Como controlar o colesterol? Dicas essenciais para sua saúde

Controlar o colesterol vai muito além de restringir alimentos considerados “gordurosos”. Além da adoção de uma alimentação equilibrada, outras práticas desempenham um papel importante na prevenção de doenças cardiovasculares e na melhora da qualidade de vida.

E o cuidado é necessário porque a doença costuma evoluir de forma silenciosa. Segundo a Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP), cerca de 40% dos adultos brasileiros apresentam colesterol elevado, mas apenas um em cada quatro está em tratamento. Dados do Ministério da Saúde apontam que quase 20 milhões de brasileiros convivem com a condição, reforçando a importância do diagnóstico precoce e da adoção de estratégias para reduzir o risco cardiovascular.

Diferenças entre colesterol HDL, LDL e triglicerídeos

Antes de entender como controlar o colesterol, é importante conhecer as diferenças entre os principais marcadores avaliados no perfil lipídico. Embora sejam frequentemente citados em conjunto, HDL, LDL e triglicerídeos desempenham funções distintas no organismo e ajudam na avaliação dos riscos cardiovasculares na definição do tratamento mais adequado.

LDL, conhecido como “colesterol ruim”

É a fração responsável por transportar colesterol para os tecidos e pode se depositar nas paredes das artérias, favorecendo a formação de placas de gordura. Por isso, ele é considerado o principal alvo do tratamento para reduzir o risco de infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

HDL, chamado de “colesterol bom”

Atua no transporte reverso do colesterol, levando o excesso da circulação e das artérias de volta ao fígado, onde pode ser eliminado.

“Níveis baixos são marcadores de risco, mas hoje sabemos que elevar HDL artificialmente com medicação não reduz eventos — o foco permanece no LDL”, explica o cardiologista Nicki Mallmann.

Triglicerídeos

São outro tipo de gordura presente no sangue e estão mais relacionados à alimentação, ao consumo de álcool, à obesidade e à resistência à insulina. Quando apresentam níveis muito elevados (>500 mg/dL), aumentam o risco de pancreatite aguda e também contribuem para o aumento do risco de doenças cardiovasculares.

Para o especialista, a interpretação desses resultados deve ser feita de forma individualizada, considerando fatores como idade, histórico familiar, presença de doenças e risco cardiovascular global. “Hoje a meta de LDL é individualizada pelo risco cardiovascular do paciente, não existe mais um ‘valor normal’ fixo. Assim, quanto maior o risco, mais baixo o LDL precisa estar”, afirma Mallmann.

Como controlar o colesterol na prática?

A prevenção e o acompanhamento médico são fundamentais para o controle dos níveis de colesterol. Ainda assim, a combinação de alguns hábitos pode fazer a diferença para manter a saúde cardiovascular.

Priorize alimentos ricos em fibras

A alimentação é uma das principais aliadas no controle do colesterol e deve ser baseada, prioritariamente, em alimentos in natura e minimamente processados. Na prática, deve incluir o consumo de frutas, verduras, legumes, cereais integrais e sementes e fontes de gordura insaturadas.

Feijão, lentilha, grão-de-bico e aveia, por exemplo, são importantes fontes de fibras. Chia e linhaça também podem ser acrescentadas a frutas, iogurtes e outras preparações. Já o azeite de oliva, abacate, castanhas, nozes e peixes, como sardinha e salmão, fornecem gorduras insaturadas e devem substituir, sempre que possível, frituras, manteiga e carnes gordurosas.

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Reduza os ultraprocessados

Embutidos, biscoitos recheados, salgadinhos, refeições prontas, refrigerantes, doces e outros ultraprocessados devem ser reduzidos. Esses produtos costumam concentrar gorduras saturadas, açúcares e sódio, além de apresentarem poucas fibras.

“Uma regra prática é ter atenção aos produtos que permanecem por longos períodos na prateleira. Muitos apresentam baixa atividade de água e utilizam açúcar, gordura, sódio, aditivos, processos industriais ou embalagens específicas para aumentar sua durabilidade. Por isso, é importante verificar a lista de ingredientes e a tabela nutricional: quanto maior a lista e maior a presença de açúcar, gordura saturada, sódio e aditivos, menos frequente deve ser o consumo”, explica a nutricionista Ana Paula Silva.

