
O conceito de valor em saúde não é mais uma discussão restrita a especialistas ou a grandes centros de inovação em gestão hospitalar. Ele está cada vez mais presente no cotidiano de quem vive a assistência na prática: médicos, pacientes e gestores. Em sua essência, o Value-Based Healthcare (VBHC) parte de uma pergunta simples: o cuidado em saúde está gerando os melhores resultados possíveis para o paciente, com segurança, qualidade e uso adequado de recursos? E a valorização da remuneração médica?
Atualmente, o modelo predominante na saúde suplementar ainda é o fee for service, em que a remuneração do médico está diretamente ligada ao volume de procedimentos realizados. Como contraponto, cresce a adoção de modelos de remuneração baseados em valor, que passam a considerar não apenas a quantidade, mas principalmente a qualidade do cuidado e os desfechos alcançados. Conforme Willian Stocco, superintendente de Serviços às Singulares da Unimed Paraná, essa preocupação também permeia as discussões dentro do Sistema Unimed paranaense, com foco principal no equilíbrio entre qualidade assistencial, remuneração justa e sustentabilidade do Sistema.
Nesse contexto, buscando assegurar a base para a valorização da remuneração médica e a partir dela evoluir para novos modelos de remuneração, a Federação e Singulares debateram e estruturaram um conjunto de ações para contribuir com o fortalecimento da remuneração médica dos cooperados no estado. Essas ações estão fundamentadas em um ponto central: a incorporação da remuneração do cooperado no planejamento orçamentário das cooperativas. Assim, a discussão sobre remuneração deixa de ser pontual e passa a integrar o planejamento estratégico.
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Metas e horizontes para os próximos anos
A nova política não define reajustes automáticos, mas propõe uma mudança estrutural na forma como a remuneração é discutida e planejada. E cada Singular mantém autonomia para suas decisões. “A implementação das ações implica em avaliação por parte de cada uma das Singulares. A decisão sobre a remuneração dos seus cooperados pertence à cooperativa. E ela está atrelada às condições econômico-financeira da cooperativa”, explica Stocco.
O papel do cooperado
O desafio, no entanto, é complexo. A incorporação de novas tecnologias, a judicialização da saúde e o desperdício de recursos assistenciais estão entre os principais fatores que pressionam o sistema de saúde e tornam a discussão ainda mais urgente.
Nesse cenário, o engajamento dos cooperados torna-se peça-chave. “O cooperado pode contribuir significativamente para esse resultado aliando as melhores práticas da sua área de atuação com a racionalização de recursos despendidos com exames, terapias e outros insumos”, destaca Stocco.
Esse equilíbrio pode ser buscado tendo como norte a saúde baseada em valor. Adotando as melhores práticas assistenciais, com foco em resultados para o paciente, sua experiência e efi ciência de custos
Willian Stocco
Além disso, o cooperado também assume papel ativo na construção de soluções, de várias maneiras, conforme exemplifica o superintendente de Serviços às Singulares: “participando do dia a dia da cooperativa, acompanhando resultados, contribuindo nas discussões, atuando em linha com protocolos de boas práticas assistenciais e proporcionando acolhimento aos clientes”, reforça.
Projeto-piloto já aponta resultados
A transição para modelos baseados em valor já começou a sair do campo conceitual e ganhar forma prática no Paraná. Um dos exemplos é o projeto-piloto de remuneração baseada em valor na linha de cuidado do parto, desenvolvido no Hospital da APMI, em União da Vitória. A iniciativa, que teve início em 2021, envolve cooperados de diferentes especialidades e estabelece indicadores clínicos como base para avaliação de desempenho, incluindo taxas de cesáreas, mortalidade materna e neonatal, tempo de internação e necessidade de UTI. Com os primeiros resultados positivos, o projeto evoluiu para incluir bonificação hospitalar, algo inédito no Sistema estadual, reforçando a lógica de corresponsabilidade entre médicos e instituições.
Valorização da remuneração médica
Em suma, a política de remuneração baseada em valor não se limita a um ajuste de modelo econômico. Ela propõe uma mudança cultural no relacionamento entre cooperativa, médico e paciente. Ao integrar planejamento, governança e prática assistencial, a nova política busca consolidar um modelo em que remuneração e qualidade caminhem juntas, não como forças opostas, mas como partes de um mesmo sistema.
Quer saber quais são os principais tópicos que estão sendo discutidos sobre esse tema, tanto no segmento de gestão quanto no segmento de apoio? Acesse o documento “Políticas para a Valorização da Remuneração Médica”, produzido em agosto de 2025, que reúne recomendações construídas de modo colaborativo e estratégico com participação de todas as Singulares do estado e a Federação.
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