Paraná pode terminar o ano com menos de 200 casos diários de Covid-19

Previsão de diminuição de casos de Covid-19 no Paraná é feita com base no cálculo do índice de retransmissão (Rt) do Covid Analytics

Ainda registrando alguma oscilação, o Paraná vem mantendo uma tendência de queda na curva do coronavírus desde agosto. Em 23 de outubro o estado completará 60 dias com a taxa de retransmissão do vírus abaixo de um, o que indica, no longo prazo, diminuição constante no número de novos casos e de mortes diárias por Covid-19. Se não enfrentar uma segunda onda da doença, como acontece, hoje, em estados como Amazonas, Ceará e Rio Grande do Norte, o estado, que atualmente soma mais de mil novos casos por dia, pode encerrar o ano com menos de 200 novos casos diários.

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A previsão é feita com base no cálculo do índice de retransmissão (Rt) do Covid Analytics, projeto da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro. Segundo o monitor da PUC-RJ, a taxa de reprodução do vírus está em 0,87 no Paraná, o que indica, como explica o infectologista Bernardo Montesanti Machado de Almeida, do serviço de Epidemiologia do Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná, que, a cada cinco dias, a média móvel de novos casos estado tende a diminuir 13%.

Diminuição de casos de Covid-19

Assim, aplicando uma redução progressiva de 13% para cada cinco dias a partir do número da média móvel de 1.018 casos, computada em 20 de outubro, o estado poderia chegar a 166 novos casos no dia 30 de dezembro. O número é semelhante à média móvel que o Paraná tinha em 28 de maio, quando o estado perdia, por dia, em média, quatro cidadãos para a doença (hoje, a média móvel de mortes está em 27,6). O pico de casos diários no Paraná foi  5 de agosto, com média móvel de 2.032. Já o maior índice de retransmissão, 1,68, foi atingido em 21 de maio, período em que a doença se disseminou mais rapidamente no estado.

A projeção para um final de ano com a pandemia praticamente sob controle no estado, no entanto, não é garantida pelo especialista, pois estará diretamente relacionada ao comportamento da sociedade e do poder público. “A manutenção da queda depende diretamente da manutenção do Rt abaixo de 1,0. Temos exemplos de países e, até, estados do Brasil que, depois de um ciclo de queda, voltaram a uma tendência de alta. Temos que evitar que isso aconteça, a guerra não está superada. Chegamos a uma etapa desejável, que é o ciclo descendente da doença, agora, o próximo desafio, é se manter neste patamar”, analisa.  “As forças que influenciam a taxa de transmissibilidade são várias. Uma delas não é algo que não é para ficarmos feliz, que é a proporção de pessoas imunes porque já tiveram contato com a doença. Isso torna mais difícil o vírus se disseminar. As outras forças são o distanciamento social, o uso de máscara, a lavagem de mãos e a adaptação dos ambientes”, explica o médico, destacando a importância de se manter esse comportamento preventivo. “Estamos longe de pensar em voltar ao velho normal, temos que nos manter nesta nova realidade. A sociedade conseguiu se adaptar, de uma certa forma, e temos que manter essa adaptação por enquanto. Só podemos voltar a pensar em normalidade completa quando conseguirmos imunizar a maior parte da população com a vacina”, conclui.

O que é o Rt e como calculá-lo

Conhecer a taxa de propagação de um vírus em meio a uma população ao longo do tempo é essencial para lidar com epidemias. Isso é possível por meio do acompanhamento de um indicador, conhecido como número efetivo de reprodução da infecção (Re ou Rt). O Rt é o número médio de indivíduos contagiados por cada infectado nas condições existentes em um momento determinado. Assim, um Rt de 1, significa que cada caso ativo contaminará um novo paciente, mantendo constante o número de novos casos. Rt superior a 1 indica crescimento da curva, enquanto inferior, diminuição dos novos casos.

Existem várias formas de calcular o Re e quanto melhor for a qualidade da base de dados, mais preciso será o resultado. O primeiro passo é estabelecer o número básico de reprodução da infecção, conhecido como R0 (erre zero), que mede a infectividade de um patógeno em um ambiente no qual ninguém adquiriu imunidade a ele. O R0 do vírus Sars-CoV-2, causador da Covid-19, está entre 2,5 e 3 – o que significa que um infectado contamina, em média, duas ou três pessoas. O R0 é calculado com base em três informações: o número de contatos que uma pessoa infectada faz com indivíduos suscetíveis, o risco de transmissão em cada contato realizado e o tempo médio em que o infectado transmite a doença. Na Covid-19, a transmissão começa cerca de dois dias antes de o doente apresentar sintomas e se prorroga por mais sete. 

Como o Brasil não adotou a política de testagem em massa, a partir dessas informações sobre o potencial de retransmissão do vírus e a análise da evolução das curvas de casos e óbitos, em cada localidade, os epidemiologistas conseguem estipular a taxa de transmissão, identificando os casos ativos, os pacientes recuperados, o potencial da população que ainda pode ser contaminada e a evolução dos gráficos. 

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