Cocriar, compartilhar e confiar: como construir uma empresa ética?

A importância de ter clareza no propósito para liderar pessoas em seu potencial máximo

empresa ética
(Foto: Unimed Paraná)

Liderança é diferente de gestão: não é cargo, é a atitude e a habilidade de congregar pessoas diferentes em prol de um objetivo comum. Com esse pensamento, Alexandre Di Miceli da Silveira, fundador da Virtuous Company, trouxe a apresentação “Os limites da ética na gestão”, sob moderação do presidente da Unimed Regional de Campo Mourão, Antônio Carlos Cardoso, na trilha de Gestão do Suespar, abordando as formas de construir uma empresa ética.

Leia também – Suespar quebra recorde de público em sua 31ª edição

As práticas, por si só, não constroem empresas de excelência – ela precisa ser integrada e complementada a outros elementos, como cultura, à forma de fazer as coisas, aos hábitos de condutas e à maneira de pensar. Há, na maior parte das pessoas, incluindo líderes e gestores, a necessidade de controlar o que, na realidade, é incontrolável. “Vivemos em um mundo de imprevisibilidade e, talvez, nunca mais tenhamos um cenário previsível”, lembrou Silveira, com destaque ao volume de informações que recebemos a cada segundo.

Com isso, a busca deveria ser pela clareza e não somente pela informação. Saber o que quer e o que não quer é fundamental para a construção de uma empresa ética, pois o que determina o desempenho de uma instituição é a forma como as peças se encaixam – e não apenas ter as melhores peças, isoladamente. “A empresa é local de cocriação de valor, é preciso conhecer, confiar, compartilhar, cocriar. A liderança, por sua vez, não é ensinada, mas sim aprendida através dos exemplos.”

Em cinco passos práticos, Silveira apresentou um caminho para lideranças alcançarem a excelência em suas equipes, começando pela evolução no modelo mental, de ver a empresa como máquina e passar a enxergá-la como comunidade humana. Também é necessário revisitar crenças que determinam a cultura do negócio, lembrando que ela é a soma daquilo que valorizamos com aquilo que acreditamos. “O que é sucesso, o que é prioritário e como vemos as pessoas? Qual o papel da empresa na sociedade? Esses são questionamentos que precisam ser feitos quando falamos sobre crenças”, disse.

É necessário, também, mensurar intangíveis associados à cultura e à liderança, identificando bolsões, mas sem vincular a bônus ou punições. São exemplos a segurança psicológica, cultura ética, estilo de liderança, entre outros pontos. Em contrapartida, o que é discutido pelos órgãos de liderança precisa ser revisitado constantemente, também, para garantir que elementos culturais associados ao fator humano tenham espaço nas discussões. Por fim, tudo começa pelo exemplo: é preciso selecionar e avaliar como as pessoas incorporam os valores e a cultura desejada, enquanto as lideranças devem estar abertas ao aprendizado, prezando pela ética e com propósito pessoal sintonizado ao propósito da empresa.

SHARE