Além de médico, artista! Profissionais da saúde também fazem arte no dia a dia

Além de médico, artista! Profissionais da saúde também fazem arte no dia a dia

Integrantes da classe médica conciliam rotina de consultórios e hospitais com movimentos artísticos para alcançar inspiração e criatividade

FONTE DE AUTOCONHECIMENTO satisfação pessoal, me-lhoria na qualidade de vida ou uma válvula de escape para a rotina exaustiva. Seja qual for o motivo, muitas pessoas têm recorrido às artes no dia a dia, e na classe médica não é diferente! Nesse processo de incorporar movimentos artísticos, muitos acabam desenvolvendo dons, outros encontraram hobbies para dividir com os amigos. Mas não importa a situação, tem muita gente que já não consegue mais viver sem arte.
RITMO
É o caso do médico Marlus Volney de Morais, gastroenterologista e gestor de Saúde na Unimed Paraná, que tem uma banda chamada Arrythimia e que é formada por 12 integrantes. “De fato, temos uma banda, que mais parece uma orquestra, não pela qualidade, mas pela quantidade de pessoas”, brinca.
O grupo musical é formado por seis casais e entre os homens, cinco são médicos formados pelo curso de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), em 1978. A exceção é um engenheiro elétrico, marido de uma colega médica da mesma turma da UFPR.
A banda começou em 2003 com Morais, a esposa dele, Noili, e Sérgio Cleto, o contrabaixo do grupo. “Ela foi assim batizada em homenagem ao Sérgio, que vive procurando o ritmo, tanto no coração como na música”, revela Morais em tom bem-humorado.
A primeira apresentação foi em 2003, quando o grupo superou a timidez e se apresentou para os colegas de turma de Medicina na comemoração de 25 anos de formados. Ele conta que, a partir daí, outros colegas, que também tocavam instrumentos musicais ou cantavam, resolveram compartilhar suas habilidades com eles e com os colegas da turma MED FED 78. No repertório, estão hits da MPB e algumas músicas da juventude dos integrantes do grupo e da juventude atual.

A brincadeira rendeu e, de lá para cá, a banda já se apresentou para outros públicos, como festas de aniversário de colegas, bodas nupciais, na própria UFPR e em empresas. Os músicos de final de semana conseguiram até gravar um CD de forma amadora e que se esgotou rapidamente.
“Como diz o médico Antonio Carlos Amarante, que faz par-te da banda: o CD pode ser usado para afastar visitas chatas e também insetos, aranhas e outros indesejáveis. Não sendo nossa principal atividade, é uma alegria poder cantar e nos relacionarmos”, conta Morais aos risos.

FORMA 

Para o médico ultrassonografista Celso Setogutte, é a cerâmica que traz a satisfação pessoal. Aos 54 anos, mais de 30 deles dedicados à medicina, o mé-dico tem uma paixão conhecida e reconhecida por colegas de profissão e outros artistas do país. Ele já participou de diversas exposições, inclusive mostras internacionais, como Year Round Salon, no Ward-Nasse Art Gallery, em Nova Iorque, em 2014. No Brasil, suas obras já foram apreciadas, por exemplo, no Mu-seu Oscar Niemeyer, no Espaço Cultural do Conselho Regional de Medicina do Paraná e no Salão Paranaense de Cerâmica, em Curitiba. As artes plásticas fazem parte da vida do médico desde pequeno.
“Desde a infância, gostava de desenhar e pintar, meus familiares e amigos sempre me incentivaram. Meu pai também é médico e a minha mãe pianista”, conta Setogutte.
A jornada nas artes plásticas começou de maneira despretensiosa. Na pintura, Setogutte foi autodidata, frequentou alguns cursos de artes e, mais tarde, associou-se à ceramista paranaense Alice Yamamura. A cerâmica predominou em sua carreira artística e, há 20 anos, o médico se dedica aos trabalhos tridimensionais.
“Acho que permite uma forma diferente de expressão se comparado ao desenho ou à pintura que era o que eu fazia. Pensei, inicialmente, em trabalhar com o metal, no entanto como a ‘base’ mais comum e de mais fácil acesso do trabalho escultórico é a cerâmica, comecei com ela e fiquei. Porém, ainda realizo pinturas e desenhos também”, revela.
O médico ceramista tem um ateliê na região metro-politana de Curitiba, que conta com fornos a gás, elétrico e à lenha. Ele explica que é um espaço amplo, satisfató-rio para trabalhar. Quanto às obras, elas são centenas ao longo dos anos, e estão em museus, na casa de amigos e de compradores.
“Penso que o fazer artístico é uma das atividades fundamentais que fazemos e que nos tornam humanos. Independentemente de ser ou não um ‘artista,’ todos fazemos arte, nos termos em que eu a entendo. Sendo assim, vejo a arte como um fazer ‘em si mesmo’ muito abrangente que, eventualmente, pode ter um viés mais relaxante ou estressante”, explica.

