O segredo para integrar gerações em um mesmo ambiente

Apresentador e jornalista Sergio Groisman reforça a importância do respeito e da liberdade na construção de uma comunicação eficaz com diferentes públicos

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(Foto: Unimed Paraná)

De um auditório na escola a um dos programas televisivos mais famosos da atualidade, Serginho Groisman acumula muito mais que experiência: o jornalista encontrou no seu jeito de ser e ver o mundo uma forma de integrar gerações, prezando sempre pelo diálogo e respeito. E foi justamente sobre a intergeracionalidade e a relação com públicos ecléticos o tema da conversa comandada pelo apresentador no palco do Suespar, sob convite da Unimed Curitiba, que lançou, no Simpósio, o projeto Iguais.

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No bate-papo, Serginho relatou o início da carreira no jornalismo, pautada por grandes “coincidências” que o levaram a comandar, em uma sala emprestada de uma escola, a primeira espécie de programa de auditório de sua trajetória. Os convidados eram levados de fusca pelo próprio jornalista que, “de uma hora para a outra”, como pontuou, se viu ao lado de ícones da música brasileira, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Raul Seixas. A partir daí, o que era diversão passou a ganhar proporções maiores, passando pelo rádio e alcançando, finalmente, a televisão brasileira.

Desde o início, o jornalista apostou no respeito às diferentes opiniões para construir programas ecléticos e com espaço para que as perguntas fossem, de fato, feitas. Quando chegou ao SBT, por exemplo, reforçou com o próprio Sílvio Santos a necessidade da não-interferência na condução do seu programa, com liberdade para entrevistar diferentes autoridades, famosos e figuras públicas. “Foram oito anos na emissora e posso dizer com tranquilidade que nunca houve nenhum tipo de interferência. Somamos mais de dois mil programas”, lembrou. Para Serginho, a felicidade plena estava ali, fazendo o que amava, com o sucesso que se acumulava ano após ano – até que o convite para a Globo chegou, e “a Globo era, independentemente do que cada um hoje pensa, um grande sonho e objetivo.”

Aqui a história chega à emissora em que o apresentador permanece há 25 anos com o mesmo programa, o Altas Horas, que tem como principal característica o estúdio 360º. Conforme Serginho, a ideia sempre foi não ter ninguém no centro, reforçando o conceito de liberdade para debater ideias, receber as perguntas do público – em sua maioria formada por universitários – e estimular o compartilhamento de novas histórias. “Nenhum convidado fica no centro do palco, não importa quem seja. Podem ser atores, políticos, bandas… não há distinção. As perguntas recebidas também não passam por nenhuma interferência, nós apenas deixamos fluir e confiamos no processo e no fato de que bons questionamentos sempre virão”, disse, ao ser questionado sobre o ‘segredo’ em se manter relevante mesmo após tanto tempo – e entre diferentes gerações.

Especialista, inclusive, em reunir diferentes públicos e falar com pessoas das mais variadas idades, o apresentador relembra que, acima de tudo, é necessário haver respeito para que a comunicação funcione – seja em um programa jornalístico, em um consultório médico ou nas relações interpessoais. “Acredito que a maior diferença da juventude atual, em relação às anteriores, é o imediatismo. Querer tudo muito rápido, atrelado ao maior tempo em casa, em frente às telas, faz com que eles muitas vezes se sintam mais inseguros, pois não estão acompanhando o que acontece da porta para fora. As redes sociais também trouxeram à tona uma necessidade de as pessoas falarem e, muitas vezes, de forma vazia. Acabou a argumentação e ficou só o ódio”, comentou, durante uma rodada de perguntas com a plateia – assim como acontece no programa.

Por fim, o apresentador lembrou que os idosos não querem só sobreviver: eles querem qualidade de vida.

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