Psicóloga fala sobre o impacto das redes sociais na saúde mental e traz dicas para utilizá-las de forma mais saudável

Você está concentrando, trabalhando e seu celular apita informando que uma nova notificação acabou de chegar. Pode ser algo importante e, por isso, na dúvida, você já não continua a fazer o que estava fazendo com a mesma concentração até decidir olha o celular e descobrir que não era nada demais: apenas mais uma mensagem em ou grupo de WhatsApp ou uma curtida ou comentário na foto do final de semana publicada no Instagram.

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Disciplinado, você vai, então, voltar à sua atividade, mas, de acordo com a neurociência, vai levar até 25 minutos para retomar o nível de concentração de quando foi interrompido. Isso se não aproveitar para dar aquela passadinha pelas redes sociais, ver quem mais curtiu ou comentou suas fotos, quem postou fotos mais legais que as suas, assistir vídeos curtos dos amigos ou celebridades e interagir no mundo virtual, podendo ter um grande período de distração.

Essas simples interrupções já contribuem para nos tornemos pessoas com menos foco, menos memória e menos produtivos, mas a falta de limites para as interações nas redes sociais também podem levar a problemas de saúde, como depressão ou ansiedade.  

Ambientes on-line geram comparações prejudiciais

Estudo da Universidade da Pensilvânia aponta que pessoas que limitaram o uso das redes sociais a 30 minutos por dia afirmaram sentir menos depressão, ansiedade e solidão do que as pessoas que utilizaram as redes sem limites. Essas sensações negativas são causadas, principalmente pela comparação que acaba ocorrendo nesses ambientes on-line.

Segundo a psicóloga Clarissa Ribeiro, as curtidas e comentários positivos nas redes sociais causam sensações prazerosas semelhantes às proporcionadas pela cocaína e outras drogas, apenas com menor intensidade, pois a reação a essas interações liberam dopamina, o neurotransmissor responsável pela sensação de bem estar. “E, por isso, pode levar ao vício. Para alimentar o vício, as pessoas acabam se expondo cada vez mais, ignorando riscos à segurança e à privacidade”, diz. O resultado inverso, como a baixa repercussão de uma postagem sobre a qual se havia criado expectativa de interações gera problemas de autoestima que podem levar à depressão, aponta.

“Se a primeira ação da pessoa no dia, logo que acorda, é checar as redes sociais; se a exposição em fotos, stories e outras ferramentas digitais deixa de ser uma distração para se tornar uma necessidade diária; se tem sintomas de abstinência, como irritabilidade, inquietação ou ansiedade, quando fica determinado tempo desconectado; se a comparação da vida com o que se vê nas redes sociais de outras pessoas é uma constante; são sinais de que a sua presença nas redes sociais está excessiva e, junto a outros fatores, pode acarretar quadros de depressão e de ansiedade patológica”, diz a psicóloga.

A psiquiatria também já trabalha com a “abstinência de tela”, expressão usada para quem perde o acesso às redes sociais por algum motivo que foge à própria vontade. Essa abstinência se revela em irritabilidade, ansiedade, inquietação, insônia, suor frio associado aos outros sintomas. Em casos mais graves, há a fissura, o desejo desesperado e incontido para usar as redes sociais.

Sinais de que as redes sociais estão prejudicando sua saúde mental

  • Uso em excesso;
  • Checagem das redes sociais assim que acorda;
  • Necessidade de exposição;
  • Ansiedade gerada pelo conteúdo exposto;
  • O mundo virtual determina a vida real;
  • Perda de interesse pela vida e relações sociais;
  • Perda ou ganho de peso;
  • Abandono de atividades físicas e convívio social;
  • Mudança de humor;
  • Insônia;
  • Falta de energia na maior parte do dia;
  • Sentimento de inferioridade e/ou inutilidade;
  • Concentração reduzida para as tarefas da vida real.

Dicas para uma utilização saudável

  • Silencie todas as notificações das redes sociais abertas;
  • Seja bastante seletivo sobre as páginas / canais que seguir;
  • Nos aplicativos de mensagem instantâneas, permita as notificações apenas dos familiares mais próximos e das pessoas diretamente relacionadas ao seu dia a dia de trabalho;
  • Pare de seguir perfis páginas e grupos que não contribuam para seu desenvolvimento ou bem-estar. Mesmo que seja o perfil de um de seus melhores amigos;
  • Escolha horários fixos para checar as redes sociais e determinar a quantidade de tempo que vai se dedicar a essa atividade;
  • Tenha foco e faça apenas o que o motivou a acessar as redes, pois elas são programadas para prender sua atenção e te fazer ficar muito mais tempo que o planejado;
  • Use os conteúdos de outras pessoas como inspiração não como comparação;
  • Quando for postar, releia, poste com calma e avalie o motivo de estar postando;
  • Não entre em jogos violentos de discussões em comentários com pessoas com opiniões diferentes da sua;
  • Quer debater? Procure lugares e pessoas adequadas para fazer esse exercício, pois nas redes sociais as pessoas estão surdas, só querem afirmar suas visões de mundo.

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