Covid-19: Plataformas colaborativas ajudam a mapear riscos de transmissão

A tecnologia e plataformas colaborativas ajudam a mapear riscos de transmissão do novo coronavírus no país. A partir dos dados da própria população, algumas ferramentas online geram indicadores que podem auxiliar no planejamento de ações e na tomadas de decisões, e não apenas de gestores públicos e da área da saúde, mas dos próprios moradores de uma determinada localidade. Podem pautar, por exemplo, um determinado deslocamento para uma região de risco de transmissão. Uma destas plataformas colaborativas foi desenvolvida no Paraná. 

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O acompanhamento da evolução da epidemia do novo coronavírus está sendo feita com base nos dados oficiais, fornecidos pelo Ministério da Saúde e secretarias estaduais e municipais de saúde. Estas informações são geradas a partir da procura pelo serviço de saúde e da realização de exames. Mas a população também pode ajudar a mapear riscos de transmissão do novo coronavírus, a partir das suas próprias informações.

Isto porque muitos brasileiros podem apresentar os sintomas da Covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus, ou ainda ter contato com casos confirmados da doença, mas não vão aparecer nas estatísticas oficiais. Estas pessoas não vão acessar o sistema de saúde a partir da recomendação das autoridades de saúde para isolamento se apresentarem sintomas leves. Ou ainda nem vão apresentar os sinais, mesmo infectadas após o contato com um caso suspeito ou confirmado.

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Diante disto, as plataformas colaborativas ajudam a mapear riscos de transmissão do novo coronavírus em diferentes regiões. As ferramentas estão baseadas na geolocalização e em mapas, conferindo um panorama diferenciado sobre a epidemia do novo coronavírus.

Juntos Contra o Covid

O cidadão que apresenta sintomas ou que tem contato com alguma pessoa nessas condições pode repassar esses dados, que alimentam um mapa com a graduação de risco do novo coronavírus. Esta é a proposta da ferramenta Juntos contra o Covid, que já recebeu mais de 20 mil colaborações em cerca de 20 dias, principalmente a partir de Curitiba (PR). A plataforma foi desenvolvida pelo acadêmico de Medicina da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Faissal Nemer Hajar, que realiza pesquisas em diferentes áreas, incluindo epidemiologia.

Ao entrar no site (não é necessário baixar um aplicativo), a pessoa preenche um formulário e responde se fez teste para Covid-19, a infecção causada pelo novo coronavírus; se apresentou sintomas como febre e tosse ou dificuldade para respirar; se viajou para um local com transmissão local ou comunitária 14 dias antes do surgimento dos sintomas; se teve contato próximo com algum caso confirmado de Covid-19; e se houve contato com algum caso suspeito da doença duas semanas antes dos sintomas. Além disto, é necessário informar CEP e endereço, pois tudo funciona com base na geolocalização.

Cada participante precisa enviar informações verídicas para o sistema e, desta maneira, é possível alimentar um mapa com graduação de riscos em diferentes níveis. A ferramenta utiliza um algoritmo divulgado pelo Ministério da Saúde e a Fiocruz, e tem a função apenas de controle epidemiológico. “Nossa plataforma não é diagnóstica, mas fornece uma estimativa de risco, de um possível maior contágio”, explica Hajar. “A população continua com o distanciamento social, evitando contato. No entanto, eventuais deslocamentos podem ser pautados pelos mapas do Juntos Contra o Covid. As decisões podem ser tomadas com base nas áreas de maior risco”, conta.

Hajar começou sozinho e agora já conta com a colaboração de uma equipe, entre programadores e profissionais da área da saúde. A iniciativa tem o apoio da Amazon, a empresa gigante da área da tecnologia, e da Gebit, que atua no desenvolvimento de softwares. A partir de agora, a meta é expandir a plataforma e alcançar mais cidades. Os dados também podem ajudar em ações na área da saúde pública.

As pessoas que colaboram na plataforma Juntos contra o Covid não são identificadas. O sistema não armazena dados pessoais.

Brasil Sem Corona

Outra plataforma que tem o objetivo de mapear o risco de transmissão do novo coronavírus é o Brasil Sem Corona. A iniciativa foi desenvolvida pela plataforma de engajamento para a cidadania Colab em conjunto com a Epitrack, startup de inteligência de dados para o monitoramento e controle de doenças. O objetivo é identificar antecipadamente o risco de casos da doença no país.

Para participar, é necessário baixar um aplicativo e responder um questionário, cujas respostas ajudam na construção dos indicadores. O mapa traz as estimativas de casos de coronavírus e uma projeção para o período de até sete dias. 

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O usuário irá informar se está se sentindo bem ou não. Se disser que está bem, será questionado sobre se entrou em contato com alguém que apresenta os sintomas da Covid-19. Ele também informa se mora com idosos, por exemplo. Se a pessoa comunicar que não está se sentindo bem, ela vai responder a perguntas sobre sintomas e se procurou o sistema de saúde. Segundo os idealizadores da plataforma, o algoritmo da ferramenta analisa a combinação das respostas e organiza um mapa de calor com a localização geográfica dos usuários e o nível de risco de estarem infectados pela Covid-19. 


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