Atenção integrada e personalizada

Atenção Integrada e personalizada é caminho para sustentabilidade do sistema de saúde

Utilizado por décadas em países desenvolvidos, principal objetivo é centralizar o cuidado do paciente

Mais de 30 mil atendimentos já foram realizados para cerca de 4 mil beneficiários do Centro de Atenção Personalizada à Saúde (APS) das Unimeds Paraná e Curitiba desde 2014. Inspirado no modelo assistencial de atenção primária à saúde, que tem como principal objetivo centralizar o cuidado do paciente, tem proporcionado sustentabilidade à cooperativa ao melhorar a assistência pessoal e reduzir custos com movimentações inadequadas na rede de assistência. “A ideia é acompanhar o paciente por toda a vida, minimizando procedimentos desnecessários, assegurando efetividade ao atendimento e proporcionando o vínculo”, explica Marcelo Amaro dos Santos, coordenador de Serviços Assistenciais da Unimed do Estado do Paraná.
A chamada prevenção quaternária, que visa evitar expor o paciente a excesso de cuidados que são desnecessários, é o grande resultado obtido pela APS, conforme explica Marlus Volney de Morais, gerente de Estratégias de Saúde da Unimed Paraná. “A redução dos gastos desnecessários é apenas a consequência de uma assistência mais organizada, mais coordenada e, portanto, mais eficaz, da qual qualquer sistema de saúde pode se beneficiar”, destaca.
De acordo com Morais, os primeiros anos de APS no Paraná foram de aculturamento e de ajustes necessários a uma “mudança da envergadura e do gigantismo do projeto que o gerou”. Segundo ele, os resultados são todos muito positivos, principalmente sob o aspecto da atenção personalizada que propiciou às pessoas que formam o “coração” das Unimeds Paraná e Curitiba. “Como toda mudança, gerou, e ainda gera alguma apreensão perfeitamente contornável”, ressalta.
Na avaliação dele, os números relativos aos atendimentos são muito bons e demonstram melhora da qualidade e da racionalização dos excessos de exposição a tratamentos desnecessários e ineficazes que, por vezes, se observava na prestação dos serviços de saúde aos colaboradores. “Apesar de precoces, as avaliações após quatro anos, mostram aumento da qualidade da assistência com maior satisfação em relação aos serviços ali prestados”, destaca.
Ainda de acordo com Morais, modelos organizados como esse melhoraram a qualidade da assistência prestada e reduziram desperdícios em todos os países em que foram implantados, entre eles Canadá, Reino Unido, Portugal e Holanda. Além das Unimeds Paraná e Curitiba, há cinco outras Singulares que já o utilizam no estado. “O fato de essas Singulares terem implantado o modelo demonstra comprometimento das diretorias e confiança no projeto que a Federação e a Unimed Curitiba proporcionaram”, disse.
Na opinião de Morais, apesar de não ser o único, o modelo APS exercido com técnica, eficiência e objetivo, executado e gerenciado por profissionais capacitados, é hoje o melhor sistema para ampliar o horizonte tanto do subsistema público como do subsistema privado da assistência à saúde. “A área pública já o implantou há cerca de 20 anos, mas por problemas de gestão ainda não conseguiu obter os melhores resultados, embora tenha conseguido bons exemplos em algumas de suas unidades. Na área privada, a adoção em escala mais ampla é recente e, somente, agora (2018) a ANS começa a reconhecer a importância e passa a estimular as operadoras a utilizarem o modelo”, disse.
Segundo ele, o importante é que toda a rede de assistência reconheça que o objetivo primordial dos sistemas de saúde é dedicar a atenção ao paciente e que, em todos os momentos essa orientação defina as ações. “A mudança de organização com esse foco trará mais eficiência e mais sustentabilidade a todos os sistemas. Por isso, a mudança cultural é elemento-chave para a implantação do modelo de forma ainda mais abrangente”, ressalta.

