Comunicar-se é relacionar-se

Os quatro acordos da sabedoria Tolteca – civilização que viveu no século X, na região onde hoje é o México – nunca fizeram tanto sentido: não fazer suposições, honrar a palavra, fazer sempre o nosso melhor e não levar nada para o lado pessoal ajudam na comunicação eficaz

Todos os problemas têm origem nos relacionamentos interpessoais, afirma a palestrante, consultora e trainer Luciane Botto. Em treinamentos on-line sobre Comunicação para equipes da Unimed Paraná – que aconteceram neste segundo semestre de 2020 – ela discutiu ferramentas e formas de cultivar relações saudáveis no ambiente de trabalho, na vida e falou sobre os impactos positivos e negativos que causamos uns aos outros a partir das novas palavras e atitudes.

Lidando com as emoções: A questão é QE

Luciane destacou a importância de pensar antes de falar, “de equilibrar razão e emoção e de saber dizer sim e não de maneira honesta e respeitosa”. Ela lembra que “expressar o que pensamos não significa que devemos ser grosseiros ou inconvenientes. É preciso se posicionar com firmeza. Porém, tomando os cuidados com a forma, o tom de voz e as palavras. Ser autêntico, verdadeiro e franco sem ser grosseiro exige a consciência de si próprio e de suas ações. E o caminho para isso é o autoconhecimento, já que a comunicação com o outro provém da comunicação com a gente mesmo, do modo como vemos o outro e lidamos com isso”.        

Para a palestrante, o objetivo do treinamento em comunicação é ampliar a conexão entre as pessoas. “Integrar e mostrar os benefícios de estabelecermos uma comunicação saudável não apenas no ambiente de trabalho, mas na vida como um todo – apontando caminhos para torná-la ainda mais eficiente tanto no modo presencial quanto virtual”, define.

Cuidado

Nunca pareceu tão necessário cuidar de nossas relações, de forma tão intensa, seja dentro de casa – com o cônjuge, filhos, família – seja no trabalho, com colegas, gestores, liderados, clientes e fornecedores. “Isso exige ter empatia, reconhecer e compreender que todos (nós, família, colegas, gestores e clientes) vivemos um novo capítulo da história. Neste mundo cada vez mais VUCA (volátil, incerto, complexo e ambíguo), incertezas, sobrecarga, pressão e emoções não faltam. As pessoas acordam pela manhã, planejam seu dia, mas ao longo desse dia várias coisas acontecem e a qualquer momento tudo pode mudar. Haja inteligência emocional e flexibilidade para se adaptar! São com essas pessoas que nos relacionamos”, frisa.

Por isso, é tão importante que a comunicação seja o mais efetiva possível, independentemente do ambiente. “Precisamos nos expressar, falar o que pensamos e sentimos. E nunca o ser humano pagou tão caro para ser ouvido. Portanto, nesse momento de pandemia, não podemos fazer do isolamento uma desculpa para nos afastar e calar. E também não podemos deixar que a pressa nos distancie ainda mais das pessoas. Este é o momento de nos aproximarmos e nos interessarmos genuinamente pelo outro. É o momento de o líder conhecer melhor cada liderado, seus anseios, talentos, ideias e encorajá-lo a ser ainda melhor. Para isso, é preciso criar ambientes onde as pessoas sejam estimuladas a falar, a expressar a sua verdade, onde as falas sejam ouvidas e aceitas – até porque o mundo está mudando numa velocidade que muitas vezes não conseguimos acompanhar. O líder não tem todas as respostas diante de tantas mudanças”, avalia.

Luciane alerta para a importância de se cultivar ambientes de trabalho saudáveis. “O que seria de uma empresa sem as pessoas? Quando promovemos ambientes mais saudáveis, estimulamos também a inovação, aumentamos o nível de felicidade, engajamento e produtividade. O ponto é que, mesmo com estímulo, há pessoas que se calam. E o que muitas vezes nos impede de expressar o que pensamos é o medo de ser criticado pelo outro, o medo de não ser bom o suficiente, a auto-exigência exagerada. Elogios, reconhecimentos autênticos, trocas, diálogos podem contribuir para as pessoas lidarem melhor com essas questões. Se desejamos ambientes mais harmoniosos, precisamos cultivar o respeito, a empatia e a escuta ativa, respeitando o jeito de ser do outro. Não somos melhores e nem piores do que ninguém. É justamente quando buscamos equilíbrio nas relações que aumentamos o grau de confiança e a conexão com o outro”, avalia.

Arte

A palestrante chama atenção ao fato de, por vezes, nos esquecermos de que a comunicação está  presente não apenas no que falamos e escrevemos, mas também em nossa expressão corporal. “Está também nas nossas ‘caras e bocas’, nas ironias, indiretas, no tom de voz, nas palavras escolhidas e até mesmo no silêncio. Preste atenção ao conteúdo dos e-mails e mensagens de WhatsApp que você envia – inclusive os áudios – e verá a intensidade e qualidade do que está comunicando. Saberá o que funciona melhor ou não, dependendo da pessoa com que conversa”, avalia.

Não é à toa, segundo Luciane, que a maior parte dos problemas que vivenciamos esteja ligado a questões de relacionamento e de comunicação – tanto na vida pessoal quanto na vida profissional. “A comunicação está em todos os papéis que desempenhamos, tanto em casa quanto no trabalho. Ao mesmo tempo, é um de nossos maiores desafios, justamente porque a todo momento somos impactados pelo que o outro fala e faz e isso nos provoca uma resposta, na maior parte das vezes, automática”, enfatiza. Da mesma forma, “enviamos sinais e estímulos aos outros, a partir do que falamos ou fazemos. Toda ação leva a uma reação e provoca emoções. Comunicar é uma arte. Uma única mensagem pode ser compreendida de diferentes formas. Por isso, a clareza é tão essencial. Falar de uma maneira que todos possam compreender”, complementa.

Para encerrar o treinamento, Luciane enfatiza que a comunicação apropriada gera bons relacionamentos e nos faz crescer como profisisonais, mas acima de tudo, como seres humanos. Ela cita ainda o livro de Don Miguel Ruiz, “Os Quatro Compromissos – O livro da Filosofia Tolteca” (2005, ed. Best Seller, 112 pág.) que aborda a necessidade de honrar a palavra e de usá-la na direção da verdade e do amor. “Um livro que nos lembra sobre a importãncia de dialogarmos com o outro de forma honesta sobre o que nos deixa em dúvida. Sobre a necessidade de não fazermos suposições, de evitarmos o desgaste emocional com algo que talvez seja fruto de percepções equivocadas. Destaca ainda sobre a importância de evitarmos o julgamento do outro e de procurarmos não levar as coisas para o lado pessoal”. Algo que nem sempre é fácil.

11 Dicas para se comunicar melhor, de acordo com a palestrante Luciane Botto

  1. Organize as ideias do que pretende falar
  2. Procure adaptar sua comunicação conforme o ouvinte. Algumas pessoas precisam de mais explicações, fatos, dados, números. Outras querem ir direto ao ponto
  3. Seja claro e objetivo. Expresse de forma aberta e direta o que pensa e deseja, sem fazer rodeios
  4. Abra-se para os diferentes pontos de vista
  5. Antes de comunicar, você precisa saber “o que” e “como” falar
  6. Escute o outro com empatia
  7. Promova o diálogo construtivo
  8. Aprenda a “dizer não”, mas também a “ouvir o não”
  9. Respeite a opinião do outro
  10.  Cuide com palavras, tom de voz, excesso ou falta de objetividade
  11.  Lembre-se: o óbvio não existe.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *