Não gosta de cozinhar? Confira dicas para encarar a atividade

Para muitas pessoas, ficar em casa nesse período de pandemia tem sido sinônimo de cozinhar. Sejam as refeições mais simples, do dia a dia, ou aquelas mais complexas, que só dependiam de mais coragem para saírem do caderno de receitas. Cozinhar demanda tempo, energia e, principalmente, vontade. Mas e quem não gosta nem um pouco de cozinhar e, mesmo assim, precisa? Como faz para encarar as panelas e encontrar prazer nessa atividade tão importante, sem deixá-la se tornar um fardo?

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Não importa o motivo: economia, obrigação, falta de opção, restrição alimentar… cozinhar sem gostar pode ser um verdadeiro tormento. Essa é a realidade da jornalista Saila Caroline Rodrigues, de 26 anos, que assumiu a tarefa há dois anos, devido à intolerância alimentar e à busca pela economia dentro de casa. “Tudo na tarefa me desagrada. Não gosto de cozinhar nenhum prato, nada, faço pela obrigação mesmo”, diz.

Para a jovem, a única solução é respirar fundo e encarar o que já se tornou um fardo. “Afinal, preciso me alimentar”, completa, ao escancarar o desprazer na atividade diária. Nesses casos, como é possível fazer as pazes com as panelas ou, pelo menos, não as encarar como inimigas? Será que depender de delivery é uma saída?

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“Definitivamente, não”, afirma a nutricionista Vanessa Ceccatto, que atua no Centro APS da Unimed Paraná. “O momento atual não é bom para brincar com a saúde. Delivery é rápido e prático, mas a maior parte dos cardápios não são saudáveis, são ricos em calorias, gorduras, açúcares e sal”. Para encarar a atividade com menos sofrimento, a profissional recomenda duas atitudes: organização e ressignificação da atividade.

Organize sua rotina e sua cozinha

De acordo com a nutricionista, a organização é a principal palavra-chave para uma boa relação com a cozinha, desde do que tem na dispensa até a programação da semana. O ideal, conforme explica Vanessa, é montar um planejamento semanal ou quinzenal, sem esquecer de planejar a quantidade para evitar desperdícios de alimento e de dinheiro. “Tenha um bloco onde você faça seu planejamento da semana, o que tem em casa que pode ser feito e adicione na sua lista de compras o que precisa para fazer as preparações da semana. Cardápio da semana + lista de compras é primordial, mas tirando isso o ambiente da cozinha também precisa estar organizado”.

Vanessa lembra que, quando há desordem no ambiente da cozinha, o próprio ato de cozinhar pode virar um caos e se tornar um motivo para chamar o delivery. “Além da bagunça visual, pilhas de panelas desorganizadas e gavetas bagunçadas com muitos utensílios em desuso podem fazer da cozinha um ambiente inóspito”, explica.

Além disso, a profissional orienta que, ao menos no início, a pessoa vá com calma. “Para quem já tem uma certa intimidade na cozinha, é possível até mesmo ousar em algumas preparações. Porém, no início, é melhor ir com calma. Indico que isso seja feito no final de semana onde não temos tantas regras com horários e uma preparação mais ousada pode ser posta em prática”, recomenda.

Evite o desperdício

Além de ser uma grande aliada na organização da rotina, a lista de compras evita que exista desperdício na preparação dos alimentos. “Você evita desperdício quando realiza um compra de qualidade dando preferência a legumes, hortaliças e frutas da estação. Do mesmo modo, quando conserva corretamente os alimentos, armazenando-os em locais limpos e em temperaturas adequadas a cada tipo, e realiza um preparo correto, não retirando cascas grossas e preparando apenas a quantidade necessária para a refeição de sua família”, detalha Vanessa.

