Paladar infantil: quando a aversão a certos alimentos é um distúrbio

Esqueça a ideia de “frescura” e saiba como vencer esse problema para ter uma alimentação mais saudável

Todo mundo tem aquele parente ou amigo que chama a atenção pelo modo como se alimenta. Bolacha no café da manhã, salgadinho à tarde e pratos com pouquíssima variedade, que costumam se resumir a arroz, feijão e algum tipo de carne. Salada? Nem pensar. Uma fruta para saciar a fome antes do jantar? Quem sabe outro dia. A resistência em comer certos tipos de alimentos não é apenas uma característica de alguém que deva ser tratado como “frescurento” ou “chato para comer”, mas sim um distúrbio alimentar conhecido como paladar infantil.

O nome já diz bastante sobre o problema: a pessoa deixou a infância, mas continua optando por alimentos como se fosse criança. No cardápio, massas, frituras, doces e fast-food são privilegiados em detrimento de frutas, verduras e legumes. A substituição não é uma simples opção por uma refeição mais prática, que ocorre apenas de vez em quando, mas sim uma alternativa constante para se livrar do gosto, do cheiro, da textura ou até mesmo da cor de certos alimentos.

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O paladar infantil pode ser consequência de fatores genéticos, da falta de contato com certos alimentos na infância, de traumas causados por consumo forçado e de uma série de outros fatores. O distúrbio é um problema porque limita ou até mesmo elimina o consumo de nutrientes que são importantes para o bom funcionamento do organismo. Ao longo do tempo, sem a presença de determinados grupos alimentares nas refeições, podem surgir doenças como anemia, colesterol alto, diabetes, obesidade e pressão alta.

Como superar o paladar infantil?

Mudar os hábitos alimentares, ainda mais quando há uma grande seletividade em jogo, não é uma tarefa fácil – mas também não é impossível. Com esforço e paciência, a pessoa com paladar infantil pode adquirir prazer em ter uma alimentação balanceada, que lhe garanta mais bem-estar e qualidade de vida.

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Para dar início a esse processo de mudança, a pessoa deve reexperimentar alimentos que até então não gostava, variando a forma de preparo ou misturando com o que lhe é agradável. Por exemplo, se a cenoura crua é insuportável, dá para prepará-la na panela, com pedaços de carne. Se a couve-flor cozida não desce de jeito nenhum, o purê pode ser uma alternativa. E se as frutas em pedaço têm uma textura ruim, os sucos são uma boa saída.

Outra estratégia é experimentar alimentos que nunca foram consumidos. No início, para facilitar o processo, vale privilegiar os com sabor mais suave e que tem mais chance de agradar. Por exemplo, se a pessoa não gosta de amargo, talvez seja melhor deixar a escarola de lado e experimentar berinjela e abobrinha, que tem um sabor mais neutro. Já se o azedo das frutas é um problema, vale apostar em opções mais doces, como manga e mamão.

Além da boa vontade para experimentar novos sabores, que pode ser potencializada pela participação da pessoa no processo de compra e preparo dos alimentos, vencer o paladar infantil, em certos casos, demanda também apoio psicológico. O acompanhamento ajuda a entender as verdadeiras origens do problema e a criar mecanismos para driblá-lo. A consulta com um nutricionista ou um nutrólogo também é recomendada, porque apesar das substituições serem uma ótima alternativa no começo do processo, elas podem se mostrar insuficientes para suprir todas as necessidades nutricionais do organismo ao longo do tempo.

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