É só passar alguns minutos no LinkedIn para uma série de “verdades” sobre liderança vir à tona. Fórmulas mágicas para o sucesso e regras rígidas de comportamento são cotidianamente disseminadas. No entanto, encontram dificuldades para sobreviver na realidade corporativa. Ao confrontar a teoria com a prática diária, gestoras de Unimeds paranaenses desmistificam esses conceitos tradicionais e apontam que o caminho para resultados sustentáveis muitas vezes vai na contramão do senso comum.
Para Fernanda Horn Razouk, gerente do Laboratório Unimed Ponta Grossa, o conselho mais equivocado é aquele que equipara liderança a ter controle sobre tudo — processos, pessoas e decisões. “Estou percebendo, com o tempo, que essa visão está completamente equivocada. Quando um líder tenta controlar cada detalhe, ele sufoca e desmotiva a equipe, além de perder a oportunidade de ouvir as boas ideias e as críticas coletivas”, opina a gerente.
Ela explica que, em vez de buscar o controle, as lideranças existem para direcionar e inspirar as equipes, criando as condições para que cada colaborador dê o seu melhor. “O conselho simples que levo comigo até hoje é ‘construa uma equipe em que a confiança mútua seja a base das relações’. Essa confiança abre espaço para autonomia, inovação e engajamento genuíno, e é isso que sustenta resultados consistentes e duradouros.”
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Esse foi um dos aprendizados da pandemia, período descrito por Fernanda como de extrema incerteza, em que precisou rapidamente adaptar processos, manter a equipe engajada e, ao mesmo tempo, garantir a continuidade de boas entregas. “Esse contexto me ensinou a importância da comunicação transparente, da flexibilidade na gestão e da valorização do capital humano como fator estratégico. Hoje, aplico esse aprendizado diariamente: liderar não é apenas direcionar, mas criar um ambiente de confiança e resiliência, capaz de sustentar resultados mesmo em cenários adversos.”
Para Luciana Salete Lazzari, superintendente Geral da Unimed Cascavel, uma boa liderança também desafia outra noção comum: a do líder “sensacional”, que nunca erra. Ela relembra um conselho que mudou sua perspectiva, quando conheceu e elogiou um gestor cujo trabalho admirava. “A resposta dele foi surpreendente: ‘Eu não sou nada disso que você falou, sou apenas um ser humano que também comete erros. O segredo é se reconhecer pequeno, aprender com os erros, nunca desistir de aprender e sempre, sempre que tomar decisões, se elas forem erradas, reconheça e conserte logo.’ Procuro seguir e executar minhas funções sob este conselho.”
São depoimentos que convergem para a realidade de que a gestão eficaz é menos sobre manter uma fachada de perfeição e controle, e mais sobre humanidade. Ao substituir o microgerenciamento pela confiança e a infalibilidade pela transparência, constrói-se um ambiente em que o erro é encarado como parte natural do aprendizado — e é assim que a equipe se sente segura para inovar.



































