Daniela Malaguido Rossetto: a bailarina de punhos cerrados

Após longos anos dedicada aos palcos, a médica oftalmologista Daniela Malaguido Rossetto, de Apucarana, inovou sua forma de descontrair a rotina

As experiências da infância são memoráveis e nos acompanham no decorrer de toda nossa vida. Dos primeiros hábitos e aprendizados, logo entre os quatro anos e cinco anos, a médica oftalmologista da Unimed Apucarana, Daniela Malaguido Rossetto, deu suas primeiras piruetas e viveu um caso de amor com o balé clássico. A disciplina na ponta da sapatilha foi conduzida até o final do 3º ano do Ensino Médio, quando interrompeu a dança para se dedicar 100% aos estudos. “Nesse período, eu não fiz aula de nenhuma modalidade. Naquela época, eu também fazia aula de piano e natação, mas parei completamente, aos 17 anos, para focar na minha formação”, relata.

Foi um chamado e início da vida adulta. Nos anos seguintes, a dedicação se direcionou para o cursinho, depois para a faculdade de Medicina, cursada na Universidade Estadual de Londrina (UEL), concluída em 2002. Em seguida, a prioridade tornou-se a residência na especialidade de oftalmologia e, por fim, o casamento e os filhos se tornaram os motivos de toda a atenção.

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Apresentações anuais com figurino completo e diploma na mão garantiram a oftalmologista uma carreira de peso no balé

Resgatando o afeto da infância, anos mais tarde, Daniela decidiu quebrar o hiato na prática. “Aos 35 anos, encontrei uma oportunidade de entrar para o ‘balé adulto’, e voltei porque sempre foi a minha paixão! Fazia aula duas a três vezes por semana. E, durante alguns anos, cheguei a fazer aula todos os dias, inclusive aos sábados”, conta Daniela, animada sobre o seu retorno.

O amor pela prática fez a médica percorrer a distância, cerca de 60 km, entre Apucarana a Londrina nos últimos cinco anos. Assim ela manteve sua performance na dança, praticando todos os sábados durante as duas horas de aula. “Todo fim de ano tínhamos um espetáculo com alguma temática. Eu dançava de sapatilha de ponta com o tutu mesmo (pronuncia-se em francês: /ty. ty/), que é a roupa de bailarina”.

Tamanha devoção e empenho só poderia ser recompensado com o certificado e conclusão de formação em balé clássico. No auge, com reconhecimento em mãos, Daniela realizou seu sonho, e aí chegou 2020, e como muitas pessoas, acabou deixando de lado sua rotina e o balé em decorrência da pandemia. A oftalmologista deixou o palco e a vida de bailarina não retomando mais suas aulas.

Sem hobby jamais

A verdade é que barreiras existem para serem quebradas, e mesmo com o cenário pandêmico, ficar parada não foi uma opção. Os suaves movimentos da bailaria se converteram em força e determinação. Um nocaute. “No ano passado, eu não fiz balé, porém comecei muay thai. Troquei as sapatilhas por um par de luvas e estou amando! Inclusive já fiz meu primeiro exame de graduação”, conta animada e relata que essa não é essa a única atividade que realiza, pois, quando dançava, também conciliava com a academia.

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A prova real de que a reinvenção, mais do que nunca, é necessária para os novos tempos que emergem. Independentemente das dificuldades, contornamos pela dança ou pela luta.

Universos particulares

Do traje à prática, o balé e o muay thai são modalidades distintas por si e cada qual com um vocabulário próprio, saiba mais a seguir

As origens são completamente distintas, bem como as motivações para seus surgimentos. Apesar da fama francesa pela prática, o estilo de dança surgiu no século 15, nas cortes italianas, durante a Renascença. No início, era apenas um passatempo dos franceses, e não tinha nenhuma vestimenta específica para ser executado. Isso mudou a partir de 1661, quando o rei Luis XVI instituiu a Academie Nationale de Musique et de Danse, que modificou completamente a condução da prática. Assim, o balé passou a ser estabelecido por meio de técnicas e, com sua complexidade, as roupas foram determinadas para que os movimentos dos bailarinos não fossem comprometidos, possibilitando beleza e maestria ao executá-los.

Na perspectiva oriental, na Tailândia surge o Muay Thai, arte marcial também conhecida como Thai Boxe ou Boxe Tailandês. Essa é uma modalidade desportiva que utiliza quase todos os membros do corpo humano como armas de combate e o objetivo principal passa por colocar os adversários sem sentidos (KO técnico) ou levá-los à submissão/desistência. Exige e trabalha a flexibilidade e a agilidade do corpo, para que seja possível esquivar-se corretamente dos ataques dos adversários.

O termo Muay Thai é uma palavra que deriva da combinação da palavra “Muay”, que designa arte da luta, com a palavra “Thai” que significa o povo e a cultura tailandesa. Nesse sentido, Muay Thai é a arte da luta tailandesa e reflete os valores culturais de um povo que lutou pela sua sobrevivência.

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