Baixa autoestima afeta qualidade de vida e distorce autoimagem

Além de problemas com a aparência física, a baixa autoestima impacta diferentes áreas da vida e pode desencadear outros problemas

Quando falamos sobre autoestima, o primeiro pensamento que nos vem à cabeça é aquilo que vemos no espelho: nossa aparência física. Nesse aspecto, costuma- -se relacionar, inclusive, a autoestima elevada a uma certa “arrogância” de quem a tem, como se gostar de si próprio – e daquilo que se vê – fosse errado ou demonstrasse pouca humildade. Porém, você sabia que o contrário, a baixa autoestima, pode desencadear problemas ligados não só à autoaceitação, mas também a situações vividas no cotidiano – inclusive à procrastinação?

Para a psicologia, a autoestima “é a avaliação subjetiva que cada um faz de si, das suas características emocionais e comportamentais”, conforme pontua a psicóloga Francielle Teixeira, que atua na Clínica Multiprofissional da Unimed Londrina. Considerada uma palavra da moda, a autoestima surge principalmente quando falamos sobre o cuidado que devemos ter conosco, e isso vai muito além da aparência física. “A autoestima fala também sobre os nossos sentimentos e emoções. É a capacidade que temos de valorizar nossa identidade e aquelas características que só nós temos, se estamos satisfeitos com o que somos, se confiamos em nós mesmos e reconhecemos o nosso valor”, completa.

Sintomas de quem sofre com a baixa autoestima

De acordo com Francielle, a psicologia entende que a mente humana é, por natureza, muito mais pessimista do que otimista. “Isso faz com que a maioria dos pensamentos que uma pessoa normal tem, durante o dia, sejam pensamentos negativos. Assim, ter diálogos mentais negativos constantes faz com que a parte boa não prevaleça. Sabe aquele dia que uma coisinha ruim estraga o resto do dia todo que foi bom?”, questiona.

Francielle Teixeira

Dessa forma, uma pessoa que sofre com baixa autoestima acredita não ser capaz de cumprir objetivos e, por isso, é muito comum que ela desista deles antes mesmo de começar. “No entanto, quando você desiste de uma coisa antes mesmo de começar, tem 100% de chance de ela não dar certo, não é? Acabamos jogando fora a oportunidade de alcançar belos e novos objetivos”, lembra. Além disso, esse ciclo de várias desistências faz com que a pessoa reforce a ideia de ser incapaz, desistindo de novo na próxima oportunidade.

Em relação à aparência física, uma situação comum a quem tem baixa autoestima é comparar-se fisicamente a outros e, a partir disso, chegar à conclusão de ser “feio e horrível”. “A pessoa com baixa autoestima se considera alguém de baixo valor e, assim, também acaba se considerando alguém mais substituível do que os outros, não observando particularidades que só ela tem”.

De acordo com Francielle, uma das piores consequências da baixa autoestima é o fato de a pessoa optar por se isolar dentro da própria zona de conforto, principalmente por se sentir incapaz. “A baixa autoestima ocorre quando somos rejeitados, desvalorizados ou não gostamos de nós mesmos ou do que fazemos. Assim, a baixa autoestima afeta todas as áreas da vida do indivíduo, seja no trabalho, na família, na escola e, possivelmente, em todos os demais setores e ambientes que esse indivíduo está inserido”.

Desta forma, conforme pontua a psicóloga, o indivíduo pode entrar em um ciclo de desvalorização e, por não enxergar competência naquilo que faz, opta por procrastinar a tarefa por medo de falhar. “A diferença entre a procrastinação e uma “preguicinha” está principalmente na frequência com a qual acontece. Nota-se que a preguiça é pontual e talvez ocorra em determinada situação, enquanto a procrastinação é algo instalado e que levará a outros prejuízos”.

A autoestima é moldada no decorrer da vida

As causas da baixa autoestima são subjetivas e mudam de acordo com o histórico da pessoa, conforme pontua Francielle. “A autoestima vai se moldando de acordo com as experiências que temos durante a vida. As fases da infância e da adolescência são muito importantes para essa construção. A autoestima não nasce com a pessoa. Assim, consequentemente, a autoestima baixa também não”, destaca.

De acordo com a psicóloga, a terapia nos casos de baixa autoestima busca fortalecer as atitudes que se aproximam do sentimento de sucesso, por exemplo: compartilhar uma determinada conquista por menor que seja, como a realização dos planos de vida, algum objetivo conquistado, alguma barreira vencida, aquelas atitudes que poderão ser reconhecidas e valorizadas; desenvolver tomada de iniciativa e proatividade; propiciar sentimentos positivos, como felicidade, satisfação consigo mesmo, bem-estar e realização.

Além disso, uma dica inicial trazida por Francielle é a organização do dia a dia, com o objetivo de preenche-lo com pequenos objetivos que, ao serem completados, darão uma sensação de missão cumprida constante. “Essas atitudes despertam essa sensação de orgulho de si próprio”.

O impacto das redes sociais na construção da autoestima e da autoimagem

A psicóloga comenta, ainda, o impacto das redes sociais nessa construção permanente da autoestima, e como a comparação com as postagens dos outros pode ser maléfica. “O que muitos jovens não percebem é que a maioria dos posts nas redes sociais mostra somente o que o dono do perfil deseja, apenas os eventos positivos de sua vida e, por outro lado, distorcendo os negativos”, diz.

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Francielle lembra que é necessário realizar uma separação entre a vida real e a virtual. “Quando não se consegue fazer isso, entrem em ação diversos sentimentos, a frustração surge e consequentemente a autoestima despenca dando espaço aos descréditos e autocríticas. Quando se trata da vida, não existe base de comparação: faça o que te faz bem. E fique bem com isso começando do simples”, finaliza.

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