Metabolismo lento não é desculpa e “o segredo” é simples!

Muita gente culpa seu metabolismo “lento” pelo sobrepeso, pela dificuldade em emagrecer ou pela facilidade em engordar. Sim, cada pessoa tem um metabolismo basal diferente, precisando de mais ou menos energia para suas funções vitais do dia a dia e gastando mais ou menos energia apenas para manter-se vivo. Mas isso não pode ser utilizado como desculpa. Pelo contrário: conhecer o seu metabolismo faz a pessoa compreender por que dietas que servem para alguns não são efetivas para ela e montar, sob orientação médica e de profissionais de nutrição e educação física, um programa alimentar e de exercícios que lhe levem a seu objetivo.

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“A taxa de metabolismo basal corresponde à energia mínima necessária para manter as funções vitais do nosso organismo, como as funções fisiológicas de respiração, circulação sanguínea, controle de temperatura. É mensurada em condições de repouso, com o indivíduo deitado, em ambiente tranquilo, e corresponde a até 75% do nosso balanço energético”, explica o médico Marcelo Leitão, especialista em medicina do exercício, da Unimed Curitiba. “Nosso metabolismo está relacionado com o gasto energético diário, que é composto pela taxa metabólica da digestão, que é o gasto de energia no processo de digestão dos alimentos, que corresponde a 10% do gasto energético diário; o gasto energético do exercício, que varia entre 15% a 30% do gasto diário, dependendo do nível de atividade física do indivíduo; e a taxa de metabolismo basal, que, parte de 75%, mas, em indivíduos fisicamente ativos, esse percentual cai porque aumenta o gasto energético do exercício”, prossegue.

Alimentos termogênicos

Assim, ele cita que, apesar de existirem os tais alimentos termogênicos (como, pimenta vermelha, brócolis, laranja, mostarda, acelga, linhaça, guaraná, kiwi, sardinha, couve, salmão, aspargos, bacalhau, chá verde, gengibre, pimentão e café, entre outros), que possuem efeito térmico no organismo, eles têm influência nos 10% referentes ao gasto calórico com a digestão. “Essa variação não é significativa a ponto de influenciar efetivamente na perda de peso. A maior manipulação em termo de maior gasto energético é relacionada à atividade física e a maior manipulação relacionada à economia de ingestão de energia é o controle alimentar”, assegura.

Leitão explica que a determinação da taxa metabólica é realizada pela análise da quantidade de calor produzida pelo organismo. Isso pode ser feita usando uma metodologia chamada calorimentria indireta, que é feita pela análise dos gases respiratórios. “É o mesmo equipamento utilizado pelo teste de esforço, que mede o consumo de oxigênio e a produção de gás carbônico, mas é feito em repouso”, explica. Conhecendo seu índice de metabolismo basal, o paciente sabe quais são suas necessidade calóricas diárias e médico, nutricionista e profissional de educação física conseguem montar, de forma individualizada, um programa de alimentação e de exercícios que leve o paciente ao seu objetivo. “O que existe é que a pessoa perde ou ganha peso de acordo com o balanço energético, o equilíbrio entre o gasto e o acúmulo de energia. Se ingerir mais energia do que gasta, vai acumular energia e, consequentemente, ganha peso. Se gastar mais do que ingere, vai ter que usar suas reservas e, consequentemente, perder peso”, diz o médico, que é categórico.

“Não existe essa questão de metabolismo lento. O que muitas vezes acontece é que quando a pessoa se submete a tratamentos para perda de peso, seja com medicação ou com controle alimentar e exercício, o organismo entende que aquela situação em que ele está tendo uma privação de energia é algo de que ele precisa se proteger. Então ele reduz, um pouco, o seu gasto energético, o metabolismo basal, entendendo que isso é uma forma de proteção. Mas isso acontece só quando a pessoa se submete a um tratamento. Aquela questão que as pessoas dizem que não comem muito, mas ganham peso por conta do metabolismo lento, não existe”.

Qual o segredo para o “metabolismo lento”, então?

Marcelo Leitão cita que até existem substâncias propostas para fazer algum tipo de manipulação, não necessariamente no metabolismo, mas no ajuste cerebral que o organismo faz sobre o gasto energético ou o acúmulo de energia. “Mas essas intervenções caem em duas categorias: ou de substâncias que não têm o efeito que elas se propõem a ter, ou, quando tem efeitos, também tem associado efeitos colaterais significativos. Já tivemos várias substâncias retiradas do mercado pro conta desses efeitos colaterais”, diz, repetindo, na sequência. “A maneira mais adequada para modificar o metabolismo é aumentar o gasto com exercício. Quanto maior for o gasto na atividade física, maior vai ser essa manipulação na taxa metabólica. Quanto mais intenso, mais prolongado e mais frequente o exercício mais a pessoa vai gastar”.

Ele lembra, no entanto, que os resultados são em longo prazo e que, por isso, duas questões precisam ser consideradas desde o início: a preferência individual e a possibilidade de se fazer o exercício. “É preciso escolher uma atividade da qual se goste e que se tenha fácil acesso, para que ela se torne um hábito. Não adianta gostar de natação e não ter uma piscina disponível com frequência. É preciso continuidade para se ter resultado”, lembra. Para quem deseja aumentar o gasto calórico, o médico indica as atividades aeróbicas, como corrida ou caminhada, ciclismo, natação, aulas de ginástica nas academias ou dança. “Mas sempre tem que estar alinhado a um controle alimentar. Uma hora de corrida para uma pessoa entre 70kg e 80kg gera um gasto energético entre 300 a 400 calorias. Isso se consome em um minuto, dependendo do alimento que escolhermos”, compara.

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