Sensibilidade

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Marilene Madsen_3
Especialista em Cirurgia Oncolu00f3gica e Oncoginecologia, a mu00e9dica Marilene Madsen escreve desde adolescente e ju00e1 tem dois livros publicados

Mais do que diversu00e3o: mu00e9dica encontra na literatura o caminho para a expansu00e3o de si mesma

A mu00e9dica oncologistau00a0 Marilene Madsen nem se lembrau00a0de quando a literatura comeu00e7ou a fazer parte da vida dela. Quando questionada sobre isso, a resposta u00e9 simples: u201cPassei a minha vida lendou201d, afirma.
u201cParte de minha juventude vivi em um conservatu00f3rio. Escrevia cartas e pequenas histu00f3rias que se perderam no tempo. O mundo real era apartado, pois a mu00fasica e a leitura me levavam a outros lugares. Deixei isso tudo pela medicina, foi outro mergulho em diferentes u00e1guasu201d, conta.
O caminho de volta para a literatura aconteceu depois da passagem de Marilene por uma companhia de teatro-danu00e7a. Com o objetivo de praticar exercu00edcios, ela comeu00e7ou entu00e3o a danu00e7ar. Gostou e ficou. Trabalhava de dia e ensaiava u00e0 noite, trabalho que resultou na participau00e7u00e3o em cinco divertidos espetu00e1culos lu00fadicos. u201cFoi uma curtiu00e7u00e3o! Atu00e9 que o nosso mentor foi embora para a Espanha e o grupo se desfez. Passou a febre de artista e recomecei a escrever aos poucos, com o objetivo de publicar hu00e1 quatro anosu201d, confessa.
Os textos iniciais foram u201cbobagens, fantasiasu201d, diz Marilene. O primeiro escrito considerado pela mu00e9dica foi u201cA espada de Du00e2moclesu201d, publicado pela revista do Graciosa Country Club.
A vida corrida, dividida entre o consultu00f3rio mu00e9dico e as salas de cirurgia, nu00e3o impediu Marilene de continuar escrevendo. Ela ju00e1 tem dois livros publicados, o primeiro u00e9 chamado u201cTerceiro fator – O segredo Drullu201d, e foi elabora-do em coautoria com Celito Bonetti, artista piracicabano.

u201cLevamos dois anos de e-mails e muita diversu00e3o, criando um planeta, um povo, cidades, sociedades, mapas, romances e desastres. u00c9 um livro bastante complexou201d, assegura.
O segundo u00e9 um livro de contos, que tem o tu00edtulo de u201cContos Impossu00edveisu201d. Su00e3o histu00f3rias contadas por um olhar feminino e revistas pelo lado masculino. Segundo Marilene, o resultado ficou interessante e marca a diferenu00e7a entre homens e mulheres. u201cNesse momento de confusu00e3o de gu00eaneros, ilustra que hu00e1 pensares peculiares a cada umu201d, avalia.
Marilene garante que nu00e3o hu00e1 uma temu00e1tica fechada para seus textos. Para ela, o ser humano u00e9 rico, seus sentimentos borbulham, suas atitudes direcionam sua vida. u201cIsso u00e9 o que fau00e7o: conto suas angu00fastias, suas dores, suas alegrias, suas contradiu00e7u00f5esu201d, complementa.
Alu00e9m disso, a mu00e9dica se mostra bastante aberta sobre seu estilo de escrita. Segundo ela, mudar de opiniu00e3o e direu00e7u00e3o sempre deve ser possu00edvel e nu00e3o nos cabe ficar plantados em nossas u201ccertezasu201d.
Contadores de histu00f3rias, como o catalu00e3o Ildefonso Falcones e a italiana Elena Ferrante, estu00e3o entre os favo-ritos de Marilene, que hoje em dia tem sido bem seleta com suas leituras.
u201cUm amigo me disse uma vez: u2018Se comeu00e7o a ler deter-minado livro e nu00e3o gosto ou nu00e3o me interessou o assunto, deixo-o de lado. A vida u00e9 curta e hu00e1 muitos livros para serem lidos. Leio o que me du00e1 prazeru2019. Eu nunca fazia isso,u00a0teimosamente persistia atu00e9 a u00faltima pu00e1gina, mesmo sofrendo, u00e0s vezes. Depois disso, repensei. Sabe que ele tem razu00e3o?u201d, reflete.
Elena Ferrante, por exemplo, tem sido uma companhia constante para a mu00e9dica. A escritora nascida em Nu00e1poles u00e9 sucesso de pu00fablico e de cru00edtica, sendo sua obra composta por romances complexos e encantadores. Os quatro livros da autora formam uma u00fanica histu00f3ria sobre a amizade de duas mulheres: Elena Greco e Rafaella Cerullo. O trabalho da italiana u00e9 fonte de inspirau00e7u00e3o para Marilene.
u201cDesde que li os livros, parei para refletir. Ela diz que u2018quem escreve nu00e3o deve ter temores nem pudoresu2019. Pois u00e9. Eu tinha pudores…e temores tambu00e9m. Joguei-os todos para cima e escancarei meu corau00e7u00e3o. Meus personagens, ficcionais ou nu00e3o, buscam a verdade, nu00e3o importa qual seja ou onde esteja. Estou gostandou201d, afirma.
A literatura u00e9 um hobby com espau00e7o garantido na vida da mu00e9dica oncologista, assim como o yoga e a academia. Ela conta que com o passar dos anos, aprendeu que cada coisa tem um lugar e que existe um lugar para cada coisa. Alu00e9m disso, Marilene assegura que escrever nu00e3o precisa ser com hora marcada. u201cBastamos meu laptop e eu. Onde? Nu00e3o importa. Quando? Quando eu o abrou201d, diverte-se.
Sobre o futuro, a mu00e9dica du00e1 uma u00f3tima dica: u201cMeu novo livro deve sair ainda este ano. Planos? Viver. Rir. Aprender a vida…u201d.u00a0

Contos ___capa aberta
A obra reu00fane 20 histu00f3rias contadas pelo olhar feminino e revistas pelo u00e2ngulo masculino
terceiro-fator
No livro Terceiro Fator, a mu00e9dica mostra toda sua criatividade ao escrever sobre uma civilizau00e7u00e3o futurista, diferentes povos, segredos e amores

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