Durante o 31º Suespar, realizado entre os dias 21 e 24 de agosto, em Foz do Iguaçu, os participantes acompanharam às Trilhas, divididas nos eixos Inovação, Cooperativismo, Mercado, Saúde e Gestão. Em uma das trilhas sobre Inovação, Luis Gustavo Kiatake, do SBIS, falou sobre “RNDS / RES na saúde pública e suplementar: da gestão dos dados ao cuidado”. Lembrando o decreto nº 12.560, de 23 de julho de 2025, Kiatake destacou que a Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) é “a plataforma de interoperabilidade do ecossistema de dados do Sistema Único de Saúde – SUS, integrada em todo território nacional e com foco na interoperabilidade e no compartilhamento de dados de saúde, administrativos, financeiros e cadastrais relacionados às ações e aos serviços de saúde.”
No Art. 4º, do referido decreto, determina que o envio de dados para a “RNDS será feito por estabelecimentos públicos e privados, conforme modelos informacionais e computacionais padronizados e definidos na forma do Capítulo III, garantidas a integração, a consistência e a reutilização segura das informações em saúde”.
Kiatake esmiuçou alguns detalhes do decreto e depois debruçou-se sobre o Projeto de Lei 5.875, de 2013, que também trata de aspectos da RNDS. Falou sobre o PMAE – Programa Mais Acesso a Especialistas e Agora tem especialistas. Esse último, instituído a partir da Medida Provisória nº 1.301, de 30 de maio de 2025, implementa novos modelos de financiamento, possibilitando:
- Compra direta em nível federal
- Componente Créditos Financeiros (incentiva hospitais privados a ofertarem atendimento SUS mediante créditos)
- Componente Ressarcimento (permite a conversão de débitos de operadoras com o SUS em prestação de serviços à população)
Olívia Ferreira, consultora em saúde digital, abordou a questão “Interoperabilidade em Ação: RNDS como Alicerce do RES”. Para ela, a RNDS é a ponte legal e tecnológica que conecta todos os sistemas de saúde do SUS e da saúde suplementar, garantindo fluidez e segurança na troca de dados. Segundo ela, cada transação na RNDS coloca um ladrilho no mosaico do RES (Registro Eletrônico em Saúde) — hospitais, laboratórios e clínicas alimentam esse repositório central.
Isso porque o RES é justamente isso: um grande mosaico de informações médicas — cada peça está num sistema diferente. Sem interoperabilidade, essas peças nunca se encaixam. O RNDS permite essa interoperabilidade.
Luís Colombo, da Interall, falou um pouco sobre a empresa de seus desafios e dos desafios que as Unimeds compartilham. O principal desafio da empresa é integrar dados, processos e experiências para entregar um cuidado mais ágil, seguro e eficiente. Ele destacou que “interoperabilidade não é só tecnologia; é a ponte que une médicos, hospitais, operadoras e pacientes em um ecossistema fluido e inteligente.” Já, segundo ele, o grande desafio da Unimed é liderar a transformação digital em saúde, tornando-se referência nacional em integração e inovação.
Os resultados globais da interoperabilidade em saúde, segundo Colombo são 15 a 20% de eliminação de exames desnecessários, 5 a 10% de economia dos custos de tratamentos, 20 a 30% de redução de custos operacionais via eficiência administrativa e 10 a 15% de economia com prevenção de readmissões.
Colombo entende que os fatores de sucesso para a interoperabilidade em saúde incluem: organizacionais (governança colaborativa, liderança e compromisso de alto nível, abordagem centrada no paciente), político e regulatório (marco regulatório adequado, alinhamento com políticas de saúde, ampla cooperação), técnicos (uso de padrões internacionais, arquitetura modular e escalável, segurança e privacidade) e culturais e adesão (engajamento do profissional de saúde, comunicação clara e transparente e demonstração de valor e benefícios).



