Confira algumas dicas:

  • Verificar e cumprir a lista de compras, isso evita gastos desnecessários
  • Comprar apenas o que precisa! Não é necessário fazer estoque
  • Opte por alimentos que tenham um prazo de validade maior
  • Garanta que suas compras tenham um bom equilíbrio entre alimentos com menor e maior durabilidade. Os alimentos com menor durabilidade pode ser adquirido, contudo devem estar presentes em menor quantidade e deverão ser os primeiros a consumir
  • Preferir alimentos de elevado valor nutritivo ao invés de alimentos com elevada densidade calórica, ou seja, reduza o consumo de alimentos que fornecem muita energia, mas poucos nutrientes como os processados e ultra processados
  • Garanta a compra de vegetais com uma maior durabilidade em geladeira como cenoura, cebola, abobrinha, abóbora, brócolis, couve-flor, berinjela, pepino, batata, mandioca e mandioquinha salsa
  • Fruta com maior durabilidade em geladeira são: maçã, pera, laranja, tangerina, goiaba, manga, abacate, abacaxi. As frutas mais sensíveis como morango, uva, mamão, melão, pêssegos e ameixa tem validade até 5 dias em refrigeração
  • Quando disponíveis, os serviços de entrega em domicílio podem ser considerados como uma possibilidade desde que se tome os devidos cuidados de higiene

Ressignifique a atividade

Outra dica da nutricionista para quem não gosta de cozinhar é ressignificar a atividade e encará-la com outros olhos, seguindo alguns pontos:

Você conhece os seus gostos?

“Muitos sabem de cor e salteado os alimentos que não gostam de comer, mas muitos dessas pessoas apenas comeu aquela preparação uma única vez e por toda vida reforça o desgosto por aquele alimento ou preparação. Na maioria das vezes, foi um tempero ou a falta dele que as fizeram recusá-lo até hoje”, comenta Vanessa. “Conhecer o seu paladar é importante, mas o mais importante é estar aberto a explorar todas as combinações de ervas aromáticas, conhecer os ingredientes que só se adquire com o tempo. E tempo hoje temos de sobra”.

Dica: faça uma lista dos alimentos que você mais gosta e explore seu paladar. Cada um tem sua individualidade e ajustam-se a diferentes tipos de ingredientes e preparações.

Não cozinhe em excesso

Outra orientação da nutricionista é não cozinhar em grande quantidade e não congelar uma única preparação.  “Isso leva você enjoar do alimento e da preparação”.

Dica: invista um tempo no fim de semana para cozinhar duas a três receitas variadas para comer durante a semana. Depois, é só intercalar as preparações. “Levar uma marmita gostosa para o trabalho, e manter esse hábito, é a melhor forma de manter a paixão pela cozinha acessa”, recomenda.

Cozinhar é uma demonstração de afeto

Os encontros entre família e amigos são, por regra, em volta da mesa, de acordo com a profissional. “Comer é, a meu ver, a forma mais nobre de convivo e integração. Se a comida for deliciosa, melhor ainda”.

Dica: Para quem não gosta de cozinhar, uma das formas mais fáceis para aprender a gostar, é cozinhar para os seus entes queridos (os que estão com você em casa no momento). “Perder o medo, experimentar a receita, cozinhar com amor, começa a ter sentido. Cozinhar tem muito de cuidar, e se somos cuidadores por natureza, é possível que esta tarefa se torne um prazer”.

Não invente de começo!

“Ao decidir desbravar a cozinha, siga a receita!”, relembra Vanessa. Quem não percebe muito e não gosta de cozinhar, não tem um pensamento crítico enquanto está cozinhando, e não entende ainda as boas combinações de ingredientes. “Isso não é um problema. Ninguém nasce sabendo, o que importa é começar”.

Dica: Siga as receitas. Depois do prato pronto e testado você pode imprimir uma crítica e cogitar possíveis mudanças para fazer na receita, mas antes ou durante não. Inicialmente escolha receitas fáceis. “Descomplique, o básico bem feito já é uma vitória! Com o tempo, você será um “Home chef””.

“O gosto pela cozinha ganha-se com o tempo e com a experiência. Espero que com essas dicas você que está lendo e não gosta de cozinhar passe a ver com outros olhos e se aventure neste mundo de sabores e texturas”.

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