Presidente da Unimed Paraná participa de live sobre a retomada dos procedimentos eletivos no estado

Evento fez parte do Webinar Femipa 2021, realizado de forma on-line entre os dias 18 e 20 de maio.

Para além da pandemia e seus desafios, uma outra preocupação está no radar dos gestores públicos e privados da saúde: a demanda reprimida de procedimentos eletivos. Por medo do coronavírus, muitos pacientes deixaram de procurar assistência médica para fazer exames preventivos e realizar tratamentos.

“A situação da Covid-19 é gravíssima, mas nós estamos também muito preocupados com o restante das doenças, com os casos de diagnósticos tardios que virão”, afirmou o presidente da Unimed Paraná, Paulo Faria, durante o segundo dia do Webinar Femipa 2021, que teve como tema “A reorganização dos hospitais para a retomada dos atendimentos eletivos SUS e convênios”.

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O encontro foi organizado pela Federação das Santas Casas de Misericórdia e Hospitais Beneficentes do Estado do Paraná (Femipa) e teve como convidados, além de Faria, o diretor de Gestão e Saúde da Secretaria Estadual da Saúde, Vinícius Filipak, e o vice-presidente da Femipa, José Pereira. A mediadora foi a jornalista Juliane Ferreira e a transmissão foi feita ao vivo pelo Facebook e Youtube.

Impacto da Covid-19 nos procedimentos eletivos

Em sua apresentação, Faria falou sobre o impacto da Covid-19 na carteira da Unimed Paraná, que tem atualmente cerca de 160 mil vidas. Comparando os 12 meses antes da pandemia (de 03/2019 a 02/2020) com os 12 meses subsequentes (de 03/2020 a 02/2021), a operadora teve uma redução de 17% na realização de exames preventivos, 22% nas internações gerais e 24% na realização de consultas e procedimentos cirúrgicos – alguns extremamente necessários para a saúde do paciente.

“Depois de 15 meses de pandemia e mesmo diante de um cenário extremamente grave, precisamos retomar essa discussão. Não dá para adiar um tratamento cardiológico, um procedimento de angioplastia, de câncer” afirmou Faria. Pereira concordou. “Essa retomada é uma necessidade, ela é premente, urgente, mas claro que com muita responsabilidade”.

A estimativa da Secretaria da Saúde do Paraná é que, para cada ano de represamento dos procedimentos eletivos, o Sistema Único de Saúde (SUS) demorará entre 2,5 e 3 anos para conseguir recuperar esse atraso. Por isso, situação é vista com preocupação pelo governo. “O paciente eletivo de hoje é o urgente de amanhã”, afirmou Filipak.

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O médico, no entanto, disse que não há condições de estimular a realização de procedimentos eletivos nos próximos 60 dias por conta do agravamento da pandemia no estado. “Temos que ter capacidade para projetar decisões com o maior afinamento possível, para que vençamos juntos essa doença. Nossas decisões mudarão vidas e precisam ser tomadas no momento oportuno”, disse Filipak.

Garantia de segurança

Hoje, não existe qualquer restrição do Governo do Paraná e da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) para a realização de consultas e cirurgias eletivas. O desafio, portanto, está em convencer a sociedade a buscar um equilíbrio entre o receio da pandemia e o cuidado com a assistência à saúde.

“Precisamos garantir ao paciente que a jornada dele, desde o exame preventivo até o procedimento, vai ser segura. Os hospitais, as operadoras e a os gestores da saúde pública têm o papel importante de tranquilizar os médicos e pacientes para retomar esses procedimentos, porque não podemos postergar mais”, afirmou Faria, que ressaltou que o cenário pandêmico vai desaparecer, mas a Covid-19 continuará entre nós, assim como ocorreu com a H1N1.

O começo da volta

Para gerir a demanda reprimida, alguns hospitais que compõem a rede própria do Sistema Unimed paranaense já começaram a retomar alguns procedimentos eletivos. Entre as medidas adotadas para garantir a segurança dos pacientes está a realização de atendimentos aos sábados e domingos e a realização de teste rápido antígeno em agendamentos cirúrgicos.

“Eu creio que esse esforço geral e esse trabalho conjunto vão dar condições para superarmos esse momento e sairmos dele não só mais unidos, mas também mais sustentáveis”, afirmou Faria, que parabenizou a Femipa pelo evento. “Debates como o de hoje são fundamentais para que possamos iniciar o planejamento da retomada dos exames preventivos e dos procedimentos eletivos. Assim, quando tivermos um cenário da pandemia mais controlado e condições hospitalares mais adequadas, poderemos iniciar de imediato o retorno dos eletivos, principalmente daqueles em que o adiamento traz sérios prejuízos à saúde”.

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