Dieta mediterrânea pode ajudar

Baseada justamente em frutas, verduras, legumes, feijões, cereais integrais, azeite de oliva, castanhas, sementes e peixes, a dieta mediterrânea está entre os padrões alimentares com maior respaldo científico.

As fibras solúveis ajudam a reduzir a absorção intestinal do colesterol e favorecem sua eliminação. Com isso, o fígado utiliza mais colesterol circulante, contribuindo para a redução do LDL.

As gorduras insaturadas, por sua vez, melhoram o perfil lipídico quando substituem manteiga, banha, frituras e carnes gordurosas. Já o ômega-3, atua especialmente na redução dos triglicerídeos e na proteção cardiovascular. “O benefício não vem de um alimento isolado, mas da combinação dessas escolhas mantidas com regularidade”, destaca a nutricionista.

Pratique exercícios físicos e crie hábitos saudáveis

Além da escolha dos alimentos, a organização da rotina e dos hábitos também faz diferença. Planejar as refeições, elaborar uma lista de compras e manter opções saudáveis à disposição favorecem a adesão a uma alimentação equilibrada e reduzem a dependência de delivery, lanches rápidos e produtos ultraprocessados.

“A organização começa antes da refeição. Planejar as refeições, concentrar a alimentação em horários mais regulares e evitar refeições noturnas muito volumosas pode contribuir para o controle do peso, da glicemia e dos triglicerídeos, fatores diretamente relacionados ao risco cardiovascular”, destaca a especialista.

Da mesma forma, comer devagar, mastigar bem e realizar as refeições com atenção ajuda a reconhecer melhor os sinais de fome e saciedade. Na prática, isso pode reduzir excessos, melhorar o controle das porções e diminuir o consumo impulsivo de alimentos ricos em gorduras saturadas, açúcar e sódio. Por isso, é recomendável evitar comer diante da televisão, do celular ou enquanto se trabalha.

Outros cuidados também fazem diferença

Dormir bem, controlar o estresse, evitar o tabagismo e praticar atividades físicas regulares — ao menos 150 minutos por semana de exercícios aeróbicos moderados — também são hábitos trazem benefícios para o controle do colesterol e, consequentemente, para a saúde cardiovascular.

“Excluindo-se os fatores genéticos e algumas condições clínicas, quem mantém uma alimentação equilibrada ao longo da vida e pratica atividade física regularmente apresenta menor risco de desenvolver alterações no colesterol”, explica Ana.

E os benefícios são acumulativos. Hábitos saudáveis mantidos desde cedo funcionam como uma verdadeira “poupança de saúde”, ajudando a preservar as artérias e a reduzir, ao longo dos anos, o risco de formação de placas de gordura, infarto e acidente vascular cerebral (AVC).

“Em resumo, cuidar do colesterol também significa organizar a rotina, movimentar o corpo, dormir bem e desacelerar a mente. “Pequenas ações repetidas com constância tornam o cuidado mais fácil e duradouro e são mais do que mudanças restritivas realizadas por pouco tempo”, destaca a especialista.

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Novas diretrizes com valores mais rígidos

A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) atualizou suas diretrizes sobre aumento dos níveis de colesterol no sangue e prevenção da obstrução das artérias.

Para indivíduos classificados com baixo risco cardiovascular, o objetivo é manter o colesterol LDL em níveis inferiores a 115 mg/dL. Quando os valores ultrapassam essa referência, é recomendável investir continuamente em um estilo de vida mais saudável, incluindo alimentação balanceada e prática regular de atividades físicas. Caso o LDL supere 145 mg/dL, pode ser necessária a avaliação para início de tratamento com medicamentos.

Já para pessoas consideradas de risco cardiovascular extremamente alto, a recomendação é manter o LDL abaixo de 40 mg/dL. Essa classificação é definida com base no histórico, como pacientes que já apresentaram mais de um evento cardiovascular, como infarto ou AVC, ou aqueles que tiveram um desses eventos associado a pelo menos dois fatores de alto risco — entre eles diabetes, tabagismo e doença renal crônica.