Comprometimento e vínculo
Qualquer modelo que se traduza em melhoria das condições de saúde possibilita aos profissionais atuar dentro de suas áreas de conhecimento com mais segurança. Uma boa forma de entender isso é compreender que quando um paciente, com orientação inadequada, procura por um especialista que não é o adequado para a solução da necessidade que o paciente apresenta, tal fato gera perda de tempo e desgaste que se traduz em piora da condição de saúde. “Isso angustia os profissionais comprometidos com a saúde das pessoas”, destaca Morais.

Assim, com coordenação e acesso adequados, o tempo oportuno para a solução dos casos é conquistado e os resultados além de mais rápidos são também mais eficientes, tanto do ponto de vista do consumo de recursos humanos como financeiros.“O grande desafio futuro será o de ainda precisarmos mudar o conceito do modelo fragmentado atual para o modelo coordenado, o que demanda ajustes de cultura, de comportamento e de relacionamento em toda a rede”, finaliza Morais.
Na APS, o paciente realiza uma primeira consulta com o médico de família, na qual são conhecidos os dados e necessidades de saúde do beneficiário e há o início do vínculo. Além do médico de família, a equipe é composta por profissionais de enfermagem (enfermeiras e técnicas de enfermagem) e de apoio (fisioterapeuta, psicólogo, nutricionista e farmacêuticas).
“Sempre que o paciente necessita tratar alguma questão de saúde, deve procurar o médico de família, para juntos, traçarem o melhor caminho para obtenção de êxito no atendimento. A equipe multiprofissional atua em parceria com o médico de família. Toda a família deve ser cuidada pelo mesmo médico, para que ele, conhecendo os demais integrantes da família, tenha apoio e conhecimento do contexto familiar para propor a melhor terapêutica”, explica Marcelo Amaro dos Santos, coordenador de Serviços Assistenciais da Unimed do Estado do Paraná.
O médico de família, no modelo assistencial de APS, tem condições de resolver de 80 a 90% dos casos e os que não podem ser resolvidos dentro desse modelo assistencial são encaminhados para uma segunda opinião com um especialista focal, com guia de referência e contrarreferência. O objetivo é que não se perca o vínculo com o paciente e que ele possa receber o devido cuidado, sem se expor a procedimentos desnecessários.

O médico de família
Na avaliação de Rodrigo Cechelero Bagatelli, médico de Família e Comunidade do Centro APS da Unimed Paraná, o sistema é o único que consegue oferecer cuidado para as pessoas em todo o seu ciclo de vida. “Não há distinção de queixa, obrigando a pessoa a procurar um especialista para cada problema seu, o que acaba fragmentando o cuidado e causando confusões. As pessoas têm acesso a um médico especializado em sua pessoa, o que facilita o vínculo também”, explica.
O ponto negativo, segundo ele, é que as pessoas não estão acostumadas com a figura do médico de família “e se sentem prejudicadas quando não podem passar direto com o especialista e não entendem que a maioria dos seus problemas podem ser resolvidos com a equipe da APS”, ressalta.
Entre os desafios do modelo tradicional de atendimento está o fato de o sistema ainda carecer de coordenação, já que a rede de prestadores não está vinculada com a APS e isso gera dois sistemas trabalhando sozinhos. “Isso já têm mudado, mas por enquanto apenas a APS têm buscado inovar, enquanto a rede ainda funciona na lógica tradicional. Não existe ainda uma busca por métodos que foquem na melhora da qualidade de vida das pessoas e do cuidado delas”, analisa.
De acordo com ele, o foco ainda é voltado à dinâmica do prestador. Outra situação é que as pessoas ainda confiam demais na tecnologia dos exames e das medicações, mas não percebem o dano a que estão expostos. “A quantidade de exames e medicações potencialmente danosas ainda é muito alta, mas que se durante a consulta são negadas de alguma forma, geram ainda um desconforto muito grande, levando as pessoas a procurarem outro colega. Isso é um estressor do vínculo com o médico de família e, infelizmente, as pessoas em geral não estão preparadas para discutir com seus médicos, preferindo quase sempre buscar alguém que simplesmente corresponda ao seu anseio”, destaca.
Na opinião dele, a medicina de família ainda está muito desvinculada das outras especialidades. “Ainda estamos engatinhando em relação à cooperação mútua do cuidado. Poucos especialistas conhecem nosso trabalho. Na maioria, são jovens que tiveram algum contato na faculdade ou conhecem alguém que faz medicina de família”, avalia. Ainda de acordo com o médico, existem já alguns profissionais que por ética respondem aos encaminhamentos, e isso ajuda bastante, mas ainda enfrenta-se uma dificuldade razoável em manejar os pacientes em conjunto. “Alguns especialistas, no entanto, preferem nossa companhia no cuidado, pois entendem que isso garante a melhor satisfação do paciente e apoio em momentos que eles não têm disponibilidade de atender”, comemora.
Na opinião de Bagatelli, houve visivelmente uma melhora de cuidado dos pacientes, que antes estavam soltos num mar de opções e sem apresentarem melhores resultados de saúde. “Vejo que os pacientes têm confiado mais no vínculo com seu médico, ajudando também a não se envolverem em práticas danosas para a sua saúde, inclusive aquelas que ocorrem pelo excesso de uso de tecnologia e medicamentos. Existe uma procura menor por pronto-socorro pelos pacientes cuidados por nós”, destaca.

