Saúde comportamental: uma visão holística sobre saúde e bem-estar

Diferente de algumas visões sobre saúde e doença, a saúde comportamental considera os hábitos da pessoa fundamentais para uma boa vida.

saúde comportamental
(Foto: Ilustração/Freepik)

Saúde é muito mais do que a ausência de doenças e uma vida saudável, é construída por diversos pilares, incluindo nossos comportamentos. Por isso, hoje se fala tanto em saúde comportamental. Ela estuda como nossas escolhas, nossos hábitos e nossas atitudes afetam o equilíbrio entre corpo e mente.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) destaca que doenças crônicas não transmissíveis, como diabetes e hipertensão, estão frequentemente relacionadas a comportamentos evitáveis. Questões como sedentarismo, alimentação inadequada, consumo excessivo de álcool e tabagismo são os principais problemas identificados.

Para se ter uma ideia, no Brasil, apenas 40,6% das pessoas com 18 anos ou mais realizam atividade física nos níveis estipulados pela OMS (para adultos, cerca de 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada por semana; para crianças, pelo menos 60 minutos de atividade física moderada a vigorosa por dia). Enquanto o consumo de alimentos ultraprocessados aumentou 5,5% na última década, segundo dados da Revista de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP).

Assista: Alimentos ultraprocessados ou processados: diferenças, riscos e como dosar

A saúde comportamental, entretanto, não fala só sobre a nossa saúde física, mas também sobre o nosso bem-estar mental. Fatores, como o uso excessivo de telas, o aumento do estresse e o isolamento social podem elevar os níveis de cortisol, contribuindo para condições como depressão e ansiedade.

Assim sendo, se nossos hábitos podem ser prejudiciais, pequenas mudanças podem gerar resultados significativos. Exercícios físicos, mesmo que leves, estimulam a liberação de endorfinas. Optar por uma alimentação consciente, focando em nutrientes em vez de calorias vazias, fortalece o sistema imunológico e melhora o humor. Práticas simples, como a meditação e a prática de hobbies, são eficazes no combate ao esgotamento mental.

O médico João Brito explica que três pilares são fundamentais na saúde comportamental: alimentação, sono e atividade física (Foto: Arquivo Pessoal)

Para entender mais sobre a saúde comportamental, o médico João Brito oferece insights valiosos:

Como nossos hábitos e escolhas influenciam a saúde física e mental? Não somos reféns de nossos genes. O estudo da epigenética demonstra que nossas escolhas têm um impacto muito mais significativo na longevidade e no processo de cura do nosso organismo do que qualquer padrão familiar.

Quais são os principais pilares para uma vida saudável? Três fatores são essenciais: alimentação, sono e atividade física. Os alimentos que consumimos frequentemente contêm substâncias químicas prejudiciais, que podem causar doenças, incluindo câncer. Portanto, fazer escolhas alimentares saudáveis é fundamental. Além disso, uma boa noite de sono é crucial, pois é durante o descanso que nosso corpo se recupera. Por último, a prática regular de exercícios aumenta nossa taxa metabólica e gera mais energia para nossas atividades diárias.

Por que adotar uma visão holística da saúde? Essa abordagem permite uma avaliação mais profunda e ampla dos problemas, investigando suas raízes e causas verdadeiras. A visão holística implica em considerar todos os aspectos da saúde – físicos, mentais, comportamentais e outros.

A saúde comportamental é uma via de mão dupla entre médicos e pacientes, pois exige responsabilidade e empoderamento com o próprio bem-estar. Em um mundo acelerado e repleto de tentações, equilibrar prazer e autocuidado é fundamental. Como disse Hipócrates: “Que seu remédio seja seu alimento, e que seu alimento seja seu remédio.”

Fórum de saúde comportamental marcou presença na HIMSS 2025

Durante a HIMSS 2025, maior evento global de saúde digital em Las Vegas, a Informa Connect e a Behavioral Health Tech promoveram o Behavioral Health Forum, espaço dedicado à evolução da saúde comportamental. O fórum reuniu especialistas, profissionais e inovadores para debater soluções tecnológicas aplicadas à saúde mental, à dependência e ao autismo/IDD. Entre os temas discutidos, destacaram-se o uso de dados, inteligência artificial e modelos de cuidado digital para ampliar acesso e melhorar resultados – especialmente em comunidades carentes. O evento reforçou o papel da tecnologia como aliada na transformação dos serviços de saúde comportamental.

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