O jovem soldado jaz abatido em sua trincheira. Não tem nenhum ferimento, não foi exposto a nenhum agente tóxico. Apesar da fome, apresenta razoável estado nutricional e seu cantil ainda tem água. As suas vestes, mesmo surradas, parecem suficientes para enfrentar o frio intenso. A neve, que cai aos poucos, serve de cobertura sepulcral à trincheira, agora cova. Seus últimos momentos foram de um delírio febril, tosse e intensa falta de ar. Soçobrou a epidemia que assola o mundo. Estamos falando sobre uma pessoa cuja causa-morte foi a pandemia de H1N1 que ocorreu há 100 anos, entre 1918 e 1920, ao final da Primeira Guerra Mundial, finalizada em 1918. Uma epidemia que matou muitíssimo mais do que todos os combates desses anos, a chamada Gripe Espanhola, que, apesar do nome, teve seu início, muito provavelmente, em território americano. Essa pandemia atingiu 500 milhões de pessoas, correspondendo a 25% da população mundial da época, matando 50 milhões. Somente no Brasil, cerca de 35 mil pessoas morreram, inclusive o presidente da República de então, Rodrigo Alves (1848-1919). Na época, um dos medicamentos apregoados para o tratamento era uma medicação usada para o combate à malária (quinino). Evoluímos, estamos na era tecnológica, a ciência nos proporciona conhecimentos fantásticos, as pesquisas na área médica têm mostrando resultados no combate às doenças e novas drogas medicamentosas têm surgido. Porém, 100 anos depois, nova pandemia, agora a Covid-19, leva-nos a praticar as mesmas recomendações de então: distanciamento social, uso de máscara, cuidado com a higiene e, mais uma vez, um dos itens apregoados para o arsenal de medicamentos é um remédio usado para o tratamento da malária (cloroquina). Assim como ocorreu com nossos ancestrais, avós e pais, há 100 anos, breve essa pandemia também será história. Enquanto não for disponibilizada uma vacina eficaz e a população não obtiver imunidade, ficaremos mais algum tempo assistindo aos debates sobre o melhor tratamento a ser dispensado e a medicina baseada em evidência. Nossa esperança é de que isso que enfrentamos, e com certeza venceremos, tornem-nos pessoas cada vez melhores, honrando àqueles que, como o soldado da Primeira Guerra Mundial, sucumbiram; no entanto, deixaram às gerações futuras exemplos de resiliência.
Dr. Faustino Garcia Alferez – diretor de Saúde e Intercâmbio, da Unimed Paraná
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