O que é SRAG e porque os casos dispararam neste ano

SRAG: Todo o caso de paciente que chega a um serviço de saúde com sintoma de doença respiratória é testado para 20 agentes causadores

Um número de pessoas bastante semelhante ao de vítimas da Covid-19 morreu, no Paraná, por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), uma sigla que também se tornou conhecida neste ano de pandemia causada pelo novo coronavírus e vem preocupando a população e a comunidade médica. De acordo com o Boletim Epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde, até a última semana de agosto, o estado registrou 3.161 óbitos por Covid-19 e 2.966 por SRAG. Desses, 13 mortes foram causadas pelo vírus da gripe, 67 por outros vírus respiratórios, 15 por outros agentes etiológicos (como bactérias que causam pneumonia), seis ainda estão em investigação e 2.865 por SRAG não especificada, quando o exame do paciente apresenta resultado negativo para todos os agentes causadores de doenças testados.

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O número de mortes por SRAG em 2020 é mais de cinco vezes o registrado no mesmo período do ano passado, quando o Paraná teve 548 mortes por síndrome respiratória. Infectologistas e autoridades em saúde explicam, no entanto, que foi a preocupação em se diagnosticar a contaminação pelo novo coronavírus que fez disparar os registros de SRAG no estado.

Síndrome respiratória

“Todos os pacientes internados nos hospitais com Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), nas redes pública e privada de Saúde, fazem exames para detectar quais são os vírus e bactérias [influenza A e B, vírus sincicial respiratório, adenovírus, hantavírus, pneumococos, leptospirose, etc.] que estão causando o agravamento do quadro“, assegura a secretária municipal de saúde, Márcia Huçulak. “Com a pandemia da Covid-19, este monitoramento continua a ser realizado, mas agora inclui também a verificação da nova doença. Desta forma, todos os pacientes internados com situações respiratórias graves são testados para Covid-19 em Curitiba”, acrescenta.

“É registrado como SRAG todo o caso de paciente que chega a um serviço de saúde com sintoma de doença respiratória, com febre, falta de ar, tosse e baixa oxigenação do sangue. Esse paciente é testado para 20 agentes causadores, como vírus e bactérias (influenza A e B, vírus sincicial respiratório, adenovírus, hantavírus, pneumococos, leptospirose entre outros). A partir deste ano, é testado também para coronavírus. Se o teste der negativo para todos os agentes, é registrado como SRAG não identificada”, explicou a epidemiologista da Prefeitura Municipal de Curitiba Marion Burger.

“O aumento dos casos de SRAG não identificada se deve à maior sensibilidade para notificação. Para que se possa testar o paciente para Covid-19 estão se notificando mais situações de síndrome respiratória. Além disso, até o ano passado, o critério febre era um dos que caracterizava SRAG. Agora, como nem todo caso de Covid-19 faz febre, esse critério foi excluído, aumentando o leque de quadros que podem ser considerados SRAG”, analisa o ex-presidente da Associação Paranaense de Infectologia Jaime Rocha.

Diagnóstico

“No contexto da pandemia, muitas insuficiências respiratórias que outrora eram encaradas como doenças não infecciosas, hoje, por uma dificuldade diagnóstica imediata e medo, acabam entrando como SRAG. Para ser do tipo ‘não especificada’ é só não ser encontrado vírus na via aérea e restar dúvidas no diagnóstico preciso do óbito”, comenta o diretor da Associação Paranaense de Infectologia Rafael Mialski. “Uma insuficiência cardíaca, que cursa com falta de ar, hoje é encarada com todas as dúvidas se não foi desencadeada por uma infecção viral das vias aéreas superiores. Antes, esse paciente entrava como um quadro cardiológico simplesmente”, exemplifica.

“Não há aumento de mortes por casos respiratórios graves, talvez até uma redução. A questão é a nomenclatura. Por conta da pandemia, está-se chamando de SRAG todo doente respiratório mais grave e sendo testado para o painel viral. Há alguns meses se chamava de pneumonia, DPOC, Asma grave, embolia, septicemia, agora tudo isso está sendo chamado de SRAG, por causa da necessidade de testar e excluir Covid-19”, acrescenta o pneumologista Marcelo Tuleski.

Os boletins semanais da Secretaria Municipal de Saúde de Curitiba mostram quantos casos de SRAG são testados por semana e quantos são confirmados para Covid-19. Em julho, a proporção chegou a ser de dois casos de infecção pelo coronavírus confirmados a cada três internamentos por SRAG. Em agosto, essa proporção caiu para 50% dos casos. “O vírus que está circulando, hoje, na cidade, é o SARS-Cov-2. Não temos casos de influenza (gripe) de bocavírus, não tivemos crianças internadas por vírus sincicial respiratório. Teve falta de ar, tosse, febre, internou por síndrome respiratória, 50% de chance de estar com Covid-19”, comentou Márcia Huçulak.

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