Como uma operadora de saúde enfrenta a crescente judicialização e, ao mesmo tempo, investe na expansão de seus serviços? Para o presidente da Unimed Paranaguá, Flávio Grínberg, a resposta está na essência do cooperativismo. Em entrevista, o gestor — que é cooperado há 33 anos — explica como a visão do médico como dono e as alianças estratégicas são a chave para o fortalecimento da saúde suplementar na região. Confira.
Revista Ampla: Sabemos que a saúde suplementar vem passando por diversas e rápidas transformações. Quais o senhor considera as tendências mais relevantes para o cenário atual da saúde suplementar no Brasil e, mais especificamente, para a Unimed Paranaguá?
Flávio Grínberg: Nossa diretoria tomou posse há pouco mais de três anos, e nesse período, notamos mudanças constantes, algumas boas e outras preocupantes.
Temos muita evolução tecnológica, com cada vez mais ferramentas de diagnósticos, tratamentos e mecanismos gerenciais, o que é bem interessante e facilita o acesso da população à saúde, à telemedicina e a recursos que vão tornando cada vez mais próximas as opções para a saúde de nossos clientes.
Por outro lado, temos um cenário macroeconômico preocupante no país, e não podemos deixar de falar da constante judicialização da saúde. Esse é o tema que mais nos causa sobressalto, porque temos o rol da ANS e as operadoras se baseiam em toda uma preparação de rede, estrutura, logística e atendimento administrativo e técnico para atendê-lo. Porém, às vezes acontece da Justiça conceder atendimentos que não tem cobertura do rol da ANS e para os quais não estamos preparados. Ou seja: temos uma programação com base em um rol muito amplo, e ainda assim precisamos estar sempre preparados porque qualquer hora podem chegar liminares envolvendo situações desafiadoras.
O senhor citou algumas mudanças e até exigências que o mercado da Saúde Suplementar implica às operadoras de saúde. De que maneira a Unimed Paranaguá tem se preparado para atender a tais demandas?
Na parte de atendimento ao cliente, investimos muito em nossa unidade de oncologia, em termos de qualidade, com mais profissionais, mais capacitados e mais experientes. Também investimos na área física, com melhorias e ampliação para oferecer mais conforto, bem-estar e aconchego para as pessoas que precisam usar nossa unidade de oncologia.
No início de abril, começamos o nosso laboratório, muito bem montado e estruturado, com o que há de mais moderno em software, e o que há de mais adequado para um atendimento com o jeito de ser da Unimed, que envolve bastante aconchego, carinho e a fundamental qualidade técnica.
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Já na parte de estrutura e de gestão, nossa gestão é muito ligada à Federação, com uma aproximação em programas diversos. Fomos uma das primeiras Singulares a terceirizar nossa Contabilidade para a Federação do Paraná, e temos vários setores intrinsicamente ligados à Federação.
Como vocês conciliam a inovação na gestão de custos sem comprometer a qualidade e o acesso dos beneficiários?
Estamos focados em fortalecer nossa rede de médicos-cooperados. Temos uma rotina implementada em nossa gestão em que, anualmente, a área de Saúde conduz uma análise voltada às especialidades faltantes ou para as quais não há atendimento adequado na rede. Essa informação é submetida a análise do conselho técnico, seguido pelo conselho de Administração, e uma vez aprovada, vai para a assembleia e aprovamos um chamamento de profissionais. Publicamos edital em nosso site, divulgamos nos órgãos de classe e também por meio de programas da Federação.
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Já do ponto de vista operacional e técnico, vemos um fortalecimento muito intrínseco ao relacionamento com a Federação. Dentro de seus programas, projetos e ações, lá há uma estrutura muito maior do que a nossa, além de profissionais de alta capacidade, e podemos aproveitar essa interligação, que para nós tem sido de extrema valia.
Quais são os principais diferenciais estratégicos da Unimed Paranaguá?
Estamos fortalecendo o atendimento nos municípios de praia por meio de uma parceria com o Hospital Paranaguá, da qual a Unimed é acionista, e que montou unidades de atendimento em Pontal do Paraná, Matinhos e Guaratuba.
Além disso, estamos fortalecendo e ampliando nossa unidade de oncologia. Aumentamos bastante o número de farmacêuticos. Quando assumimos, tínhamos um farmacêutico oncológico, e hoje temos três. Nós tínhamos uma enfermeira, hoje temos duas. Então investimos bem, com dois oncologistas, e um laboratório que já vem demonstrando resultados, mesmo com poucos meses de atividade. Estamos muito otimistas com isso.
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Neste cenário de diferencial estratégico, principalmente considerando essas parcerias mencionadas pelo senhor, o senhor acredita que o fato de ser um modelo cooperativista agrega valor para quem fará a parceria e para os próprios beneficiários?
Entendo que sim, sou extremamente favorável ao modelo cooperativista. Sou cooperado da Unimed Paranaguá há 33 anos, já fui diretor em outras ocasiões, e vejo que o diferencial do modelo é que o médico-cooperado é sócio da empresa. E isso quer dizer que o cliente, o paciente, está sendo atendido pelo dono da empresa.
A dificuldade nisso é que tem cooperados que não entendem que também são sócios da empresa. Esse é o ponto de dificuldade. Mas quando o cooperado realmente entende, veste a camisa, é um excelente diferencial na questão do atendimento para o cliente, na ponta.
A parceria com o Hospital Paranaguá também vejo como muito importante. É um olhar de cooperativismo, em que, por iniciativa própria, reajustamos para cima algumas tabelas, pois temos interesse em fortalecer o trabalho. Então não foi uma simples parceria de credenciamento. Nós viabilizamos essas parcerias, investimos nisso. E de fato é uma parceria estratégica, dos dois lados. Estamos juntos, auxiliando, fomentando e incentivando, inclusive financeiramente.
Quais projetos o senhor consideraria os mais relevantes para o futuro da cooperativa, considerando também os caminhos e desafios da saúde no país?
Com relação ao cenário do país, entendo que precisa haver cada vez mais uma união do Sistema Nacional e Estadual, das Federações e da Confederação.
Também vejo nosso grande potencial como eleitores. Então nós temos condições de eleger parlamentares que podem fazer a diferença. Precisa haver uma união do Sistema Unimed para eleger, mas também para cobrar.
E no cenário local, temos objetivos de fortalecer nosso laboratório, ampliá-lo e, assim que possível, expandi-lo para as praias, montando postos avançados nos principais municípios, como Matinhos, Pontal do Paraná e Guaratuba.
Temos também uma eleição de diretoria em março de 2026, e ainda não sabemos o que ocorrerá no cenário local. Mas quem quer que vier a assumir, tenho certeza de que continuará com investimentos pesados no laboratório e nessa parceria das praias, que são nossos grandes focos no momento.
Há algo que o senhor gostaria de acrescentar para os leitores?
Entendo como muito importante para as Singulares de pequeno e médio porte terem uma forte união com a Federação. Vejo isso como fundamental ao crescimento, ao fortalecimento do sistema no estado. E quanto mais unidos estivermos com a Federação e entre nós, maior o suporte que ela pode nos dar em todas as áreas. Não temos pessoal e nem recurso para muitas das ações necessárias, e a Federação está sempre a disposição para estimular essas parcerias.
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