Depoimento 17: desafios da pandemia

Não está fácil para ninguém. A Covid-19 imprimiu um novo ritmo à vida de todos. À dos profissionais de saúde, não é diferente. O susto foi grande para a maioria. Muitos ao escolherem essa área já intuíam os riscos, mas a realidade, na maioria das vezes, se sobrepõe às expectativas. Foi o que aconteceu em relação à essa pandemia. Todos, no entanto, mantêm a convicção de que, no mínimo, sairemos dessa mais fortalecidos.

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E você o que acha? Fomos ouvir o grupo de profissionais que trabalha no Centro de Atenção Personalizada à Saúde (APS), da Unimed Paraná. Veja o que eles disseram.

“Aprendi a cozinhar com 11 anos, com minha mãe e minha avó que sempre cozinhavam com um tempero especial chamado AMOR. Por gostar tanto de cozinhar e inventar combinações e pratos (uns davam muito certo, outros nem tanto), quase entrei para a gastronomia. No entanto, quando soube que existia uma profissão na qual eu poderia aliar o alimento à saúde das pessoas, seja para a manutenção da própria saúde ou mesmo como tratamento de doenças, soube naquele momento o caminho que queria seguir.

Nunca, porém, imaginei viver uma situação como a que estamos vivendo hoje. Sempre soube o que eu iria enfrentar as doenças que vinham aumentando desde a década de 60 (obesidade, diabetes, hipertensão), mas não que faria parte da história de uma pandemia.

Estar na linha de frente, no entanto, não me assusta tanto, porque de certa forma é mais tranquilo para mim. Desde o início da pandemia, os pacientes vinham em consulta presencial estando certos de que não apresentavam nenhum dos sintomas da Covid-19. E venho, desde então, tomando os devidos cuidados. O uso de máscara, lavagem das mãos e uso do álcool 70% já virou hábito. Com o apoio da empresa, venho trabalhar usando transporte por aplicativo (App) para manter o mínimo de contato com outras pessoas e locais com aglomeração, pois antes vinha trabalhar com o transporte coletivo. Esse cuidado se estende aos meus pacientes e aos meus colegas do Centro APS.

 Com o distanciamento social, o maior problema é a saudade. Ela aperta muito. Não estou em contato direto com meus pais, por exemplo, porque ambos têm mais de 60 anos e têm alguma morbidade, portanto, estão no grupo de risco. Porém, com a ajuda de videochamadas, mantemos o papo em dia. Eventualmente passo de carro na casa deles (risos), fico no portão e eles na janela. Esse cuidado é essencial. Afinal, trabalho em um local que tem maior risco de contaminação, por isso o cuidado deve ser redobrado.

Minha preocupação com os meus pacientes é o fato de que, por conta do isolamento social, muitos descuidaram da alimentação e deixaram de estar ativos, isso contribui negativamente na imunidade e aumenta o risco para a Covid-19. Porém, de modo geral, acredito que essa pandemia nos faz refletir que somos comunidade. Minhas atitudes impactam diretamente nas outras pessoas. E não só nas mais próximas. Todos estamos expostos. Portanto, é importante que nossos pacientes, e as pessoas de modo geral, tenham consciência disso e colaborem com os cuidados que há meses vêm sendo reforçados como fundamentais para o enfrentamento dessa doença”.

Vanessa Ceccatto – nutricionista

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