Música: um remédio mais do que recomendado

Médico, diretor-presidente da Unimed Curitiba e baterista de coração. Rached Traya fala sobre a influência da música em sua vida

Foi no corredor de um hospital, no meio de um plantão, que o médico cirurgião e proctologista Rached Hajar Traya encontrou uma forma de se desestressar e se renovar depois de longas jornadas de trabalho. Em uma conversa com seu colega médico Alfrely Amaral, surgiu a ideia de reunir os amigos para fazer música.

“Sempre gostei de instrumentos de percussão e já tinha conversado com ele sobre música. Aí, em uma sexta-feira à noite, ele estava entrando para fazer uma endoscopia e eu estava de plantão. Sempre bem-humorado, ele me disse: ‘olhe, acho que a gente tem que fazer alguma coisa para desestressar um pouco’. Eu respondi: ‘pois é, né? Mas fazer o quê?’. Então, ele me disse: ‘você não toca bateria? Vamos tocar junto’”, relembra.

Banda

E foi em 2002 que os encontros em estúdio para ensaio começaram de forma descompromissada. Eram apenas três médicos, um residente e um estudante de medicina querendo se divertir nas horas livres. Só que o encontro deu tão certo que eles tocaram juntos por dois anos.

“A música é o momento de relaxar, encontrar pessoas e acaba sendo uma dinâmica de grupo bacana, é um desafio adicional porque você tem que fazer com que todo mundo olhe para a mesma direção”, comenta Traya.
Com o tempo, os compromissos e a agenda cada vez mais apertada fizeram com que alguns integrantes deixassem a banda, mas outros médicos foram convidados para fazer parte do grupo. Aos poucos, a banda começou a tocar em vários lugares, a receber diversos convites. Era o início da carreira de banda, que ainda não tinha nome.

Escolha

O médico conta que a escolha do nome aconteceu de um jeito bem engraçado. Às vésperas de se inscrever em um concurso de bandas, durante o ensaio, um dos colegas lembrou-se desse detalhe: a falta de um nome.
“A gente precisava dar um nome para a banda, não dava para chegar e falar que era uma banda de médicos. Na época, tinha os Los Hermanos, e alguém falou: ‘coloca Los, Los’. E assim ficou”, recorda o médico aos risos.

A banda tem muita história para contar. Uma de suas participações foi no Show Orgulho de Cuidar durante as comemorações dos 50 anos

A banda Los Los se manteve na ativa até 2007. Depois disso, os integrantes acabaram se agrupando com outros conjuntos musicais. No entanto, 13 anos depois, eles se reencontraram no mesmo palco, dessa vez em prol de uma ação solidária promovida pela Unimed Curitiba para beneficiar famílias em situação de risco e vulnerabilidade que estavam enfrentando muito mais dificuldades em função da crise gerada pela pandemia da Covid-19 em 2020.

Leia também: Moto ou fogão? Pilotar pode ser bom de qualquer jeito

“Voltamos porque a gente está vivendo um momento excepcional, havia um chamado, uma comoção social em razão da fome, e foi feito o convite para os legendários e todos eles entenderam que era um momento de voltar a tocar junto, desafiar-se novamente”, avalia Traya.

Show

De lá para cá, a banda tem sido convidada para eventos, como o Show Orgulho de Cuidar, realizado no dia 10 de julho deste ano, via Youtube da cooperativa, e que teve mais de 1,5 mil visualizações. A apresentação foi o encerramento da Gincana Orgulho de Cuidar, que arrecadou alimentos não perecíveis em uma competição do bem da qual participaram colaboradores e médicos cooperados da Unimed Curitiba. No repertório, teve espaço para todos os estilos.

Após 13 anos, a banda se reencontrou por um ótimo motivo: a participação na live da Gincana Solidária da Unimed Curitiba

“O mais bacana foi o reencontro e o mais difícil foi se reencontrar sem ter tocado junto durante 13 anos. A gente respeitou o gosto de todos e cada um escolheu uma música e ensaiou individualmente. O que facilita é ter afinidade com as pessoas, mas o conceito, a matriz estava lá na cabeça de cada um, como se a gente tivesse voltado no tempo e se sentando nas mesmas posições para tocar músicas que nós tocamos centenas de vezes”, comenta.

Primórdios

Apesar de ter começado uma trajetória mais profissional só nos anos 2000, a música sempre fez parte da vida do médico. As primeiras recordações vêm lá da infância, da época da fanfarra na escola. Mas foi somente durante a residência médica, em 1992, que Traya comprou a primeira bateria e passou a tocar. Nos anos seguintes, ele comprou mais acessórios e fez algumas aulas.

“De certa forma posso dizer que fui autodidata. Nunca tive curso de formação, com estrutura musical. As aulas que eu tive foram para aprender um pouco mais de técnica. Fui fazendo assim, me encontrava com os colegas para tocar, vez ou outra a gente tocava, mas sem compromisso de nada”, revela.

Entre as bandas de sucesso que influenciaram o médico, estão U2, Dire Straits e Pink Floyd. Segundo Traya, são bandas que envelheceram com ele ou que ele envelheceu com as bandas. “A gente tem afinidade em um determinado momento da vida, depois você segue. Ou você abandona o estilo, ou você se fideliza e envelhece com eles. Eu estou habituado a cultuar aquilo que eu entendi como sendo a música que me trazia felicidade”, analisa.

Recurso

Para o médico, a música ajuda na profissão porque ela permite pensar em outra coisa, e trabalha com uma higiene mental. Ele diz que, seguramente,
qualquer coisa adicional que a pessoa faça, acaba por ajudar. E no que, exatamente? Para Traya, são vários os benefícios. “O ser humano tem muitas possibilidades, não somos limitados a uma coisa. Quantos médicos são escritores, músicos de expressão ou políticos? Uma coisa não é impeditiva de outra, o céu é o limite”, reforça.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *