Hantavírus: o que é, riscos e quando se preocupar

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(Foto: Freepik)

Nas últimas semanas, você com certeza ouviu falar sobre o hantavírus e o surto que acometeu o cruzeiro MV Hondius, saindo do Ushuaia, na Argentina com destino às Ilhas Canárias com 147 pessoas a bordo. De acordo com dados divulgados pela Organização Mundial da Saúde (OMS), até o dia 21 de maio foram confirmados 11 casos, com três óbitos e índice de letalidade de 27%. A dúvida que pairou, contudo, foi o potencial pandêmico e o risco de contaminação pelo vírus, que corresponde à cepa Andes – a única com transmissão entre humanos detectada.

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Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), não há sinais que indiquem a possibilidade de um surto maior ou uma pandemia, como o que houve com a Covid-19. Contudo, como o vírus pode ficar incubado por um período maior, há o monitoramento contínuo dos passageiros que estiveram a bordo do MV Hondius até que a doença possa ser descartada nessas pessoas.

Como acontece a transmissão?

A hantavirose é uma doença zoonótica, causada pelo vírus hantavírus, transmitido principalmente por roedores silvestres. Como citado, a única cepa com transmissão entre humanos detectada é a Andes – a registrada no cruzeiro – com relatos esporádicos na Argentina e no Chile. No entanto, a contaminação acontece principalmente envolvendo contato íntimo e prolongado, e não por gotículas respiratórias como no caso de resfriados, gripes e até mesmo a Covid-19, o que reduz o risco de surtos.

No caso das demais cepas, a transmissão se dá pela inalação de aerossóis formados a partir das fezes e da saliva dos roedores infectados. Dessa forma, áreas rurais e relacionadas à agricultura e ao ecoturismo oferecem risco aumentado de contaminação.

O vírus tem incubação de 3 a 60 dias, e inicia com febre e dores no corpo. São sinais graves e de alerta: desconforto respiratório, tosse seca e dificuldade para respirar. Em caso de suspeita, a recomendação é buscar atendimento médico.

É preciso se preocupar?

A médica Juliane Cristina Costa Oliveira, que atua no Núcleo de Inteligência e Informações em Saúde (NIIS), detalhou os dados epidemiológicos relacionados à hantavirose no Brasil. Em 2025 foram confirmados 35 casos no país, enquanto em 2026, até o momento, foram confirmados sete casos – com apenas um no Paraná. Não houve aumento no número de casos esperados da doença no Brasil. “Os dados apontam que 81% dos casos de infecção aconteceram em zona rural, principalmente em atividades de desmatamento, aragem de terra, limpeza de galpão, depósito e contato com roedores, e são causados por cepas de hantavírus que não são transmitidas de pessoa a pessoa”, comentou.

No caso de viagem programada para áreas de transmissão, a médica comenta que não há evidências ou orientações para cancelamento. Contudo, é importante lembrar de algumas medidas que podem ser adotadas por todos para reduzir a possibilidade de infecção – isso em qualquer momento, não só devido ao surto no cruzeiro. São elas:

  • Cabanas ou abrigos que tenham permanecido fechados ou com sinais evidentes de presença de roedores só devem ser usados depois de arejados, limpos e descontaminados;
  • Acampamentos devem ser montados em lugares afastados de onde haja presença de roedores. Ninhos, escombros, lixões, acúmulos de lenha e ou produtos agrícolas, palha e outros materiais são habitats preferenciais desses animais, evitando-se também escorpiões, aranhas, serpentes, carrapatos, entre outros;
  • Não se dever repousar ou deitar diretamente no solo. Aconselha-se o uso de barraca com piso impermeável;
  • Nesses acampamentos, deve-se manter os alimentos e os resíduos em vasilhames fechados. O lixo deve ser acondicionado em recipientes à prova de roedores durante a estadia, ressaltando que todo resíduo produzido durante essas atividades deve ser recolhido e depositado em local apropriado;
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