Perfil Gestor(a): os caminhos para a liderança feminina

Liderança feminina

“O futuro é coop e precisa de lideranças femininas”. Esse foi o tema da fala de Thais Jerônimo, consultora responsável pelo Programa Nacional de Gestão e Relacionamento com Cooperados da Unimed do Brasil, às médicas-cooperadas do Sistema Unimed Paranaense. Segundo a especialista, a ascensão de mulheres a cargos de decisão não é apenas uma questão de igualdade, mas um poderoso avanço para o negócio.

Para que essa evolução ocorra de forma consistente, é preciso estar atento às nuances do percurso feminino. Muitas vezes, a jornada corporativa exige uma rede de apoio sólida e a desconstrução de vieses inconscientes que ainda permeiam o ambiente institucional. A construção de uma cultura que valoriza diferentes estilos de liderança e que compreende as múltiplas responsabilidades que as mulheres frequentemente equilibram é fundamental para que mais talentos femininos possam alcançar as posições mais elevadas.

O ponto de partida é um dado crucial: as mulheres já são maioria na medicina desde 2024 e serão 56% do total até 2035. O desafio, no entanto, é que essa presença não se reflete na alta liderança da maioria das empresas. “Há sim muitas mulheres no cooperativismo, em cargos de gestão, gerentes e superintendentes. Mas quando chegamos no Conselho de Administração, na Diretoria Executiva e na Presidência, [esse número] vai diminuindo”, explica Thaís.

Liderança como ação: o primeiro passo

Para a consultora, a transformação começa com uma mudança de mentalidade baseada na proatividade. Citando o executivo Donald McGannon, ela reforça: “Liderança é ação, não é posição.

Para Thaís, a influência e a capacidade de gerar mudanças devem preceder a conquista do cargo, tornando a promoção uma consequência natural. Na prática, ela aconselha uma postura de ocupar os espaços. “A primeira porta é o Conselho Fiscal. Começou um comitê novo, núcleo novo, comissão nova? Entra. Você tem que ser vista, lembrada, e tem que aprender.”

O diferencial na prática: as soft skills que mudam o jogo

Em um Sistema com 122 mil cooperados de quatro gerações distintas, a capacidade de conectar-se é fundamental. É aqui que as habilidades comportamentais e sociais, as chamadas soft skills, se tornam um diferencial competitivo. “As mulheres têm mais facilidade para trabalhar com as soft skills“, aponta Thaís.

Enquanto as hard skills são conhecimentos técnicos adquiridos a partir de experiências específicas ao longo de sua trajetória educacional, as soft skills são habilidades emocionais, comportamentais e sociais, hábitos e traços pessoais que moldam a forma como a pessoa trabalha individualmente e em grupo.

Thaís aponta para a empatia como exemplo: “Líderes empáticos dentro de organizações cooperativistas mudam o jogo, porque usam o entender para atender. Não ficam fazendo loucamente, mas ouvem e ponderam, a ponto de entender que se o outro está dizendo aquilo é porque ele teve um motivo. Então quando trabalho com a empatia dessa perspectiva tenho muito mais sucesso em termos de liderança.”

A comunicação eficaz foi outro exemplo. A especialista cita seu histórico pessoal, de como trabalhou os aspectos emocionais para gerenciar suas entregas, em meio a ambientes que frequentemente a subestimavam por ser mulher: “Foi terapia, autoconhecimento, coaching, muito treinamento de liderança e imersões para que eu pudesse entender de que maneira eu trabalhava dentro daquele cenário, e isso também é treinável.”

Por fim, ela destaca a inteligência emocional como base, e ressalta a importância do relacional: “Para viver em 2025, não tem para onde correr. Eu preciso desenvolver a inteligência emocional. Agora, a inteligência relacional também muda jogo: você saber o valor do seu networking e entender como trabalhar com ele vai te garantir novas posições.”

Wemilda Marta Fregonese Feltrin, presidente da Unimed Francisco Beltrão, é um exemplo de alta liderança feminina no Sistema Unimed Paranaense. E as soft skills são chave para sua gestão: “Vivemos um momento de profundas transformações na saúde, tanto em nível global quanto local. Aqui na Unimed Francisco Beltrão, temos clareza de que o futuro exige sensibilidade, inovação e, acima de tudo, compromisso com as pessoas.”

Confira a matéria completa com Wemilda:

Como a Unimed Francisco Beltrão está se preparando para o futuro da saúde

Investir em caminhos para a presença feminina na alta liderança é uma decisão estratégica para garantir a inovação e o futuro do Sistema. A mensagem final de Thaís na palestra foi um chamado, reforçando a urgência da ação: “Ajam para que por meio dessa ação de vocês a gente consiga ter mais mulheres nas diretorias das Unimeds.”