar do país, com investimento em tecnologia e dados, envolvendo parceiros em todo o sistema.

A aplicabilidade do VBHC, no entanto, enfrenta barreiras importantes, como a fragmentação do sistema de saúde e a resistência à mudança. Outro ponto é a dificuldade na coleta e gestão otimizada de dados, os modelos de financiamento inadequados e a falta de padronização do conceito de valor. Como forma de driblar tais obstáculos, o IBRAVS, conforme Abicalaffe, construiu um Framework com a contribuição de mais de 60 autores, intitulado “Um Caminho Prático para Valor em Saúde e Modelos de Remuneração Baseado em Valor”.

No documento, constam estratégias de modelos de remuneração Baseados em Valor com aplicação em diferentes ambientes, como hospitais, eventos cirúrgicos, consultórios, Pronto Atendimentos, Atenção Primária e medicamentos de altos custo. “Os projetos bem-sucedidos focam em resultados, perpassando por todos os setores de maneira estratégica”, completou.

Já no ponto de vista da Agência Nacional de Saúde (ANS), no VBHC, os modelos de cuidado e de pagamento devem estar integrados, com desfechos que importam aos pacientes e monitorados por meio de indicadores, conforme a diretora de Desenvolvimento Setorial da ANS, Raquel Lisboa. “As primeiras reuniões sob o tema aconteceram ainda em 2010, com um primeiro subgrupo construído seis anos depois.” Como pontuou a diretora, a ANS abriu dois editais – em 2019 e em 2022 – para a adesão voluntária de Projetos-Piloto e, apenas em 2024, foi criado o Programa Modelos de Remuneração Baseados em Valor da ANS.

Por fim, Lisboa reforçou os benefícios alcançados com a mudança de modelo, como o pagamento atrelado ao desempenho, a utilização baseada em protocolos e diretrizes e a remuneração baseada em benefícios ao paciente, e não somente em volume.

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