Unimed Paraná reforça compromisso no combate à violência contra a mulher e inicia jornada pelo selo “Nós por Elas”

Especialista aponta que cenário ainda é desafiador e exige atuação conjunta entre poder público e organizações

violência contra a mulher
(Foto: 8photo/Freepik)

Apesar dos avanços registrados nos últimos anos, a violência contra a mulher permanece como um dos principais desafios sociais no Brasil, impactando diretamente a saúde física, emocional e social das vítimas. No Paraná, o enfrentamento a esse cenário tem mobilizado tanto o poder público quanto instituições privadas, que ampliam suas ações para além do ambiente doméstico, alcançando também espaços corporativos.

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Nesse contexto, a Unimed Paraná tem fortalecido seu posicionamento institucional ao promover iniciativas de conscientização e acolhimento. Um dos marcos recentes foi a realização de uma palestra com a desembargadora Priscilla Placha Sá, que abordou a temática da violência de gênero sob a perspectiva estrutural. A ação também simboliza o início da jornada da instituição rumo à certificação no selo “Nós por Elas”, iniciativa que reconhece boas práticas organizacionais no enfrentamento à violência contra a mulher.

Para contextualizar o cenário atual e os avanços no estado, a deputada federal licenciada Leandre Dal Ponte, que à época da entrevista ocupava o cargo de secretária de Estado da Mulher, Igualdade Racial e Pessoa Idosa, explica que a violência contra a mulher deixou de ser percebida apenas no ambiente doméstico.

Deputada federal licenciada Leandre Dal Ponte (Foto: Assessoria)

“A violência contra as mulheres antes era mais observada de maneira contundente dentro de casa. Hoje, ela assume outras formas, está nas ruas, nas redes sociais, no silenciamento e nas ameaças que as mulheres sofrem em diferentes ambientes”, afirma.

Leandre destaca que o problema é estrutural e de longa data, mas só recentemente passou a ser reconhecido como uma questão pública. “A Organização Mundial da Saúde já classificou a violência contra a mulher no Brasil como uma epidemia. Isso porque ela está muito presente e traz consequências não apenas para as mulheres, mas para toda a sociedade”, acrescenta.

No Paraná, a criação, em 2023, de uma secretaria estadual dedicada exclusivamente às políticas para as mulheres foi um passo importante para consolidar ações públicas mais eficazes. A atuação envolve tanto o enfrentamento direto à violência quanto a promoção de oportunidades para as mulheres.

“Muito da questão da violência tem a ver com fatores culturais, mas também com a falta de oportunidades reais. Muitas mulheres permanecem em ciclos de violência por dependência financeira ou por questões afetivas. Ninguém inicia uma relação esperando violência, mas por afetividade e com uma expectativa de que um entenda o outro”, pontua Leandre, ressaltando que a violência se constrói ao longo do tempo e muitas vezes de forma silenciosa.

Ela reforça que o enfrentamento exige uma abordagem integrada. “As políticas que estamos desenvolvendo têm três pilares: prevenção, combate com proteção às vítimas e punição aos agressores, e promoção das mulheres. Porque quando uma mulher prospera, sua família prospera e toda a sociedade prospera”, destaca.

Entre as ações implementadas no estado estão o fortalecimento da rede de atendimento, com 22 delegacias especializadas, a criação de casas de acolhimento para mulheres em risco e programas de apoio financeiro e empreendedorismo. Além disso, iniciativas educacionais e parcerias com municípios têm ampliado a conscientização e incentivado a denúncia, fator que contribuiu para o aumento dos boletins de ocorrência, interpretado pela pasta como reflexo de maior confiança no sistema de proteção.

Mesmo assim, segundo Leandre, a subnotificação ainda é um desafio. “Muitas mulheres não denunciam por medo, vergonha ou receio de revitimização. Por isso, é fundamental que o Estado esteja próximo e preparado para as acolher”.

A violência doméstica segue como a mais recorrente, embora raramente ocorra de forma isolada. “Quando a agressão física acontece, geralmente ela é o estágio final de uma sequência de violências (psicológica, patrimonial, financeira e até sexual). É um processo que se acumula ao longo da relação”, esclarece Leandre.

Outro ponto destacado por Leandre Dal Ponte é a importância do engajamento das organizações no enfrentamento ao problema. De acordo com ela, o ambiente de trabalho é estratégico para promover mudanças culturais. “Essa transformação precisa acontecer em todos os espaços. Quando levamos esse debate para cooperativas e empresas, percebemos que ele também precisa envolver os homens, que são parte fundamental dessa mudança”.

Essa visão está alinhada ao movimento da Unimed Paraná, que passa a incorporar o tema em sua agenda institucional. Ao iniciar a busca pelo selo “Nós por Elas”, a Federação se posiciona como agente ativo na promoção de ambientes mais seguros e equitativos, integrando a pauta à sua cultura organizacional e às práticas de governança. O Selo Nós Por Elas/ABNT é uma certificação de boas práticas criada pelo Instituto Nós Por Elas (NPE) em parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT).

A articulação entre poder público e setor privado, portanto, surge como elemento essencial para avançar no enfrentamento à violência contra a mulher. Mais do que reconhecer o problema, o momento exige ações contínuas, estruturadas e coletivas, capazes de transformar realidades e garantir proteção, dignidade e oportunidades para todas as mulheres.

 

Ações do Governo do Estado do Paraná

Além das 22 delegacias específicas da mulher, com agentes especializados em atendimento, mulheres que desejam realizar uma denúncia ou buscar apoio, podem contar tanto com a Polícia Civil (197) ou com a Polícia Militar (190), que também acolhem esses atendimentos.

Conforme conta Leandre, o Governo do Estado disponibiliza um auxílio social à mulher paranaense, que corresponde ao valor de meio salário-mínimo, destinado à mulher que possui medida protetiva. As que solicitam isso ao Estado recebem esse valor por 12 meses. Ainda, estão sendo construídas no Paraná seis casas de acolhimento regionalizadas para atender mulheres, principalmente as que correm risco de vida, oferecendo um lugar seguro.

O estado ainda possui uma parceria com a Associação Brasileira de Normas Técnicas e o Instituto Nós por Elas para reconhecer as empresas que têm boas práticas no enfrentamento à violência contra a mulher. “Aqui no estado do Paraná, por exemplo, um critério de desempate nas concorrências públicas é a empresa que tem maior número de ações voltadas ao enfrentamento à violência contra a mulher. Essa empresa recebe uma certificação emitida pela ABNT, que em breve se tornará uma ISO com reconhecimento internacional”, acrescenta.

No âmbito do ensino, o Paraná conta com a Semana Escolar de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, iniciativa que mobiliza escolas públicas e privadas em ações de caráter preventivo e educativo. O Estado também mantém parcerias com universidades estaduais para a formação e qualificação de mulheres, com foco em autonomia financeira e empreendedorismo.

Entre as políticas públicas, estão linhas de crédito voltadas ao público feminino, como o Banco da Mulher Paranaense, além da implantação de unidades da Casa da Mulher Paranaense, espaços destinados ao desenvolvimento pessoal e profissional. Atualmente, mais de 270 municípios possuem conselhos da mulher ativos, com apoio de recursos estaduais.

“A violência contra as mulheres hoje assume diferentes formas e exige uma atuação articulada em várias frentes”, afirma Leandre Dal Ponte.

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