Como a Inteligência Artificial auxilia a saúde em tempos de coronavírus

Grande aliada da área da saúde, a Inteligência Artificial pode se tornar uma ferramenta importantíssima no combate ao novo coronavírus. A tecnologia já é utilizada em diferentes frentes nos chamados cinco “Ps” que regem a Inteligência Artificial neste segmento: Preditiva, Preventiva, Personalizada, Participativa e Pertinência. E como a Inteligência Artificial auxilia a saúde em tempos de coronavírus? Na busca de soluções que resultem em atendimento efetivo à população quanto à Covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus, e em diminuição na quantidade de pessoas afetadas por este problema. 

Pela Inteligência Artificial passam as projeções, o engajamento e até mesmo pesquisas clínicas e descobertas de novos protocolos com agilidade, algo que é muito demandado especialmente neste momento. Marcelo Dallagassa, doutor em Tecnologia em Saúde, explica como a Inteligência Artificial auxilia a saúde em tempos de coronavírus.

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Preditiva

Dallagassa conta que a Inteligência Artificial está sendo empregada nas projeções dos números de casos da doença. Com isso, há a identificação antecipada de um novo surto epidemiológico e das possíveis regiões com maior número de ocorrências, além dos recursos que já existem e que possam ser necessários futuramente para o atendimento dos doentes. Isso acontece por meio da chamada aprendizagem de máquina, com o uso de algoritmos. Dallagassa cita como exemplo uma projeção para 60 e 120 dias feita com base nos dados da China, do Irã e da Itália para saber se no Brasil há capacidade de atendimento e de recursos. A partir disso, poderá acontecer tomada de decisões.

A Inteligência Artificial também pode traçar um perfil sobre pessoas que estão sendo afetadas pela Covid-19 e ajudar na busca antecipada de alternativas para uma faixa etária ou para pessoas que possuam uma determinada característica ou doença pré-existente, por exemplo. “Com o reconhecimento de padrão, é possível prever algumas situações em relação à causa-efeito”, afirma. Dallagassa também cita como exemplo o questionamento da hipertensão ser um dos riscos de agravamento para quem contrai a doença. 

Ele lembra a história de John Snow, considerado o pai da epidemiologia. Em 1854, ele verificou, por meio da relação causa-efeito, que a epidemia de cólera na cidade de Londres estava sendo disseminada pela água. Na época, Snow fez um estudo observacional que vinculava os casos geograficamente, identificando o ponto médio – uma bica de água no bairro de Soho – como sendo o responsável pela disseminação da doença. Após intensas investigações, Snow concluiu que deveria rejeitar as demais hipóteses sobre a epidemia de cólera e afirmou que a via hídrica era a responsável pela disseminação da doença. 

Leia aqui um artigo sobre o assunto. 

“John Snow não tinha a tecnologia na época. Hoje, toda esta sistemática é feita por Inteligência Artificial, de mapear determinadas regiões e conseguir reconhecer padrões. Por meio deles, é possível chegar à relação de causa-efeito”, afirmou Dallagassa. 

Preventiva

Na área preventiva, a Inteligência Artificial já é usada no reconhecimento de pessoas previamente com sintomas de Covid-19 e no monitoramento. “Reconhecimento até mesmo de hábitos”, salienta. “Por meio de aprendizagem de máquinas, a Inteligência Artificial consegue ter soluções bastante para prever, por exemplo, a chegada a um aeroporto que esteja com sintomas de Covid-19. Essa habilidade de aprendizagem de máquinas é muito utilizada nessas situações de prevenção”, comenta. 

A Inteligência Artificial também está sendo empregada nos testes rápidos, que se tornaram uma ferramenta de combate ao novo coronavírus. Muitas empresas da área da saúde e também de tecnologia trabalham para desenvolver testes rápidos que estejam disponíveis no mercado o quanto antes. Dallagassa cita como exemplo o Hilab, laboratório da Hi Technologies, uma startup paranaense que está ofertando o teste rápido de Covid-19 em 10 minutos. A empresa recebeu apoio do Senai Paraná, por meio do Edital de Inovação para a Indústria, como forma de incentivo a projetos de diagnóstico, prevenção e tratamento à doença. 

No teste rápido, após a coleta, a amostra é colocada em contato com reagentes dentro de uma pequena cápsula. O dispositivo do teste rápido cabe na palma da mão. Os dados são transmitidos pelo próprio dispositivo via internet para a equipe de biomédicos em uma laboratório físico. Os especialistas, com o apoio da Inteligência Artificial, emitem um laudo no prazo prometido. O paciente recebe o resultado no smartphone ou email. O teste rápido deve estar disponível na segunda quinzena de abril. 

Personalizada

Segundo Dallagassa, cada indivíduo tem uma resposta à contaminação. Por isso, a descoberta de perfis e relações sobre as formas de contágio é uma tarefa da Inteligência Artificial, por meio da aprendizagem de máquina, possibilitando, assim, a descoberta de fragilidades vinculadas a cada perfil. 

Participativa

A Inteligência Artificial auxilia a saúde em tempos de coronavírus de diferentes formas, incluindo na área participativa. Nesse caso, o principal aspecto é o engajamento da população às campanhas de prevenção e controle do novo coronavírus, além do monitoramento das pessoas com sintomas. Para isso, é possível utilizar aplicativos com aprendizagem de máquinas para aconselhamento e apoio nas decisões pessoais frente ao combate à doença. 

Segundo Dallagassa, existem ainda as recomendações, uma tarefa da Inteligência Artificial que trata sobre influência. As recomendações influenciam o conteúdo ofertado aos usuários de redes sociais, por exemplo. Esses agentes de recomendações podem favorecer o acesso às campanhas de prevenção e informações de combate à Covid-19, por exemplo. 

Pertinência

A Inteligência Artificial também está ligada à descoberta de novos medicamentos e de protocolos para a Covid-19. As pesquisas clínicas tradicionais levam muito tempo para serem feitas e concluídas, além de envolverem a exposição de pacientes para a formação de grupos de participantes. “Precisamos ter algo mais ágil, em especial neste momento, para começar a ter respostas mais rápidas”, enfatiza Dallagassa.

De acordo com ele, um elemento da Inteligência Artificial chamado de Evidência do Mundo Real ou Real World Evidence, em inglês, pode fazer a diferença no atual cenário. “Esse tema surgiu em 2017, em um artigo internacional, e hoje está sendo considerada uma das maneiras de avaliação de tecnologia em saúde”, contou. 

“Imagine se todos os hospitais estivessem conectados em uma ‘nuvem’ – e isso não é impossível -, colocando tudo o que estivessem administrando de medicamentos, o que estão adotando de protocolo. E houvesse um grupo clínico fazendo uma avaliação disso em tempo real. Teríamos uma ‘Evidência do Mundo Real’ rápida para dizer que determinado medicamento ou determinado protocolo é eficaz para o tratamento da Covid e estabelecer um tratamento mundial”, indica Dallagassa. 

O especialista indica que a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) está fazendo um trabalho nesse sentido, de reunir as informações sobre a pandemia e o que foi publicado até o momento, direcionado para pesquisadores. É uma oportunidade para a atividade em conjunto com grandes centros de pesquisa. 

Fonte: Portal Saúde Debate

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