DRG amplia análise da assistência e apoia gestão do cuidado nas Singulares

As Singulares do Sistema Unimed Paraná vêm ampliando o uso do DRG (Diagnosis Related Groups) como ferramenta de análise e gestão da assistência hospitalar. A metodologia de governança permite avaliar o perfil clínico e a complexidade dos pacientes durante a internação, além de comparar casos semelhantes e acompanhar indicadores como permanência hospitalar, reinternação e utilização de Unidades de Terapia Intensiva (UTI’s).

“Nesse contexto, o DRG consegue acompanhar os indicadores trazendo um apoio para parte da gestão”, explica Leandra Schneider Candido, analista de valor em saúde, com especialização em DRG da Unimed Paraná. Como explica Leandra, a análise também permite identificar oportunidades de melhoria com foco na qualidade assistencial oferecida ao beneficiário.

Na prática, a metodologia funciona como uma diretriz estratégica para mapear diagnósticos, complexidades e padrões de atendimento em toda a rede. Ao consolidar esses dados, torna-se possível não apenas otimizar a alocação de recursos hospitalares e prever tempos de permanência, mas também orientar linhas de cuidado e protocolos mais assertivos.

Como consequência, esse movimento fortalece a cultura da gestão, aproximando as equipes assistenciais, os comitês de segurança e os gestores em prol de um objetivo comum: uma assistência hospitalar mais eficiente, segura e focada no valor entregue ao paciente.

Experiência de Singulares reforça utilização da ferramenta

Na Unimed Ponta Grossa, a implantação começou em 2016, como uma mudança na forma de analisar a assistência e entender o que acontece dentro da instituição. “É um processo de buscar transformar dados em informações que fossem realmente úteis para tomada de decisão. Uma mudança de cultura da análise da assistência, agora, baseada em dados.”, afirma a consultora de Informação em Saúde com foco em DRG na Unimed Ponta Grossa, Flavia Boaretto Vedovatto.

A implantação envolveu treinamento, regras de codificação, integração com o prontuário eletrônico e aproximação com diferentes áreas da instituição. Para Flávia, um dos principais desafios foi ampliar o entendimento de que o DRG não é uma atividade restrita ao profissional responsável pela codificação. “Ele não é responsabilidade somente do analista que está ali codificando, mas envolve a assistência, a gestão, o engajamento ali da diretoria com o projeto”, destaca.

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Já na Unimed Curitiba, o trabalho com o DRG começou em 2019, em parceria com a Federação, e permitiu acompanhar de perto a implantação e a evolução da metodologia. Na experiência da Singular, um dos principais aprendizados foi entender que a ferramenta exige o envolvimento de diferentes áreas, especialmente dos prestadores credenciados e do corpo clínico. “Implantar o DRG não é simplesmente implantar uma ferramenta ou começar a codificar internações, não é esse o objetivo. É uma mudança de cultura”, destaca Paula Andrea Soresini do Nascimento, supervisora técnica em Saúde da Unimed Curitiba.

Paralelamente, a qualidade das informações registradas no prontuário também ganhou importância. Como a análise depende dos dados utilizados na codificação, a estrutura e a consistência dos registros são fundamentais para gerar resultados confiáveis. “A qualidade do resultado depende mesmo da qualidade do dado que é alimentado no sistema, que é o prontuário eletrônico”, explica.

Reflexos para o beneficiário

Embora boa parte do trabalho aconteça na gestão e na análise dos dados, o objetivo final é refletir na melhor assistência oferecida ao beneficiário. A metodologia permite comparar pacientes com características clínicas semelhantes e observar diferenças em indicadores como tempo de permanência, reinternações e eventos relacionados à assistência.

“O foco, inicial, principal da metodologia é a assistência. Ou seja, qualificar a assistência desse prestador, e que a própria singular consiga identificar quais são os prestadores que estão conseguindo entregar esse resultado para seus beneficiários”, explica Leandra.

A partir dessas análises, as Singulares podem identificar oportunidades de melhoria e implementar ações, como protocolos e linhas de cuidado. A proposta é usar os dados não apenas para medir o uso dos serviços, mas também para avaliar os resultados entregues aos pacientes.

Para Paula, o uso das informações ajuda a dar significado aos dados quando o foco está no cuidado. “O impacto pode – e, com certeza vai – chegar ao beneficiário. Se a gente melhora a qualidade assistencial, melhoramos a qualidade e a percepção, sobretudo do beneficiário, do atendimento que ele está recebendo.”

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A supervisora ainda reforça o propósito da utilização da metodologia: “No final de toda essa análise, a pessoa precisa receber o cuidado certo, no tempo certo, com segurança e com qualidade – e é aí que o DRG se conecta muito com a nossa visão de cuidado baseado em valor.”

Dados que apoiam melhorias

Com a evolução do trabalho, o DRG passou a apoiar análises mais estruturadas, permitindo que os dados sejam incorporados à rotina das Singulares e prestadores. Com isso, é possível acompanhar indicadores de qualidade, eficiência, segurança e desfechos, utilizando de forma mais ampla e assertiva essas informações.

Para Paula, esse é um dos importantes pontos da metodologia. “O DRG não pode terminar na codificação, esse é apenas o começo. O grande valor está em transformar aquele dado em informação e a informação em conhecimento para apoiar nas decisões de melhoria”, afirma.

Na Unimed Ponta Grossa, Flávia conta que os dados passaram a alimentar times, comitês e até indicadores do planejamento estratégico. A metodologia também ajuda a identificar situações que podem gerar discussões dentro da instituição.

“Esse dado passa de ser simplesmente um indicador que vai para um relatório, e passa a ser uma ferramenta que vai provocar discussões e, com essas discussões, é claro, gerar melhorias dentro da instituição”, conclui.

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