No painel “Gestão em Saúde e Tomada de Decisão”, moderado por Sandro Marques, pesquisador da Stanford Medicine, lideranças do setor apresentaram casos práticos de como a inteligência de dados deixou de ser uma promessa para se tornar o pilar central da sustentabilidade e da segurança hospitalar, com gestão baseada em dados.
Claudia Regina Laselva, diretora de Serviços Hospitalares do Hospital Israelita Albert Einstein, detalhou a jornada da instituição rumo à ausência total de eventos catastróficos. Dados do prontuário são monitorados em tempo real, com indicadores de deterioração clínica e alertas de sepse, resultando em uma redução de 66% em eventos graves no centro cirúrgico, além de 363 dias sem nenhum evento catastrófico na instituição.
Mônica Silva de Castro trouxe a realidade da Faculdade Unimed, com a plataforma Unimed Data, que utiliza uma base massiva para realizar a predição de risco associada a custos. Assim, gastos de um paciente são projetados para os próximos 12 meses com base em seu histórico, o que permite focar a gestão de cerca de 1% da carteira que representa alto risco, com assertividade superior a 90%. A plataforma devolve a base de dados enriquecida para as Singulares, permitindo autonomia na gestão.
Por fim, Sidney Clark, da IQVIA, trouxe uma visão holística do mercado, abordando desde a pesquisa clínica até a incorporação de tecnologias. Ele abordou o cenário da pesquisa clínica no Brasil, que encontra desafios como a escassez de pesquisadores qualificados. O executivo também ressaltou a explosão de dados gerados pelos próprios pacientes através de aplicativos e wearables: se em 2015, 70% dos apps eram de bem-estar geral, hoje mais da metade é voltada para enfermidades específicas, gerando informações valiosas para a gestão de saúde. Clark finalizou a palestra apontando a falta de maturidade regulatória e a cultura de desconfiança no compartilhamento de dados como barreiras a serem superadas no Brasil.
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