Há quem corra para chegar. Há quem corra para escapar. E há quem tenha encontrado na corrida de rua uma forma de permanecer: presente, inteiro, em movimento. É o caso do médico William Holderied, da Unimed Pato Branco.
Formado em Medicina pela Universidade Federal de Santa Catarina, especialista em Clínica Médica, Medicina Intensiva e Medicina de Urgência, Holderied aprendeu cedo que a vida raramente desacelera no ritmo desejado. Plantões em UTI, atendimentos de emergência, decisões tomadas em segundos no SAMU do Sudoeste do Paraná, onde atua como diretor técnico desde 2017, compõem uma rotina em que o tempo é sempre curto e a precisão é essencial.
Foi nesse cenário de alta pressão que a corrida surgiu, em 2016, inicialmente como uma tentativa de cuidado consigo mesmo. Um gesto simples, quase discreto, de reorganizar o fôlego. O que começou como estratégia de saúde e bem-estar logo se transformou em algo maior, uma forma de existência.
“Realizo atividades físicas desde a época escolar, jogando principalmente futebol de campo, futsal e basquetebol. O esporte sempre fez parte da minha vida, pratiquei na academia (fortalecimento), tênis, natação, ciclismo mountain bike (MTB) e até xadrez (fui campeão municipal em minha cidade natal, aos 14 anos de idade). E nenhum esporte me apaixonou tanto como a corrida de rua”, conta.
A corrida veio para ficar: saúde e presença
A virada simbólica veio em setembro de 2019. Aos 39 anos, tornou-se maratonista em Buenos Aires, na Argentina. A prova não foi apenas uma distância vencida, foi a confirmação de que o hobby tinha vindo para ficar. “Nada mudou tanto como a maratona. Correr 42,195 km foi absolutamente incrível, emocionante. Foi um marco pessoal. Uma vitória”, recorda.
A partir dali, a corrida passou a ser rotina, inclusive com orientação de educadores físicos e planejamento de treinos. Hoje, são cinco a seis treinos por semana, muitas vezes encaixados entre plantões, após longas jornadas na emergência. Soma-se a isso a academia, o pilates e um cuidado crescente com a nutrição.
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Números para se orgulhar:
Nos números, a trajetória impressiona: cinco maratonas concluídas (Buenos Aires, Chicago, Berlim e duas em Porto Alegre), 18 meias-maratonas e 20.350 quilômetros percorridos ao longo de uma década. São também mais de 2.300 atividades registradas.
Talvez o dado mais significativo não esteja nos indicadores quantificáveis. Está na transformação do cotidiano. A corrida, para Holderied, não é apenas performance, é também encontro. Com o tempo, com o corpo, com a família.
Hoje, agrego a corrida de rua com turismo junto à minha família. Conheci muitos lugares no Paraná, no Brasil e no mundo
William Holderied
“Fui inspirado por amigos corredores e professores de Educação Física. Inspirei minha esposa Juliana a correr, e ela se tornou uma excelente corredora de rua, competindo em várias provas, com muito destaque. E hoje ela é a minha maior inspiração, junto com as minhas filhas”, revela o médico de Pato Branco Além da esposa, ele conta que também incentivou o irmão mais novo a fazer a primeira maratona dele, em 2025, aos 42 anos. Na ocasião, correram juntos em Porto Alegre. Há ainda o impacto que ultrapassa o núcleo familiar. Holderied reconhece que também se tornou referência para outros: “Estou entre os melhores corredores na minha categoria de idade em minha cidade e região, e acredito que isso inspire muitas pessoas, amigos e pacientes a praticarem o esporte e mudarem para um hábito saudável de vida.”
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Inspiração que transforma rotinas
“Hoje, agrego a corrida de rua com turismo junto a minha família. Conheci muitos lugares no Paraná, no Brasil e no mundo”, conta o médico. Para ele, esse hobby traz esporte, saúde, bem-estar, amizade, lazer e cultura.
(…) acredito que isso inspire muitas pessoas, amigos e pacientes a praticarem o esporte e mudarem para um hábito saudável de vida
William Holderied
Em 2019, essa relação com o esporte ganhou também um alcance maior. Ao lado de outros dois médicos maratonistas, o cooperado participou da idealização da Corrida 4 Milhas Unimed Pato Branco, que passou a integrar o calendário esportivo da região. “Sucesso total, a cada ano com mais corredores participando”, celebra Holderied. Em março de 2026, a iniciativa chegou à sexta edição, com o slogan “Aqui sua saúde é hexa”. E incluiu a 2ª edição da Corrida Kids. Um projeto que nasceu do gesto individual e encontrou desdobramento comunitário. Entre urgências e distâncias, Holderied parece ter encontrado na corrida uma forma de pausar e de cuidar de si e também dos outros. No fim, talvez correr seja isso: um modo de seguir em frente sem perder o que importa pelo caminho.








