Não há como falar sobre pesquisa clínica sem antes lembrar da importância que os Dados

de Mundo Real (RWD) têm para um trabalho de qualidade. Coletados durante a jornada do paciente, as informações são essenciais para apoiar as tomadas de decisão. Contudo, conforme a médica Daniela Pachito, que atua na Pfizer Brasil, hoje o problema não é mais a escassez — uma vez que o volume é muito grande —, mas sim a qualidade desses dados.
No E-saúde 2025, durante o painel “Evidências do mundo real – Pesquisa Clínica e avaliação em saúde”, moderado pelo médico Luiz Henrique Picolo Furlan, da Unimed Paraná, a profissional destacou a maneira como os dados são coletados e armazenados. “Eles muitas vezes são fragmentados, pois a mesma instituição possui sistemas de informação diferentes, com dados que não conversam entre si e que não estão padronizados da melhor maneira.”

É com base nessas informações de qualidade que, segundo Daniela, os ensaios clínicos são possibilitados, atrelados às RWE, sigla em inglês para Evidências de Mundo Real. “A RWE veio para ficar, para atender diversas dores e incertezas. Ela traz uma visão mais ampla da eficácia de tecnologias novas, por exemplo, até mesmo a avaliação da segurança de tratamentos em populações que não foram analisadas nos estudos clínicos, complementando o que já é feito hoje.”
Na sequência, o colaborador do Centro de Pesquisa e Avaliação de Tecnologias em Saúde (ATS), do Núcleo de Inteligência e Informações em Saúde (NIIS) da Unimed Paraná, Eduardo Rocker Ramos, abordou o que é feito, atualmente, na cooperativa, relacionado aos estudos em mieloma múltiplo — câncer que afeta a medula óssea — e ATS. “A pesquisa mostrou que o TCTH é a terapia com melhor desfecho de sobrevida global no contexto analisado, apontando a relevância de coleta de desfechos clínicos estruturados no contexto de gestão em saúde.”

Por fim, a análise de custo-efetividade, um dos critérios para avaliar a inclusão de novas tecnologias em saúde, foi explicada pelo médico Carlos Magliano, fundador do Asas – Avaliações Econômicas em Saúde e membro do Núcleo de Avaliação de Tecnologias em Saúde (NATS) do Instituto Nacional de Cardiologia (INC). “O custo-efetividade é um parâmetro importante, mas não é o único. Hoje, no SUS, há o limiar de R$ 40 mil Qualys, que é o resultado do custo incremental, dividido pela qualidade e tempo de vida proporcionado, ou seja, a efetividade, para tecnologias direcionadas às doenças mais ‘comuns’. Em caso de doenças raras e graves, o limiar é R$ 120 mil, mas existem soluções de mais de R$ 1 milhão que já foram aceitas.”

Segundo Magliano, esse é o trabalho realizado em ATS: toda modelagem feita tem o objetivo de chegar nessa custo-efetividade. “A partir disso, é possível definir o que é, de fato, custo-efetivo para uma clínica, um hospital, ou para um sistema de saúde.”
Mais sobre o E-saúde – Encontro de Tecnologias em Saúde 2025:
- O 11º E-saúde – Encontro de Tecnologias em saúde desenha o futuro da gestão: https://revistaampla.com.br/11o-e-saude-enco…futuro-da-gestao/
- O futuro do trabalho: https://revistaampla.com.br/futuro-do-trabal…ade-na-era-da-ia/
- Além do algoritmo: o papel do que é essencialmente humano na aplicação eficiente das tecnologias: https://revistaampla.com.br/alem-do-algoritm…-das-tecnologias/
- Interoperabilidade: a ponte de integração que impulsiona cuidado e pesquisa: https://revistaampla.com.br/interoperabilida…idado-e-pesquisa/
- Uso de dados nas instituições, sob perspectivas diferentes: https://revistaampla.com.br/uso-de-dados-nas…tivas-diferentes/
- Soluções tecnológicas de um sistema inovador: https://revistaampla.com.br/solucoes-tecnolo…sistema-inovador/
- Gestão baseada em dados: Como Einstein, Faculdade Unimed e IQVIA usam a informação: https://revistaampla.com.br/gestao-baseada-e…sam-a-informacao/
- A IA na saúde: O que esperar? https://revistaampla.com.br/a-ia-na-saude-o-que-esperar/



































