Em um momento em que o mundo precisa de caminhos mais justos, sustentáveis e inclusivos, a Organização das Nações Unidas (ONU) volta seus olhos para o cooperativismo. A proclamação de 2025 como o Ano Internacional das Cooperativas marca não apenas um reconhecimento, mas também um chamado à ação global.
Formalizada pela resolução 78/175, a iniciativa resgata os aprendizados de 2012 — quando as Nações Unidas celebraram pela primeira vez um ano dedicado à temática — e reforça a importância das cooperativas na promoção do desenvolvimento socioeconômico, no fortalecimento de comunidades e na concretização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). José Roberto Ricken, presidente do Sistema Ocepar, acredita que o chamado da ONU é uma oportunidade valiosa para fortalecer o cooperativismo em todo o mundo. “Será uma grande oportunidade para aumentar a visibilidade das cooperativas, permitindo que elas compartilhem suas histórias de sucesso e os benefícios que oferecem às comunidades, como a geração de empregos, a inclusão social e o desenvolvimento sustentável”, comenta.
Impacto para a sociedade
Este Ano Internacional das Cooperativas traz como mote “Cooperativas constroem um mundo melhor” — tema pertinente na visão de Ricken. “A missão do cooperativismo é criar oportunidades para as pessoas. O objetivo é que as pessoas tenham condições de ter renda e qualidade de vida. Por isso, a afirmação da ONU de que construímos um mundo melhor é fato”, defende.

Para o presidente da Ocepar, o ramo da saúde é um bom exemplo. “O que seria do sistema de saúde no Brasil sem as Unimeds? Um modelo pioneiro no mundo que, por meio do cooperativismo, reúne médicos e profissionais de saúde, que são os próprios sócios e gestores das cooperativas”. Ele observa que isso promove um compromisso maior com a qualidade do atendimento, tendo em vista que os cooperados têm interesse direto na satisfação de seus clientes. No Paraná, somente no segmento da saúde, mais de 16.500 profissionais estão organizados em 36 cooperativas, sendo 20 operadoras de planos de saúde médicos, quatro operadoras de planos de saúde odontológicos e 12 prestadoras de serviços de saúde. Um modelo que serve, inclusive, de referência para outros países.
Para o presidente da Unimed Paraná, Paulo Roberto Fernandes Faria, a iniciativa da ONU reforça a importância do modelo de negócio para o desenvolvimento em sociedade. A Unimed Paraná exemplifica essa construção na prática por meio de sua atuação cooperativista, que promove não apenas assistência médica de qualidade a mais de 2 milhões de vidas, mas também nos impactos econômico e social significativos na comunidade em que está inserida. “O Sistema Unimed fortalece o cooperativismo médico ao oferecer um modelo no qual os profissionais de saúde são protagonistas, possibilitando autonomia e valorização da profissão.
Além de contribuir ativamente para a construção de um mundo melhor, alinhando-se aos princípios cooperativistas destacados pela ONU, como a resiliência em tempos de crise,o fortalecimento da economia local e o compromisso com o bem-estar das comunidades”, destaca Faria.
Avanços dos últimos anos
Ricken explica que, entre 2012 e 2025, o cooperativismo brasileiro passou por um processo de crescimento e transformação, consolidando-se como alternativa importante para os desenvolvimentos econômico e social do país, com foco crescente em inovação, sustentabilidade e inclusão. “As cooperativas têm se comprometido cada vez mais com práticas sustentáveis e responsabilidade social, alinhando-se aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU. Muitas estão adotando práticas que visam à preservação ambiental e ao bem-estar das comunidades. Se existe um sistema que se preocupa com o futuro das pessoas e do planeta, é o cooperativismo. Isso está em nossa essência, em nossos princípios”, ressalta. Para se ter ideia, em 2012, a movimentação econômica das cooperativas do Paraná era de R$ 40 bilhões. Pouco mais de uma década depois, em 2024, o faturamento saltou para R$ 205 bilhões.
De acordo com o presidente do Sistema Ocepar, isso se deve à profissionalização das cooperativas e aos sucessivos planejamentos estratégicos colocados em prática. “Tudo isso gerando mais empregos, distribuindo renda, desenvolvimento da comunidade e fazendo mais pessoas felizes”, enfatiza.
Participação voltadas ao Ano Internacional das Cooperativas
Em 2025, junto à Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB) e as organizações estaduais, a Ocepar trabalhará para estimular iniciativas de comunicação, educação e capacitação sobre o cooperativismo, com o intuito de ajudar a formar novos líderes e a fortalecer as habilidades dos membros existentes – pontos essenciais para o crescimento e a sustentabilidade das cooperativas.
Entre as atividades previstas, está a realização de uma Sessão Solene, dia 7 de julho, na Assembleia Legislativa do Paraná, com a presença de lideranças cooperativistas, parlamentares estaduais e federais e o governador do estado, para celebrar o Ano Internacional das Cooperativas e os 100 anos da Cooperativa Frísia. Outra ação será uma campanha de marketing que conta com apoio da OCB, para divulgação do carimbo SomosCoop.
Comprometida com os princípios cooperativistas e com os ODS propostos pela ONU, a Unimed Paraná tem iniciativas planejadas para o ano que contribuirão com o movimento global de fortalecimento das cooperativas. Entre elas, estão o patrocínio da criação de um espaço dedicado ao cooperativismo médico no Museu da Medicina do Paraná, localizado na Santa Casa de Curitiba.
Veja também – As curiosidades por trás do Museu da História da Medicina do Paraná, com Fábio Chedid
“Essa ação visa preservar e difundir a história do cooperativismo na saúde”, ilustra o presidente da Federação. Outra atividade programada para acontecer em 2025 é a articulação em rede e desenvolvimento das comunidades locais que, em parceria com a Pontíficia Universidade Católica (PUCPR), será responsável pela mobilização das Unimeds do estado para o incremento de ações sociais nas comunidades em torno. “Cada cooperativa poderá escolher uma causa ou entidade local para atuação por meio de formação e mentoria. Essa iniciativa traduz, na prática, o 7º princípio cooperativista — interesse pela comunidade — e contribui com o fortalecimento de redes solidárias, autonomia local e inclusão social”, acrescenta.
E, em continuidade com as propostas de voluntariado interno planejado em 2024, a Unimed Paraná lançará o programa de voluntariado corporativo, com um incentivo a ações voluntárias entre seus colaboradores, promovendo uma participação ativa em causas sociais. “Acreditamos que, por meio de ações conjuntas, contribuiremos com o progresso da cidadania, da solidariedade e do desenvolvimento sustentável das comunidades, pilares fundamentais do cooperativismo e da agenda global da ONU”, conclui Faria. Mais do que nunca, vale lembrar que cooperar é um verbo de futuro.





































