Na década de 2010, não havia dúvidas: as soft skills, habilidades comportamentais, como criatividade e negociação, eram as principais listadas pelo Fórum Econômico Mundial como fundamentais ao profissional do futuro. Mas o futuro chegou e, com ele, o reflexo de mudanças tecnológicas profundas, como a popularização da inteligência artificial generativa. Em 2025, o letramento tecnológico assume o protagonismo e, para 2030, projeta-se que quase metade das competências exigidas sejam técnicas — incluindo inteligência artificial e big data, redes e segurança cibernética e responsabilidade ambiental. Isso aponta de certa forma, para a importância do papel da humanidade na era da IA.

Essa reviravolta foi o fio condutor da palestra “Letramento digital e o profissional do futuro”, ministrada pela futurista Michelle Schneider, autora do livro “O profissional do futuro: como se preparar para o mercado de trabalho na era da IA”, no 11º E-saúde. Ela explica que esse retorno das hard skills não exige que todos virem programadores, mas que se tornem “profissionais de tecnologia” em suas áreas. “É entender que as ferramentas de IA existem hoje para tornar meu trabalho mais produtivo, criativo e estratégico”, aponta.
A mudança é impulsionada pela convergência de tecnologias como biotecnologia, robótica, computação quântica e IA generativa. Nesse contexto, o valor do profissional migra do acúmulo de conhecimento para a capacidade de adaptação, e surge o generalista criativo: aquele que une profundidade em diversos domínios à eficiência da IA.
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O grande alerta está na compressão do tempo. Se a Revolução Agrícola durou 10 mil anos e as Revoluções Industriais atravessaram séculos, a Revolução Digital e a atual Era da IA encurtaram os ciclos de mudanças para poucas décadas ou anos. São ciclos intensos, que exigem reinvenção constante, criando um desafio que Michelle define como mais psicológico do que técnico. “Não fomos programados para dobrar nossa capacidade produtiva a cada quatro ou cinco meses”, afirma. Resta, então, o diferencial puramente humano: “A IA é excelente em ser eficiente, mas nem tudo na vida é sobre ser eficiente. O profissional do futuro é aquele que todos os dias vai escolher se tornar um ser humano”, finaliza a futurista.
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