Endometriose exige mais escuta e diagnóstico precoce para transformar a jornada das pacientes

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(Freepik/Ilustração)

A endometriose, condição que afeta milhões de mulheres em todo o mundo, ainda é cercada por silêncio, subdiagnóstico e normalização da dor. O tema foi abordado pela médica Valéria Ballardin, ginecologista e obstetra, durante um encontro promovido aos colaboradores da Unimed Paraná. Valéria iniciou sua fala com uma provocação direta ao público: “quantas mulheres já deixaram de fazer algo por causa da cólica?”.

A pergunta evidencia um dos principais desafios relacionados à doença: a banalização dos sintomas. “A dor da mulher ainda é muito naturalizada. Muitas vezes, ela deixa de ser investigada como deveria”, destacou a médica. Segundo a especialista, compreender a endometriose vai além do diagnóstico clínico. Trata-se de uma jornada que envolve validação, ciência e, principalmente, escuta. “Validar o sofrimento é o primeiro passo para o cuidado humanizado”, enfatiza.

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(Reprodução/Unimed Paraná)

Dados apresentados durante a palestra reforçam a dimensão do problema e seus impactos no dia a dia. A condição pode interferir na rotina, no trabalho e nas relações pessoais, além de estar associada a sintomas como dor pélvica crônica e dificuldade para engravidar. No mundo, pelo menos 10% das mulheres em idade reprodutiva pode apresentar a condição. “De acordo com a Organização Mundial da Saúde e a Women’s Health Association, a endometriose é tão comum quanto doenças altamente reconhecidas, mas muito menos discutida”, diz Valéria.

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Outro ponto destacado foi o tempo até o diagnóstico, que ainda pode levar anos. Para a médica, isso está diretamente ligado à falta de informação e à forma como os sintomas são conduzidos ao longo da vida. “Não é normal sentir dor incapacitante. A gente precisa parar de tratar isso como algo esperado”, alertou.

A especialista também ressaltou a importância de ampliar o conhecimento sobre a doença, tanto entre pacientes quanto entre profissionais de saúde, pois quando há informação, há mais chance de diagnóstico precoce e de um tratamento adequado.

Além do aspecto clínico, a abordagem da endometriose precisa considerar o impacto emocional da doença. Nesse sentido, o acolhimento e a escuta qualificada ganham ainda mais relevância. “A endometriose não é só uma doença ginecológica, ela impacta o trabalho, as relações e a saúde mental. É uma doença invisível com alto custo social. É preciso ouvir essas mulheres e trata-las”, reforça a médica.

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