Demência: onde deixei minhas chaves mesmo?

Perda gradual e progressiva da memória é um dos sintomas da demência, condição que provoca problemas cognitivos em mais de 50 milhões de pessoas no mundo todo

Não recordar alguns fatos, esquecer o horário de tomar o medicamento ou não se lembrar de onde guardou um objeto são sinais da idade, certo? A falha da memória pode ser comum em pessoas idosas por causa do processo natural de envelhecimento, porém, ela também pode representar sintomas de doenças degenerativas.

Luiz Antonio Sá, médico especialista em clínica médica, geriatria e gerontologia, explica que déficits cognitivos e alteração da personalidade podem ser indícios de demência, uma doença neuropsiquiátrica degenerativa e progressiva que danifica o tecido cerebral. Esse tipo de enfermidade compromete o comportamento, a funcionalidade e a cognição, que engloba memória; atenção; julgamento; concentração; abstração; imaginação; capacidade executiva e planejamento.

“O quadro é crônico, progressivo e sua evolução interfere sensivelmente nas atividades pessoais, sociais e de trabalho, tornando o paciente totalmente dependente de cuidados nas 24 horas do dia, trazendo grande preocupação para familiares e cuidadores”, relata.

Tipos de demência

A demência apresenta mais de 80 variedades, visto que a mais comum é a demência da Doença de Alzheimer, que representa aproximadamente 60% do total de casos. Só no Brasil, dados do Ministério da Saúde apontam que 11,5% da população com 65 anos ou mais sofrem desse mal.

Demência

Em seguida, está a Demência Vascular e, em terceiro lugar, apresenta-se a demência mista, que é uma combinação das duas anteriores.

“O médico tem de avaliar se não há casos provocados por doenças, como hipotireoidismo, insuficiência hepática, carência de vitamina B12 ou depressão, pois, nesses casos, a demência pode ser potencialmente reversível”, ressalta o especialista.

A descoberta da demência no estágio inicial é fundamental para o seu controle, assim como para garantir uma melhor qualidade de vida para o paciente. Luiz Antonio Sá conta que a patologia geralmente tem início com o comprometimento da memória ou com alteração de alguns comportamentos. Por isso, é importante estar atento.

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De acordo com o médico, outras funções orgânicas vão se alterando, principalmente o aparelho locomotor (marcha e postura) e o próprio estado nutricional. Entre os sintomas iniciais estão perda da memória recente; dificuldade de realizar atividades rotineiras; desorientação espacial, mudanças de humor e problemas de linguagem. Mas ele ressalta que não há padrão definido e que os casos podem evoluir de formas diferentes.

Tratamento

Segundo Sá, sabe-se, atualmente, que a doença se inicia de 15 a 25 anos antes das primeiras manifestações, dado que confirma a relevância de um diagnóstico préclínico bem realizado para que seja possível postergá-la ou mesmo preveni-la.

O médico Luiz Antonio Sá, especialista em Geriatria, ressalta a importância dos familiares no cuidado do paciente com demência

Ele ressalta que, em mais de 30% dos casos, o problema pode ser atribuído a fatores de riscos modificáveis, como hipertensão arterial sistêmica; dislipidemias; diabetes; sedentarismo; obesidade; síndrome metabólica; isolamento social; depressão; baixa escolaridade ou traumatismo craniano.

“Vários deles são os mesmos fatores de risco para doenças cerebrovasculares e para doença arterial coronariana. Alguns podem causar danos vasculares (aterosclerose) e deposição de beta-amilóide, ambos determinam lesões cerebrais”, ressalta.

Segundo o médico, o diagnóstico é essencialmente clínico, examinando o paciente e por informações de familiares. Existem, ainda, alguns exames de sangue e de imagem que podem ser realizados, sendo introduzidos recentemente nessa lista os biomarcadores do líquor e testes genéticos.

O tratamento é feito principalmente por medidas não farmacológicas, que implica a assistência de uma equipe multidisciplinar com enfermeiro, terapeuta ocupacional, fisioterapia, musicoterapia, psicólogos, entre outros. Alguns poucos medicamentos considerados sintomáticos também podem ser utilizados, mas eles não apresentam validade por muitos anos, segundo o médico.

Apesar de não ter cura, a demência pode ser estabilizada por algum tempo. Quanto antes o profissional médico for consultado, mais chances de controlar os sintomas. As especialidades mais indicadas são Geriatria, Neurologia e Psiquiatria.

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Luiz Antonio Sá pondera que a convivência com pacientes que sofrem de demência não é fácil, sendo considerada uma doença familiar, pois todos os membros da família são envolvidos por ela. Sendo assim, além de contar com uma boa equipe de cuidadores, é necessário o apoio das pessoas próximas.

“Entender que aquele ente querido já não responde mais aos estímulos dados e, nas fases finais, não os reconhece mais, provoca desgaste emocional e físico muito grande, para todos. O tratamento envolve muito carinho, atenção, paciência, abnegação, resiliência e amor pelo paciente. Tudo isso, com certeza, é a melhor forma de tratamento”, enfatiza.

Formas mais comuns de demência ou síndrome demencial

• Doença de Alzheimer

• Demência Vascular

• Doença de Parkinson

• Demência de Corpos de Lewy

• Demência Frontotemporal

• Doença de Huntington

• Demência provocada pelo álcool (Síndrome de Korsakoff)

• Doença de Creutzfeldt-Jacob

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