Atributos da Atenção Primária à Saúde

– Acesso (disponibilidade): você tem assegurado o contato com seu médico de família e equipe multiprofissional em visita periódica e em qualquer necessidade, mesmo em horários não comerciais. A APS deve ser o primeiro recurso a ser buscado

– Coordenação do cuidado: elaboração de um plano especialmente voltado a cada pessoa, utilizando o recurso necessário para organizar, coordenar e integrar os cuidados

– Continuidade do cuidado (ou longitudinalidade): você tem um acompanhamento constante do seu médico de família e equipe multiprofissional, mantendo vínculo permanente

– Integralidade: é o atendimento integral às necessidades para a atenção à saúde, levando-se em conta todos os aspectos biológicos, psicológicos e sociais que envolvem os cuidados e ações preventivas, promocionais, curativas e de reabilitação, em benefício de uma vida saudável.

Avanços

– Diminuição do risco de dupla conduta médica sem coordenação, expondo o paciente desnecessariamente
– Coordenação do cuidado no decorrer da vida, cuidando e tratando o paciente com doenças presentes e otimizando a prevenção
– Equipe multiprofissional, proporcionando atendimento centralizado e eficiente;
– Exposição quaternária reduzida, sendo utilizada somente em casos necessários e com a coordenação do médico de família
– Adesão plena dos beneficiários da carteira de funcionários da Unimed Curitiba em abril de 2017

Desafios

– Aspectos culturais na aceitação do modelo assistencial, pois o paciente é acostumado à realização de exames, muitas vezes sem necessidade e consultas com médicos especialistas por sua própria conduta
– Apoio político
– Conhecimento técnico da equipe de saúde, gestão dos pacientes, de forma a promover a coordenação do cuidado efetiva e estabelecimento de vínculo

Alexander Cassiano Pereira Antico, 42 anos, consultor, é paciente APS desde dezembro de 2014 e só tem a agradecer ao modelo de atendimento. “Disponibiliza de uma equipe qualificada desde a recepção até aos profissionais de saúde, atendimento personalizado para toda a minha família. Meus filhos adoram o nosso médico de família, todos têm nos acolhido sempre que necessário”, disse. Como sugestão de melhoria, ele indica a ampliação no número de profissionais como fisioterapeutas, nutricionistas e psicólogos.

Adriana de Fátima da Paz dos Santos, 38 anos, analista de Contas Médicas, também é atendida na APS desde a sua inauguração. Ela destaca o cuidado humanizado por todos da equipe e como sugestão de melhoria indica a ampliação da agenda dos profissionais.

Antonio Agnaldo Zelner, 48 anos, analista de Sistemas gosta muito do atendimento. “A ideia é muito boa. Ter alguém que lhe acompanha e gerencia certas coisas para você. Como, por exemplo, solicitar um exame porque está na hora de realizar, sem a necessidade de você ter que fazer alguma consulta para solicitar tal exame”, avalia.

Rodrigo Cechelero Bagatelli

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