Máscaras ainda são as melhores aliadas no combate à Covid-19

Uso de máscara é uma das poucas medidas comprovadamente eficazes contra a Covid-19, mas ainda há quem negligencie

O Brasil está há mais de 10 meses em situação de emergência por conta da pandemia causada pelo coronavírus. Desde março de 2020, o país enfrenta a Covid-19, que já causou mais de 200 mil mortes no período. Uma doença nova, até então desconhecida da comunidade médica e que, por isso, ainda não tinha uma abordagem profilática e, muito menos, terapêutica para enfrentá-la.

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De tudo o que foi tentando desde então, enquanto se aguardava o desenvolvimento das vacinas, duas medidas de prevenção tornaram-se quase que unanimidade no meio acadêmico, científico e entre as autoridades em saúde: o distanciamento social e o uso de máscaras. Mas, mesmo essas medidas simples e comprovadamente eficazes, são, muitas vezes, ignoradas por parte da sociedade e, até por políticos e formadores de opinião.

Recomendação da OMS

Comprovado que a principal forma de transmissão do vírus é aérea através da emissão de gotículas contaminadas por um portador da doença, a Organização Mundial de Saúde (OMS) recomendou, em junho, que o uso de máscaras e a manutenção de uma distância de dois metros entre as pessoas seriam as medidas mais eficazes para diminuir o risco de contaminação. O uso de máscaras cirúrgicas ou, até, de maior nível de proteção, pode filtrar o ar respirado, evitando a inalação de impurezas. Mas mesmo o uso de máscaras de pano, chamadas de máscaras caseiras, foi recomendado, pois esta diminui o alcance de partículas expelidas por uma pessoa contaminada. Assim, o uso de máscaras tem sido recomendado muito mais como uma medida para proteger as pessoas com quem interagimos do que a nós mesmos.

A proteção oferecida pelas máscaras

Um estudo científico realizado pelo Centro de Prevenção e Controle de Doenças dos Estados Unidos (CDC), divulgado em novembro de 2020, atestou o uso de máscaras de pano como equipamento de segurança eficiente no controle da propagação do novo coronavírus.

De acordo com a pesquisa, as máscaras também são fortes aliadas para que, em caso de infecção, a manifestação da doença seja branda. “As máscaras destinam-se principalmente a reduzir a emissão de gotículas carregadas de vírus, o que é especialmente relevante para usuários infectados assintomáticos ou pré-sintomáticos que se sentem bem e podem desconhecer sua infecciosidade para outros, e que devem representar mais de 50% das transmissões”, informa o estudo.

O que você deve saber sobre o uso correto de máscaras de tecido

O estudo destaca ainda que as máscaras de pano também ajudam a reduzir a inalação dessas gotículas pelo usuário. “O benefício comunitário do mascaramento para o controle do SARS-CoV-2 se deve à combinação desses efeitos.” Com isso, afirma o CDC “a tendência, que tem sido observada, é que mesmo em pessoas que contraem a doença, as formas são mais brandas, porque ela diminui, também, a quantidade de vírus que a pessoa expele e quem entra em contato, entra em contato com pequenas quantidades de vírus. Dessa forma, a pessoa infectada acaba apresentando quadros muito mais brandos”. 

Eficiência de cada máscara

Já a Universidade Duke, também dos Estados Unidos, criou um ranking com a eficiência de cada tipo de máscara disponível no mercado. O estudo comparou 14 tipos de máscaras diferentes. Os pesquisadores avaliaram quanto cada uma impediu que gotículas fossem expelidas, enquanto uma pessoa falava, por exemplo.

A máscara mais eficaz foi a N95 ajustada. Normalmente esse é o equipamento usado por equipes de saúde para impedir a transmissão de covid-19 nos hospitais. Como existe falta desse equipamento em muitos locais, é importante que a população em geral não o utilize, para reservá-lo aos médicos e enfermeiros.

Máscaras cirúrgicas de três camadas e máscaras de algodão (também com 3 camadas) aparecem logo depois e também são muito eficientes. A OMS recomenda que essa máscara de algodão seja o modelo para fabricação caseira e para uso da população em geral. Máscaras de tricô, bandanas e polaina de pescoço foram consideradas menos eficazes do que não usar máscaras.

OMS mudou o entendimento em junho

O uso de máscaras como prevenção de doenças respiratórias é um hábito em países asiáticos. No Japão, por exemplo, qualquer pessoa com sintomas de gripe ou resfriado só sai de casa utilizando máscara, para diminuir o risco de contágio para outras pessoas. Assim que a Covid-19 foi anunciada como uma pandemia respiratória, houve uma corrida pela aquisição de máscaras, antes mesmo de qualquer orientação das autoridades sanitárias. A ponto de a Organização Mundial de Saúde emitir comunicado não recomendando a utilização do equipamento de proteção. A maior preocupação, naquele momento, foi com a falta de máscaras para os profissionais de saúde. Apenas em junho a OMS mudou seu entendimento e passou a preconizar o uso de máscaras, mesmo que de pano, como uma medida efetiva de prevenção à doença.

Os especialistas asseguram que a máscara traz ao menos dois benefícios: ela protege quem usa e, ao mesmo tempo, resguarda quem está por perto de um indivíduo infectado. “O tecido vai impedir que o vírus entre no nosso nariz ou na nossa boca a partir das gotículas de saliva que saem de uma pessoa durante tosses, espirros ou conversas”, resume a médica Raquel Stucchi, da Sociedade Brasileira de Infectologia.

Esse mecanismo ganha mais importância porque já se sabe que a grande maioria dos pacientes com covid-19 não apresenta sintomas sugestivos (ou demora alguns dias para manifestar sinais da doença).

O preocupante é que esses indivíduos assintomáticos transmitem o vírus normalmente. Estima-se que eles sejam responsáveis por pelo menos 50% dos novos casos. O uso geral das máscaras, portanto, ajudaria a impedir essa difusão silenciosa pelas pessoas que nem sabem que carregam o coronavírus em seu organismo.

“A recomendação é que todas as pessoas com mais de dois anos de idade usem máscara o tempo todo que estiverem fora de casa”, diz Stucchi. A peça deve ser trocada imediatamente caso fique suja ou úmida. Se você vai ficar na rua por algumas horas, leve uma ou duas opções de reserva.

Vale lembrar que a máscara não é um salvo-conduto para relaxar as outras medidas. Ao sair, é primordial continuar cumprindo o distanciamento físico de pelo menos 2 metros e lavar bem as mãos com água e sabão ou, se não tiver uma pia e uma torneira por perto, com álcool em gel.

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