Quais os sintomas do colesterol alto

Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, o colesterol alto, na maioria das vezes, não provoca sintomas. Por ser uma condição silenciosa, pode permanecer por um período de tempo sem ser percebida, tornando os exames de rotina fundamentais para o diagnóstico precoce e a prevenção de complicações.

“O colesterol elevado isoladamente não causa sintomas. A pessoa só vai ‘sentir’ algum sinal quando já houver uma complicação instalada: dor no peito (angina), falta de ar, dormência em membros por AVC ou claudicação nas pernas, por exemplo”, explica o cardiologista.

Em algumas situações mais raras, podem aparecer sinais físicos, como depósitos de gordura nas pálpebras (xantelasma), nos tendões (xantomas) ou um arco esbranquiçado ao redor da córnea.

Quando o colesterol elevado já afetou o coração e os vasos sanguíneos, outros sintomas podem surgir, indicando a presença de doenças cardiovasculares. Entre eles estão a angina (dor ou aperto no peito, especialmente durante esforços físicos), a dispneia progressiva (falta de ar que piora com o tempo), a claudicação intermitente (dor nas pernas ao caminhar, que melhora com o repouso) e manifestações relacionadas ao acidente vascular cerebral (AVC). Além dos sintomas, alterações podem ser identificadas em exames, como espessamento ou placas nas artérias carótidas e aumento da quantidade de cálcio nas artérias coronárias, indicadores de aterosclerose.

Por isso, a única forma segura de identificar o colesterol elevado é por meio do perfil lipídico, exame de sangue que avalia os níveis de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos. Assim, manter o acompanhamento médico e realizar avaliações periódicas é a melhor estratégia para detectar alterações precocemente e iniciar o tratamento quando necessário.

É possível controlar o colesterol alto sem medicamentos?

Nem sempre é possível controlar o colesterol apenas com mudanças no estilo de vida. Fatores genéticos, sedentarismo, excesso de peso, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão entre os principais fatores de risco. Além disso, doenças como diabetes, hipotireoidismo e doença renal também podem contribuir para alterações no perfil lipídico. Por isso, em pessoas com alto risco cardiovascular, os medicamentos podem ser necessários para reduzir o LDL e prevenir complicações.

“O colesterol volta a subir quase sempre que a medicação é suspensa, porque a produção hepática de colesterol e os hábitos de vida do paciente continuam os mesmos. Por isso o tratamento multidisciplinar é fundamental”, afirma Mallmann.

  • Cardiologista: realiza a estratificação do risco cardiovascular e definição das metas terapêuticas;
  • Nutricionista: elabora um plano alimentar individualizado e sustentável
  • Educador físico: prescreve um programa de exercícios adequado às necessidades do paciente;
  • Endocrinologistas e psicólogos: quando indicados, podem contribuir para o manejo de comorbidades, mudanças no estilo de vida e adesão ao tratamento.

Em alguns casos, mesmo com uma alimentação equilibrada e prática regular de atividade física algumas pessoas apresentam colesterol alto. Isso acontece porque cerca de 70% a 80% do colesterol é produzido pelo próprio organismo e fatores genéticos podem dificultar a eliminação dessa gordura da circulação. Nesses casos, o acompanhamento médico é essencial para identificar a causa e definir o tratamento mais adequado.

Prevenção é o melhor caminho

Em um cenário em que o colesterol alto evolui sem apresentar sintomas, conhecer os fatores de risco e manter o acompanhamento médico são medidas essenciais para prevenir complicações. Por isso, acreditar que um exame alterado ou normal, isoladamente, conta toda a história, pode ser um grande erro.

A avaliação deve considerar o risco cardiovascular de cada pessoa e ser acompanhada por exames periódicos, cuja frequência varia conforme o histórico clínico e os fatores de risco. Mais do que buscar soluções rápidas, o controle do colesterol exige acompanhamento contínuo e decisões individualizadas para garantir a proteção da saúde cardiovascular.

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