A alimentação na vida de um diabético: existe fórmula mágica?

Quando o assunto é diabete – doença crônica que atinge mais de 13 milhões de brasileiros -, é comum se deparar com a seguinte dúvida: qual o papel da alimentação na vida de um diabético? Cercada por mitos, a reeducação alimentar é um dos pilares no controle da doença e, em algumas etapas, pode até mesmo contribuir para a reversão do quadro. Porém, cada dieta é única e visa atender as necessidades de cada paciente – cada um com sua individualidade.

É importante frisar que o diabete, divido entre três tipos diferentes, além do quadro chamado de “pré-diabete”, surge da falha do corpo em produzir insulina ou, então, em não conseguir empregar de forma adequada a insulina que produz. A doença pode ser causada por influência genética ou um estilo de vida inadequado, além de outras causas ainda desconhecidas pela área médica.      

A alimentação, por sua vez, possui papel fundamental no tratamento de qualquer uma das variações da doença, já que é capaz de auxiliar no controle da glicemia e, dessa forma, proporcionar uma qualidade de vida melhor ao diabético. “É comum na pratica clinica observarmos que as pessoas que têm diabete e não fazem controle alimentar dependem de uma quantidade maior de medicações ao longo do dia. Ainda assim, esses pacientes podem manter os níveis de açúcar no sangue alterados e com diversos sintomas associados, como sede e cansaço excessivos, além da sensação de fome”, pontua a nutricionista Mariana Paganotto.

Por outro lado, de acordo com a profissional, os pacientes que associam a medicação a uma alimentação mais adequada têm resultados melhores. “O controle das taxas de açúcar é excelente, melhorando a disposição, reduzindo a sensação de fome, reduzindo a sede e prevenindo complicações associadas ao diabete descompensado, melhorando muito a qualidade de vida”, diz.

Existe uma dieta única?

Cada paciente deve ser avaliado e tratado de forma individualizada, aponta a nutricionista. “É muito importante que antes de elaborar uma orientação nutricional com objetivo de controle da glicemia, o nutricionista conheça a rotina de vida da pessoa, assim como suas preferencias e intolerâncias, para facilitar a adaptação ao novo contexto alimentar”, afirma. Dessa maneira, é mais fácil evitar que o diabético “escape” constantemente da dieta, integrando a alimentação à rotina.

Além disso, de acordo com Mariana, a dieta alimentar também muda de acordo com o tipo da doença. “No Tipo 1, o tratamento é feito com insulina, então a alimentação normalmente é planejada de acordo com a dose e os horários prescritos pelo médico, além de levar em consideração a rotina da pessoa”, esclarece. Já no Tipo 2, conforme explica a nutricionista, a grande maioria dos pacientes não faz uso de insulina. “Esse tipo normalmente está associado ao excesso de peso e obesidade, então o planejamento alimentar também tem como objetivo redução de peso, o que melhora muito o controle da glicemia”.

É necessário consumir produtos dietéticos?

Para a nutricionista, não há necessidade de optar por produtos diets ao longo da reeducação alimentar. Aqui, o importante é se atentar à quantidade de carboidrato ingerida em cada refeição, já que esse macronutriente se transforma em açúcar no sangue. “É importante conhecer a quantidade de carboidrato que cada alimento fornece e distribuir isto adequadamente para cada pessoa, com orientação do nutricionista”, afirma.

Já o açúcar, apontado como vilão por muitos diabéticos, pode ser consumido sim ao longo da dieta, desde que com cuidado e de forma esporádica.  “Quando o controle alimentar está baseado na quantidade de carboidrato, alguns alimentos que contem açúcar, como os doces, podem ser consumidos eventualmente, desde que a quantidade total de carboidrato do alimento esteja planejada adequadamente para cada pessoa”, conclui Mariana.

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