PALAVRAS
No caso da médica pediatra Jacemar Cristina R. da Costa, de Curitiba, foram as palavras que conquistaram o seu coração. Interessada em literatura, música e turismo, Jacemar guarda prêmios, como o 3º lugar no Concurso Literário Médicos do Paraná e um Diploma da Academia dos Poetas Acreanos.
“Os meus poemas favoritos são aqueles que expressam a natureza e os sentimentos inspirados por ela”, confessa a médica.
Ela revela que, aos sete anos, logo que aprendeu a escrever e ler jornais, já era incentivada a escrever versos livres sobre temas da Amazônia, sua terra natal, durante as aulas de redação. Os conhecimentos para elaborar seus poemas vieram de clássicos da literatura, como Machado de Assis, José de Alencar, Érico Veríssimo e Ernest Hemingway.
Jacemar conta que a inspiração para a produção dos poemas surge após ouvir música clássica, palestras edificantes ou ao ver atitudes sublimes e acontecimentos em prol do bem comum, por exemplo. Ao longo do tempo dedicado à poesia, Jacemar já produziu 16 livros da auto-ria dela e participou de mais dois como coautora.
“Os sentimentos e pensamentos expressos na forma de poemas representam uma maneira de comunicação da mais pura e singela que me faz mais consciente desta manifestação do que há de mais belo, humano e sincero em cada ser”, declara Jacemar. 

 

Cristiane aborda no livro, as angústias e desafios da mulher

Médica de Ponta Grossa escreve romance sobre universo feminino

Ginecologista e obstetra há mais de 20 anos, Cristiane Schneckenberg descobriu uma outra paixão além da Medicina: a literatura. O gosto por ler e escrever resultou em um romance baseado nas histórias vividas, pessoal e profissionalmente por ela, que foi lançado em 2018 com o título “Um espelho para Vênus”.
“Escrever sempre foi um prazer e ao ser premiada em um concurso nacional de contos, resolvi me dedicar a escrita do livro. Eu já sabia que a história seria sobre as questões do feminino, sobre o universo onde vivo e convivo como mulher, ginecologista e mãe de duas meninas – que, na verdade, nem são mais meninas, uma com 22 e outra com 18 anos”, conta.
A obra conta a história de Sara Mayer, uma jovem médica sexóloga que busca ajudar suas pacientes frente a diversos questionamentos sexuais. Em paralelo, Sara vive um romance com seu colega Miguel e, entre idas e vindas, essa relação traz à tona situações sobre relacionamento amoroso. “A ideia foi criar um texto envolvente e informativo. As dúvidas e os dilemas vividos pelas pacientes e o enfrentamento que se aplica às situações fazem com que muitas leitoras se identifiquem, reconheçam e se inspirem”, explica.
A publicação ainda conta com a participação do autor paranaense Miguel Sanches Neto, que foi responsável pela orelha do livro, e de Gerson Lopes, professor, sexólogo e vice-presidente da Comissão de Sexualidade da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), que redigiu o prefácio.
“Acredito na literatura como importante forma de comunicação. Escrever foi um imenso desafio, muita paixão e um sonho realizado. Acredito que minha história possa ser válida no sentido de motivar outros colegas a se aventurarem pela escrita. A literatura permite imortalizar ideias, compartilhar pensamentos e conectar-se a mentes e almas”, ressalta Cristiane. Contatos e informações: whatsApp (42) 9997-23145 e insta @dracriatianes e @umespelhoparavenus.

HABILIDADE  DE CURA

JACEMAR CRISTINA ROCHA DA COSTA

Habilidade de cura a nos guiar.

Além de toda e qualquer incerteza.

Beleza pura que nos faz amar. Indo ao encontro da delicadeza.

Linda paixão que nos impulsiona.

Indo face a face na nossa postura.

Dádiva sublime que nos emociona.

Amando cada gesto na formosura.

Da vida que ressurge do Infinito.

E encanta o ser humano bendito.

Do amor que flui tão docemente.

E embala a criatura dormente.

Céu de nuvens sempre coloridas.

Uma paz de flores bem-vindas.

Refletindo as estrelas cadentes.

Além da arte e fé comoventes.
CURITIBA 18/11/18

Peça de cerâmica e nó de pinho
Setogutte: Peça de cerâmica elaborada com ouro
Peça exposta no MON para a intervenção “cadeiras”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *