Em tempos de descrença nas instituições, polarização e excesso de informações superficiais, falar sobre educação política tornou-se não apenas necessário, mas urgente. Ainda é comum ouvir frases como “política não presta” ou “não gosto de política”. Porém, gostemos ou não, a política influencia diretamente a forma como vivemos, trabalhamos, nos relacionamos e acessamos direitos básicos como saúde, educação, segurança e infraestrutura.
Renunciar à política também é uma escolha política. Quando uma sociedade deixa de participar, debater e compreender os processos democráticos, transfere a terceiros decisões que impactam coletivamente sua realidade. É justamente nesse sentido que a reflexão de Platão permanece atual: quando os cidadãos conscientes se afastam da vida pública, outros ocuparão esse espaço — nem sempre comprometidos com o bem comum.
A própria origem da palavra política revela sua profundidade. Derivada do grego politikós, refere-se à vida em comunidade, à organização da pólis e à capacidade de participar da construção coletiva da sociedade. Mais do que disputas partidárias, política é convivência, negociação, responsabilidade social e participação cidadã.
O filósofo Aristóteles já afirmava que a política está diretamente ligada à busca da felicidade humana, pois a qualidade de vida das pessoas depende das leis, instituições e valores construídos em comunidade. E talvez nunca essa percepção tenha sido tão atual.
Nesse contexto, iniciativas voltadas à educação política ganham relevância estratégica. Um exemplo é o Programa de Educação Política para o Cooperativismo Brasileiro, desenvolvido pela Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e pela Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar). O programa busca conscientizar cooperativistas sobre a importância da participação cidadã e do acompanhamento das políticas públicas que impactam diretamente o setor e a sociedade.
A iniciativa trabalha temas como cidadania, participação política, sistemas eleitoral e democrático, liderança ativa, engajamento social, mobilização digital e protagonismo. Além disso, promove a formação de multiplicadores regionais ligados às cooperativas paranaenses, fortalecendo uma cultura de participação consciente e responsável.
O programa reforça princípios fundamentais como integridade, legalidade, neutralidade partidária e valorização da democracia. O objetivo é formar cidadãos mais conscientes sobre o impacto das decisões políticas no desenvolvimento econômico, social e humano.
O cooperativismo, aliás, possui papel significativo nesse cenário. Com milhões de cooperados no Brasil e forte impacto econômico e social, o movimento entende que participar das discussões públicas é uma forma legítima de defender interesses coletivos, fortalecer políticas públicas e contribuir para a construção de um país mais equilibrado e sustentável.
Em um mundo cada vez mais conectado, a educação política deixa de ser um diferencial e passa a ser uma necessidade coletiva. Democracia exige participação. E participação exige consciência, informação de qualidade, diálogo e responsabilidade.
Talvez o grande desafio do nosso tempo não seja apenas escolher representantes, mas formar cidadãos capazes de compreender seu papel na transformação da sociedade. Afinal, política não deveria ser apenas um assunto de eleições. Política é, antes de tudo, a arte de cuidar da vida em comunidade.
Nesse sentido, é importante frisar que a Unimed Paraná, como cooperativa, no seu papel de educação, formação e informação, um dos princípios cooperativistas, tem a obrigação de reforçar nos seus espaços a importância da consciência política, sem de modo algum resvalar para a política partidária ou panfletagem.
Convidamos a todos os colaboradores a buscarem informações de qualidade sobre o que é política e modos de participação do cidadão na coletividade sem entrar em polarizações ideológicas.








