Curva de queda da Covid-19 é mais lenta que a de crescimento

Dois meses depois do pico, em agosto, números da Covid-19 – que estão em queda – chegam ao patamar de julho

O número diário de novos casos e mortes para a Covid-19 no Paraná está em queda desde o dia 5 de agosto, quando a pandemia causada pelo novo coronavírus atingiu o pico no estado. Passados dois meses do pico, no entanto, os números mostram que a velocidade da redução é a metade da velocidade com que a doença se propagou até atingir o pico. Os dados de 5 de outubro são semelhantes aos registrados nos primeiros dias de julho, um mês antes do pico. Ou seja: o estado levou 60 dias para baixar seus índices para os registrados 30 dias antes do pico.

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O pico de casos no Paraná foi registrado em 5 de agosto, quando a média móvel (a média dos últimos sete dias) atingiu 2.032,4 casos por dia. O pico de óbitos ocorreu um dia antes – 54,7 mortes.

Desde então, os números entraram em curva descendente, apresentando oscilações pontuais. Depois de chegar a 36,7 em 27 de agosto, por exemplo, teve duas oscilações com pequenos picos (de 44,6, em 4 de setembro, e 43,7 em 16 de setembro) mas manteve a tendência de queda, chegando, no último dia 5, a 34,4 óbitos por dia. Em 10 de julho, a média móvel saltou de 31,6 para 35,1 e não parou de crescer até o pico de agosto.

A curva de novos casos, apesar de influenciada pelo aumento do número de testes realizados no estado, cresceu até alcançar o pico, em 5 de agosto – 2.032 novos casos por dia. Na sequência, subiu e desceu várias vezes até 3 de setembro, quando apresentou média de 1.950 ocorrências da doença. A curva passou a cair desde então, chegando, em 5 de outubro, a 1.248, número que fica entre os 1.200 e os 1.342, registrados em 2 e 3 de julho, respectivamente.

A influência do comportamento social

“Pelo modelo matemático, a tendência da curva é que ela seja espelhada, subindo e descendo na mesma velocidade. Os números, no entanto, são diretamente influenciados pelo comportamento humano e pelas decisões dos governos. Com o afrouxamento das medidas de isolamento e o relaxamento da população, é natural que a desaceleração acabe ficando mais lenta”, comenta o professor do departamento de estatística da Universidade Federal do Paraná, Wagner Bonat, coautor de um estudo que monitora a taxa de retransmissão do coronavírus no estado e no país. O índice, conhecido como Rt, indica crescimento da curva quando superior a 1,0 e diminuição quando inferior. Em 8 de julho, por exemplo, o índice era de 1,35. Atualmente, está em 0,9. “Quanto maior a distância do Rt para 1,0, maior a velocidade tanto de crescimento como de queda nos números”, explica.

Para o infectologista Bernardo Montesanti Machado de Almeida, do serviço de Epidemiologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, que também participa do estudo de monitoramento da taxa de retransmissão do vírus, o Rt de 0,9 indica que a tendência de queda é constante no Paraná. “A interpretação do Rt tem indicado o crescimento ou decréscimo dos casos e óbitos num período de cinco dias. Então, com esse Rt de 0,9, temos queda de 10% nos números novos a cada cinco dias. Mas tínhamos, em julho, crescimento de 35% em cinco dias”, comenta. Para o médico, com essa tendência clara de queda nos números de casos e óbitos, já é possível afirmar que o pior cenário já passou, “mas ainda temos circulação intensa do vírus. Não estamos em momento de pensar em retorno à normalidade. Temos que nos manter resilientes e proteger os vulneráveis”, conclui.

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