O protagonismo feminino em diferentes áreas foi destacado na 32ª edição do Suespar, com a Conferência Especial: Mulheres que Movem a Sociedade, sob coordenação da médica Wemilda Marta Fregonese Feltrin, presidente da Unimed de Francisco Beltrão e coordenadora do Comitê de Médicas do Sistema Unimed Paraná. A Conferência aconteceu, na quinta-feira à tarde (20), antes da abertura oficial. O momento trouxe apresentações de Renata Meiga, médica de Família e Comunidade e CEO da Colo Saúde, e de Tânia Zanella, presidente Executiva da OCB, eleita pela Forbes uma das 15 mulheres mais poderosas do Brasil.
O reconhecimento às mulheres que, muitas vezes, abriram caminhos quando eles ainda não existiam, foi destacado pelo presidente da Unimed Paraná, Alexandre Gustavo Bley, na abertura da Conferência. “Mulheres que lideram, que empreendem, que pesquisam, que cuidam, que educam, que criam, que inovam e que, todos os dias, transformam realidades. Essa transformação acontece nas empresas, nas universidades, nas comunidades, na política, na ciência, na saúde, na cultura, nas famílias e em tantos espaços nos quais as mulheres exercem suas vozes e fazem escolhas que impactam outras vidas. A Unimed que precisamos tem que trazer esse olhar feminino nas suas instâncias decisórias.”
Foi sob essa visão que o Comitê de Médicas foi criado no Sistema Unimed Paraná. “O grupo tem o propósito de promover a participação ativa, a representatividade e o empoderamento das mulheres em cargos de gestão, liderança e tomada de decisão dentro das cooperativas médicas do estado. De modo que nós, médicas, possamos reconhecer os espaços que já conquistamos e os que ainda podemos conquistar nesse organismo vivo que é o cooperativismo médico, fortalecendo os papéis que já exercemos em muitos campos da sociedade”, reforçou Wemilda.
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“O problema não é ter uma doença, mas, sim, ter sintomas que te lembram todos os dias de que você está doente”
Renata Meiga
Quando a cura não é o limite do cuidado
Permitir que o paciente continue escrevendo a própria história, vivendo uma vida que faça sentido, ao lado das pessoas que ele escolheu: esse é o objetivo dos Cuidados Paliativos que, mesmo em uma era de informação, ainda carrega estigmas e preconceitos. Foi dentro desse panorama que a médica Renata Meiga, CEO da Colo Saúde, trouxe o tema à

32ª edição do Suespar, relembrando que, quando há uma doença grave, apenas o último ano de vida do paciente traz consigo um custo que equivale entre 25 e 30% do custo da vida inteira. “Os Cuidados Paliativos focam, também, na melhor utilização dos recursos do sistema de saúde, enquanto buscam melhorar a qualidade de vida, reduzir sintomas desagradáveis e fazer um planejamento prévio mais efetivo desses cuidados necessários.”
Ainda que estigmatizada como um “caminho para a morte”, ou o sinal de que não há mais o que fazer, a ortotanásia nada mais é, segundo Renata, do que o reconhecimento do processo da vida, evitando tentativas desproporcionais para a situação. “O quão triste é para a família, por exemplo, um ente querido realizar uma quimioterapia no último dia de vida, mesmo sabendo que não há mais eficácia? Afinal, o problema não é ter uma doença, mas, sim, ter sintomas que lembram todos os dias que você está doente.”
Na sequência, a presidente Executiva da OCB, Tânia Zanella, destacou o papel do cooperativismo no desenvolvimento do país. “Onde há cooperativa, há prosperidade. Nessas regiões o acesso aos programas sociais é menor, pois o cooperativismo gera dignidade e prosperidade à população”, comentou. Contudo, o futuro precisa de renovação, pois mais de 56% dos atuais líderes têm mais de 50 anos. Em pesquisa realizada em 2023, 65% dos dirigentes de cooperativas apontaram que “a disseminação da cultura cooperativista deve ser prioridade máxima para o futuro do cooperativismo”, mas pouco se é falado sobre a sucessão, um processo estratégico para preservar valores, transferir conhecimento, fortalecer governança e gerar continuidade.
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Iniciado concomitantemente com os cuidados curativos ou modificadores da doença, a prática visa principalmente ao alívio desses sintomas. Como pontuou a médica, o foco da saúde passou a ser descentralização do hospital, pois o ambiente hospitalar não é um local para viver, para passar cinco, dez meses internado… mas, sim, um lugar para se reabilitar. “Em cinco meses de internação desnecessária, você corta a vida da pessoa. Ela não vive mais a sua própria jornada: o neto não está lá, o cachorro não está lá, ela não come a comida que gosta, não dorme na própria cama. Precisamos permitir que as pessoas vivam as próprias vidas”, destacou, reforçando que essa visão está ligada a um processo cultural, principalmente.
Na prática, é necessário mudar a cultura centrada no hospital, entendendo o que cada paciente precisa, evitando intervenções que, muitas vezes, podem trazer mais prejuízos do que benefícios. “O custo-efetividade está ligado à comunicação adequada e no tempo certo, analisando as curvas da doença e os indicadores de piora prognóstica, reconhecendo os sinais de processo ativo de morte.”
“Onde há cooperativa, há prosperidade”
Tânia Zanella
A presidente também enalteceu a importância da resiliência e coragem nas decisões e nos cargos que as mulheres ocupam, seja dentro ou fora do cooperativismo. No mundo, apenas 31% das mulheres ocupam cargos de liderança, enquanto no sistema cooperativista apenas 22,2% ocupam cargos de presidência ou Conselho. “As pesquisas mostram que empresas com mulheres na liderança são 39% mais lucrativas e geram 19% mais inovação. E quando falamos de mais diversidade de gênero, cultura e étnica, as empresas se toram 43% mais propensas a terem maiores lucros”, defendeu. Conforme Tânia, é preciso, acima de tudo, ter coragem para liderar e, muitas vezes, para ser a única mulher entre tantos homens que têm o poder de decisão. “São escolhas que decidem o futuro.”
ENTENDA:
Eutanásia: É o ato de abreviar a vida de um paciente com doença grave e incurável para acabar com o sofrimento dele.
Mistanásia: É a morte precoce, evitável e miserável causada por negligência, falta de acesso à saúde ou condições sociais precárias, como pacientes que morrem em filas de atendimento.
Ortotanásia: É a morte no seu tempo certo, de forma natural e sem intervenções artificiais desproporcionais.
Distanásia: É o prolongamento artifi cial e doloroso do processo de morte. Ocorre quando se mantém o paciente ligado a aparelhos e tratamentos exaustivos, mesmo sem esperança de melhora, causando sofrimento prolongado (conhecido como obstinação terapêutica).
Importante: No Brasil, a eutanásia é proibida por lei e considerada crime pelo Código Penal Brasileiro.
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